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Que se lixem as provas de aferição, o problema está no antes e no depois.

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O título deste artigo reflete a minha impaciência e revolta para algo que esconde a verdadeira realidade. Já o ano passado os diretores queixaram-se que as escolas não tinham material para aplicar as provas de aferição do 1º ciclo. A resposta do Ministério da Educação foi e muito bem “Então como é que cumprem o currículo?”.

Não cumprem, ponto. Alguns acusam-me que estou a ser injusto para com os professores do 1º ciclo, mas a minha preocupação não é para com os professores, desculpem a frontalidade, a minha preocupação é para com os alunos que “queimam” um ciclo inteiro sem assimilar conteúdos essenciais para o seu desenvolvimento físico, social e cognitivo. Os alunos passam por fases sensíveis que deviam ser respeitadas e não são. Existe uma clara desvalorização das Expressões no 1º ciclo que não pode continuar. Sinceramente, já não quero saber se o problema é da falta de condições, da falta de vontade (idade) do professor, do fechar de olhos do diretor, ou se os programas são muito extensos. Isso é tudo acessório, quem vos escreve já andou de carrinha (tipo padeiro) a dar aulas de atividade física aos alunos do 1º ciclo, sem pavilhão, sem material, sem nada.

O que falta muitas vezes é olhar o problema de frente e querer resolvê-lo!

Todos falam das provas de aferição, até faz capa de jornal, e o antes e o depois? O ano passado muitos alunos foram treinados para a prova de atividade física semanas antes e depois “abandonados” novamente. Isto não pode acontecer, é de um amadorismo repugnante e a escola não pode andar a fingir que faz, deve fazê-lo!

Este ano estou a ver que vamos pelo mesmo caminho…

Lembrem-se que daqui a pouco tempo a responsabilidade já não será do Ministério da Educação, serão as Autarquias que vão ter de resolver o problema da falta de condições em virtude da Municipalização.

Nota: não vou dar os parabéns a todas as escolas que cumprem com o que lhes é exigido, é a sua função. Ninguém dá os parabéns às escolas por ensinarem Português, Matemática ou Estudo do Meio, pois não? Se os diretores vissem os programas saberiam que material comprar.

Desculpem-me o tom irritado deste artigo, mas para mim, isto são tudo desculpas da treta.

Exames práticos voltam a ser uma dor de cabeça. Diretores defendem que lista de materiais devia ser dada no início do ano letivo.

O material exigido às escolas para as provas práticas de aferição, que se realizam já a partir da próxima semana, está a causar, de novo, dores de cabeça. Muitos dos estabelecimentos de ensino, sobretudo os do 1.º ciclo, não dispõem de grande parte do material requerido para as provas de Expressões Físico-Motoras, que serão feitas pelos alunos do 2.º ano. É o caso do plinto ou do espaldar. No caso das provas de Expressões Artísticas, está a ser pedido material aos pais

Fonte: JN

8 COMMENTS

  1. Se o Ministério da Educação olhasse com olhos de ver para a realidade existente no 1.º ciclo, relativamente às expressões veria que não faz sentido colocar professores licenciados em ensino da música e educação física a dar AECs a brincar , de forma lúdica, não avaliada… e depois exigir ao professor do 1.º ciclo que dê os conteúdos das várias expressões e avalie os alunos com rigor.
    E que tal a coadjuvação com especialistas nas diversas áreas ou simplesmente acabarem com as AEC e porem professores das diversas áreas a darem essas disciplinas curriculares?
    É Portugal no seu melhor!
    Aos professores que estão no terreno ninguém ouve.

    • Concordo plenamente, 1° ciclo. Apenas com coadjuvação é possível. Trabalho no ensino privado e sinto que se não tivesse um professor de expressão musical que me ajudasse, eu não seria capaz de ensinar estar a área da forma correta. Claro que podia ensinar umas canções mas não passariam de letras decoradas pois não seria capaz de lhes ensinar no tom certo e algumas nem do ritmo e pouco mais. Também a nível da educação física, só um professor especializado consegue ensinar com rigor a melhor forma de realizar determinados exercícios. Nós, 1° ciclo, podemos fazê – lo mas corremos o risco de criar “vícios” que dificilmente depois o professor do 2° ciclo consegue tirar. Permitam-me a analogia: Quem nunca teve no 1° ano um aluno a pegar mal no lápis? É às dificuldades que passamos para corrigir?

  2. Num tom também irritado: você fala de cor, Alexandre Henriques e continua a fazer lobby pela sua disciplina. Dizer que está pouco importado , com a idade dos professores, a extensão do currículo, no mínimo não é simpático… Você embirrou com o 1º Ciclo… Vá para lá dar aulas e arremate um horário destes colegas; experimente coser todo o currículo e depois falámos!
    E volto a dizer: sou a favor das Expressões, de todas, não é só da Educação Física, mas, quer você queira quer não, não é a mesma coisa, não saber um passe controlado e não saber ler e escrever. Para isso teríamos de dissertar sobre a História da Educação… Mas não temos tempo… nem espaço!

    • Eu não falo de cor, aí é que se engana e não me calo até que se cumpra o que está legislado. Comparar passe controlado com o saber ler nem escrever é desonesto intelectualmente e revela bem o preconceito e desconhecimento sobre os pilares da atividade física. Um país que tem taxas de obesidade infantil assustadoras, um país onde menos de 30% dos adultos não pratica atividade física, são bandeiras vermelhas que não deviam ser ignoradas.
      Eu não embirrei com o 1º ciclo, colocaria aqui vários artigos onde o defendo, tendo inclusive feito um comparativo com a carga letiva do 1ºciclo e restantes ciclos, além de ter apresentado propostas concretas de horários para professores e alunos.
      Dizerem-me que não dão atividade física por causa da idade é inaceitável, se assim fosse não haveria treinadores nem professores de educação física com 60 anos. Isso é um não argumento, a extensão do currículo também não é desculpa, pois os professores do 1º ciclo sabem (veja lá que eu até sei isto, para quem desconhece não está mau,..) que o currículo não está adaptado, existem aprendizagens essenciais e muitos dos conteúdos são repetidos no 2º ciclo.
      E já agora Afonso, como é que explica que vários professores do 1º ciclo lecionam atividade física no 1º ciclo? O currículo não é o mesmo?

      P.S – dispenso bem as suas ordens ” Vá para lá dar aulas e arremate um horário destes colegas”. Não tenho de provar a sí a minha dedicação à Educação.

  3. Bom só falo do que conheço. Divida as Expressões, todas, pela carga horária semanal. Quanto tempo para a Educação Físíca? Três horas no total…
    Não tiveram coragem de uma verdadeira reforma curricular, atente-se que nem sequer acabaram com o espartilho das horas, e depois querem que se cumpram programas. Mas não é só nas Expressões que eles não são cumpridos, não são cumpridos, convenientemente, em nenhuma das disciplinas. Tenho filhos no 1º Ciclo e a professora tenta cumprir o que é planificado mas tem manifestas dificuldades. Isto é um facto.
    É importante frisar que quando falo numa reforma curricular não falo em facilitismo , muito menos nas coisas mirabolantes que tenho observado na Flexibilidade Curricular….
    Quanto à obesidade e ao sedentarismo… Concordo perfeitamente , mas , como sabe, não se combate apenas com Educação Física mas com a mudança dos hábitos alimentares das crianças portuguesas, que estão cada vez piores. E digo isto sem ser um fundamentalista da alimentação saudável.
    Por fim, não lhe dou ordens… Quem sou eu para lhe dar ordens? Apenas lhe aponto a questão de lecionar no 1º Ciclo para perceber as dificuldades que todos os colegas, todos, me vão dizendo… Apenas isso. A sua dedicação à educação é consigo e faz parte da sua Ética Profissional, não me diz respeito, individualmente.

    • A educação precisa de uma reforma nos programas, mas para isso tem de existir um pacto educativo. Lembro que quando se falou em mudar novamente os currículos caiu uma chuva de críticas pela falta de estabilidade e cedência às editoras.
      Preso por ter cão, preso por não ter…

  4. E se os Diretores quiserem comprar todo o material e respetiva manutenção e o ME não dispor verba para isso?
    A culpa é de quem?

  5. Por afinidades familiares tive a felicidade de ditar os olhos, e os ouvidos, às provas de aferição de Expressões. Dizer que são desadequadas a crianças desta idade é pouco… Podíamos falar da linguagem utilizada; podíamos falar do tempo disponível; podíamos falar da extraordinária dificuldade de uma parte da prova, aquela que obriga criaanças de 7 anos, de sete anos, a trautear uma melodia , em contínuo, podíamos falar do tempo exíguo para realizar as provas…
    Se fosse no tempo do Crato era uma ”biolência” no tempo da flexibilidade pós-moderna é bué da fixe… Espero com particular interesse, e até já me dei ao trabalho de ler o programa das Expressões Físico-Motoras… Só para tirar ilações se a prova é para o que é ou só para dar força a um grupo de pressão , bem instalado, temporariamente, no actual Ministério de Educação que quer fazer valer as suas teses, à priori…
    Acabar com os exames no quarto ano e ´´espetar” com quatro provas , no final de ano, a crianças de 7 anos é obra… Mas para alguns é normal desde que seja dos supostamente modernaços !

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