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Quase 40% dos alunos do 2.º ano com níveis de leitura frágeis (Porto)

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No total, contamos praticamente com 40% das crianças que avaliamos com competências aquém do que seria de esperar para um arranque do 2.º ano de escolaridade”, avançou hoje à agência Lusa Ana Sucena, coordenadora científica do estudo, realizado no início deste ano letivo a 542 crianças de 11 agrupamentos de escolas do Porto.

O trabalho foi realizado pelo Centro de Investigação e Intervenção na Leitura (CIIL), uma parceria entre o Instituto Politécnico do Porto, a Câmara do Porto e o Ministério da Educação, e teve como objetivo avaliar o impacto causado pelo encerramento físico das escolas no 3.º trimestre de 2019-2020 devido ao estado de emergência decretado perante a pandemia da covid-19.

O estudo indica que, entre as 542 crianças avaliadas ao início do 2.º ano, 144 (27%) revelaram um “desempenho na leitura muito pobre”, ou seja estão no percentil 10 ou abaixo do percentil 10, e revela que 10% de crianças apresenta “competências frágeis”, ou seja, que ficam aquém do nível esperado no início do 2.º ano, mas com razoável potencial de recuperação”, explicou Ana Sucena.

Em entrevista telefónica à Lusa, Ana Sucena avisa que as crianças que revelaram um nível de desempenho na leitura “muito pobre” e “muito frágil” estão em “situação de alarme”, porque “são ainda muito novas” e estão numa fase “muito inicial da escolaridade”.

A especialista acrescenta ainda que, sem surpresa, as crianças em contexto “economicamente desfavorecido” são “mais penalizadas do que aquelas em contexto não desfavorecido”.

Na opinião de Ana Sucena, é necessário que estes alunos com níveis de competência de leitura “muito baixo” ou “frágil” devam ter um reforço escolar durante “todo o ano letivo” para recuperarem as competências que ainda não desenvolveram e para que não fiquem “marcas para uma vida”.

“Um processo de aprendizagem com um início frágil é um péssimo indício. A probabilidade de as coisas correrem mal daqui para a frente é muito grande”, considerou, reiterando que a aposta de consolidação e de recuperação tem de acontecer com estas crianças “para lá das cinco semanas do início do ano letivo“.

Em anos letivos anteriores, no mesmo território — município do Porto -, mas com a escola a decorrer em condições de normalidade, a soma das crianças com competência “muito pobre” e com “competência frágil” rondava os 25%, o que contrasta com os “37% no presente ano letivo“.

Este estudo utilizou um teste de rastreio de leitura aferido para a população portuguesa com um valor padrão em que crianças do 1.º ano deveriam conseguir ler “30 frases em cinco minutos e deveriam conseguir “completar essas frases”.

Para o final do 1.º ano há um resultado esperado, mas o que este estudo veio demonstrar é que houve uma percentagem muito elevada nos percentis mais baixos (10 e 25), explicou a especialista.

Os percentis são medidas que dividem a amostra por ordem crescente dos dados em 100 partes. O percentil 50 é a mediana.

pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos no mundo desde dezembro do ano passado, incluindo 2.395 em Portugal.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Fonte: Notícias ao Minuto

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