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Quando os pais “chumbam” os filhos…

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(texto dedicado aos pais que se julgam “especialistas”)

Vamos simplificar as coisas… Os pais dão educação aos filhos, a escola ensina os alunos. Básico, simples, sem complicações e todos seriam felizes. Utopia, mera utopia, todos nós sabemos que não existe uma linha que separa a escola da família e vice-versa… E aqui entre nós, até que ponto é que não é lógico ser assim…

Os professores são especialistas em educação, foram eles que andaram a queimar as pestanas anos a fio para receberem o “canudo” que lhes permite lecionar. Além disso, muitos (e agora são mesmo muitos) são bastante experientes o que provavelmente os torna hiper-mega-especialistas 😉

Por isso é com estupefação que ouço a recusa de um pai ou de uma mãe, em seguir os conselhos destes especialistas. Deve ser alguma coisa que só pode vir explicada nas estrelinhas, algo para além da compreensão humana, pois a preocupação legítima do professor é tratada ao nível do senhor que toca a campainha ao domingo de manhã para tentar vendar o novo serviço das não sei quantas mil velocidades da fibra da NOS…

Novamente simplificando, apraz-me questionar o significado dos seguintes momentos:

tapar ouvidosSe um professor informa um encarregado de educação, que é melhor para o seu filho ter uns tempinhos extras para não perder o “comboio” (ainda por cima de forma gratuita), porque raio é que este não aceita???

Se um professor aconselha, a frequência de uma tutoria ou de um apoio psicológico, pois o “tico e o teco” da criança/jovem, estão a fazer curto-circuito com proporções nucleares, emanando radioatividade perigosa não só para ele mas também para os outros, porque raio é que este não aceita???

Se um professor “implora” para que o seu filho siga os estudos por uma via alternativa, pois já chumbou 3x no 9º ano, ficando assim provado à escala do Big Bang que o “processador” não dá mais, porque raio é que este não aceita???

Se um aluno é cientificamente diagnosticado que precisa de integrar a educação especial, pois a sala de aula para ele é a mesma coisa que ficar a olhar para um carrossel feliz e contente, porque raio é que este não aceita???

É que ao compararmos com um pai ou uma mãe que vão a um especialista de saúde, vulgo médico, e são confrontados com uma receita para o seu filho melhorar dizem: “sim senhor doutor, o senhor é que sabe…” ou “obrigado senhor doutor, se não fosse o senhor, o que seria do nosso menino”, porque raio quando estão perante outro especialista, neste caso professor dizem: ” eu é que sei o que é melhor para o meu filho”, “ele não tem nada disso, vocês é que não sabem ensinar…” ou “façam mazé o vosso trabalho que é para isso que vos pago”.

Os pais não deveriam ser especialistas em perceber aquilo que é melhor para os seus filhos? Afinal… quem é que anda a chumbar quem? Quem é que anda a hipotecar futuros? Os professores ou os pais?

Poderão um dia os filhos processar os pais, com efeitos retroativos, por o seu futuro lhes ter sido “roubado” de forma tão descarada?

A soberania dos pais é legítima, é soberana, mas a sua soberania só existe pela defesa dos seus filhos. Os filhos não são propriedade pessoal de irresponsáveis e negligentes.

E já que estamos a começar um novo ano letivo, lembro vossas excelências que têm obrigações a cumprir e que a escola não é um mero depósito. Cumpram-nas!

Incumprimento dos E.Educação-page-001

4 COMMENTS

  1. Contributo absolutamente simplista! Quantos dos que “ensinam” têm, de facto, formação didática e pedagógica? Quantos?!

    • Dedicado a alguns pais… certamente não são os que se preocupam em ler assuntos sobre educação. E estou a falar de situações reais. Não estou a inventar nada.

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