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Que práticas dos professores podem contribuir ou prevenir a indisciplina em sala de aula?

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Ao longo da história da Educação, os comportamentos de indisciplina têm tido um lugar de destaque nas preocupações de pais e docentes. Por indisciplina entende-se a transgressão das normas escolares, prejudicando as condições de aprendizagem, o ambiente de ensino ou o relacionamento das pessoas na escola. Revela-se imprescindível distinguir as práticas inadequadas muitas vezes utilizadas pelos professores, das estratégias cognitivo-motivacionais enquadradas numa perspetiva relacional.

Oficina de PsicologiaMuitas vezes, os professores atribuem a indisciplina apenas a fatores externos à escola, como seja a influência do meio familiar e do meio sociocultural de origem dos alunos, ou então ao próprio aluno, categorizando-o como “indisciplinado”. A categorização pode levar à minimização do papel das situações na explicação desse comportamento. A atribuição da indisciplina a traços de personalidade do aluno leva a que, frequentemente, não sejam tomadas atitudes que promovam a modificação do seu comportamento, desresponsabilizando-se o professor em relação ao mesmo. A categorização do aluno não só se revela inadequada, por não permitir resolver as situações de indisciplina, como pode agravá-las, se o aluno se categorizar da mesma forma, desenvolvendo comportamentos consonantes com essa categorização.

Há também docentes que utilizam a punição, ou seja, a utilização de consequências indesejadas pelo aluno, depois deste ter manifestado um comportamento considerado inadequado pelo professor. Aparentemente, a punição é mais eficaz porque tem um efeito imediato no comportamento do aluno. No entanto, a longo prazo, pode ser contraproducente, pois tem um efeito de habituação, sendo necessário um aumento de intensidade para surtir o mesmo efeito, podendo levar a que o aluno considere o “castigo normal ou natural”, assumindo a imagem de “indisciplinado”.

Outros docentes procuram manter o respeito e a disciplina na sala de aula com uma postura autoritária e de distanciamento em relação aos alunos. No entanto, muitos casos de indisciplina ocorrem em relação a professores que promovem este tipo de relação. Pelo contrário, com base numa relação de agrado e de negociação, o professor parece ter maior influência sobre os seus alunos e estes parecem ter maior respeito por ele.

Deste modo, é importante que o professor em vez de estar demasiado focado nos erros que os alunos possam cometer e a realizar críticas constantes, deve saber elogiar e enfatizar os aspetos positivos do comportamento e aprendizagem dos alunos, pois só assim conseguirá motivar o aluno para a manutenção da mudança. Adicionalmente, para além de procurar identificar os comportamentos de indisciplina manifestados pelos alunos, é necessário, de igual modo, tentar conhecer os motivos desses comportamentos.

Um outro aspeto a ter em consideração é o facto de os comportamentos de indisciplina se manifestarem com uns professores da turma e não com outros, revelando que o professor deve refletir sobre a eficácia dos seus métodos, dificuldades e quais os aspetos a melhorar e não atribuir a responsabilidade totalmente ao aluno. Estará a ser pouco assertivo ou firme na comunicação das regras e limites? Será pouco consistente quando estabelece consequências para o comportamento desadequado? Tem um discurso demasiado crítico e pouco motivador?

Neste sentido, é essencial o trabalho de equipa dos professores da mesma turma, confrontando-se, assim, formas de atuação, de modo a que se uniformizem os procedimentos e se estabeleçam regras que permitam uma maior consonância docente na turma.

Face à complexidade da problemática, a gestão adequada das relações interpessoais na sala de aula e a prevenção e resolução das situações de indisciplina passa por uma ação concertada da intervenção dos professores, órgãos de gestão das escolas e encarregados de educação.

Seria importante que os jovens que com mais frequência praticam comportamentos de indisciplina beneficiassem de programas de desenvolvimento de competências e regulação emocional e comportamental, de forma a assumirem a responsabilidade pelos seus atos e diminuírem a frequência de comportamentos desadequados. Adicionalmente, a articulação com os encarregados de educação é fundamental, não só quando a atitude do aluno é disfuncional, como também quando tem progressos.

Não há receitas para gerir as situações de indisciplina, visto serem relacionais e circunstanciais. Qualquer estratégia aplicada só fará sentido no contexto em que é utilizada e tendo em conta o estilo pessoal do professor, os objetivos a atingir, os alunos envolvidos e a situação em causa.

Em suma, é fulcral que a relação pedagógica assente na autonomia, no diálogo, na negociação, na compreensão, no encorajamento, respeito e interações positivas.

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia

6 COMMENTS

  1. Curioso como alguém que não é professor consegue ver tão bem o que se passa dentro de uma sala de aula…

  2. O texto foi escrito por uma Psicóloga Clínica, mas poderia ter sido escrita por um professor. Falta contudo referir o carisma necessário à profissão. Há um relacionamento necessário com os alunos que se têm, ou se perde o pé. No 1º ciclo em que se ficam horas infinitas com os mesmos alunos é fundamental. Independentemente da qualidade pedagógica do professor, se não conseguir controlar os alunos é melhor desistir.

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