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Quando os pais precisam de pais…

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corda_1Este é um dos dramas com que as escolas têm de lidar frequentemente. Quando estamos perante um encarregado de educação que está prestes a atirar a toalha ao chão e onde a desresponsabilização parece ser a única saída. Nesse momento o professor torna-se psicólogo, tenta gerir o momento, tentando minimizar estragos de uma relação profícua em conflitos e tensões.

O que fazer nessas situações?

Não sou psicólogo nem pretendo ser, mas como vocês, quando isto acontece não temos um ao lado a quem possamos passar a bola e ir para os balneários. Não se gerem relações humanas “à la carte”, mas partilharmos as nossas experiências é algo que nos permite evitar erros no futuro. Eis a minha:

Primeiro passo – verificar se o encarregado de educação está alinhado com os interesses escolares. Sem isso nada feito.

Segundo passo – recordar ao encarregado de educação que ele é o primeiro e último recurso, a bóia de salvação e apesar de tudo o que se passou ele é responsável pela educação do seu filho e tem de ser um pilar na vida dele.

Terceiro passo – propor diferentes estratégias no relacionamento com o seu educando, para aqueles que são demasiado protetores e demasiado “moles” lembro-lhes que quem lhes dá e trata da roupa, fornece um teto, paga o telemóvel e em alguns casos oferece semanada, tem que se lembrar do poder que possui e se necessário retirar de forma justa e coerente determinados privilégios. Pode ser o suficiente para travar atitudes menos sensatas, mas cuidado, há que acenar com a reabilitação e a reconquista desses privilégios.

Para os que lidam com os seus educandos de forma radicalmente austera, em que o distanciamento, a crítica e a negação estão sempre presentes, tento mostrar-lhes a importância dos reforços positivos, permitindo ao seu filho ver um lado mais afetivo e tolerante. É importante que fique bem presente um compromisso a curto/médio prazo que permita a recompensa, evitando assim a punição como única estratégia.

Quarto passo (utilizar como último recurso) – lembrar que o incumprimento por parte dos encarregados de educação está legislado e que poderão ser “incomodados”, nomeadamente através da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens.

Por vezes a ferida é tão grande que só os especialistas conseguem curar, por outras vezes é o início de um tratamento que pode levar a uma relação mais saudável que, com alguma persistência, refletir-se-á no aproveitamento escolar do aluno.

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