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Que País Estamos a Criar?

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«Cada dia que passa e a cada hora denota-se um maior desinteresse de muitos jovens pelas aprendizagens quer formais (escolares), quer sociais e educacionais que passam muito por famílias ou distraídas ou que elas próprias desconhecem regras sociais básicas que, ainda que não escritas, são exigíveis para que cada ser Humano possa relacionar-se dentro de parâmetros aceitáveis e que um dia consigam a tão desejada ascensão social. Nomeadamente, realizando-se profissional e socialmente.

Ora, o que está a acontecer e a avolumar-se é precisamente o contrário.

Encontramos uma sociedade onde a “apatia juvenil”, o desinteresse pelo mundo que os rodeia e a “infantilização” são uma constante “in crescendo”.

Por outro lado, aqueles bafejados pela sorte de terem famílias ou alguém com esse nome que os “ensinem” desde tenra idade a ser, em vez de ter, a saber lidar com os outros com educação, a gostar e compreender o valor da Escola e da vida. Esses! vão destacar-se naturalmente e sem grande dificuldade daqueles acima enunciados. Esses, os “distraídos”, serão verdadeiros “escravos” dos que “singram” ou nem para isso servirão, pois nem capacitados estarão para qualquer função.

Viverão sem competências mínimas e acabarão recorrendo à assistência social (se houver) ou à indigência. Ainda assim, não acredito que as famílias desatentas hão-de gostar der ver os seus filhos como verdadeiros “pobres-diabos”, só espero é que consigam ser felizes o que não deixa de ser uma equação muito difícil ou mesmo impossível.

Considero essencial que parem um pouco para pensar o que querem para os vossos descendentes. Ainda que saiba que “Educar” custa, mas há-de custar mais um pai ou mãe ver o seu filho quando adulto ( e passa depressa) ser um “vencido da vida”, quando poderia simplesmente ser, um ser feliz.

Nunca deveremos de esquecer que vivemos numa sociedade que “não perdoa” e não fui eu que a inventei.»

Texto do colega João Viegas

(29-10-2019)

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2 COMENTÁRIOS

  1. Excelente artigo, fez-me lembrar as “21 lições para o século XXI, de Harari. Como mãe não me considero distraída, nesse campo tenho sido “premiada”, como docente, constatando que cada vez mais há alunos à deriva, que vivem no seio de famílias distraídas, tudo faço, para os ajudar a tornarem-se seres humanos que possam relacionar-se “dentro de parâmetros aceitáveis e que um dia consigam a tão desejada ascensão social. Nomeadamente, realizando-se profissional e socialmente.” Muito difícil alcançar este último objetivo, contudo não desisto, para bem da escola pública. Como diz o professor do ano e bem, antes de maltratar um aluno que me maltrata, questiono as razões pelas quais o fez. A isso se chama humanismo que também falta no seio de muitas famílias que PARECEM menos distraídas.

  2. Não é preciso exagerar ou dramatizar. A realidade actual (mas que quase ninguém quer admitir) mostra uma quantidade absurda de adultos de 30-40 anos perfeitamente adaptados à subsidio-dependência dos pais, para serem infinitamente felizes ao terem um nível de vida/despesas incompatível com os seus rendimentos (mesmo que sejam licenciados e com bons ordenados). A geração que se segue estará um passo mais à frente: para além do subsídio permanente dos pais, dispensarão qualquer tipo de competência, com ou sem canudo, porque, realmente, não vale a pena perder tempo e energias com miudezas desnecessárias – basta-lhes respirar. Escondido atrás disto tudo, está um prazer estranho, por parte dos pais, em continuar a ter algum controlo sobre os filhos, mercê da dependência monetária necessária para serem felizes. A missão dos pais, nos tempos que correm, resume-se a fazer com que os filhos sejam eternamente adolescentes felizes, navegantes de uma ilusão conveniente de vida fácil. Preparar adolescentes para serem adultos independentes é coisa do passado.

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