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“Quando for grande, quero ser professora!”

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Recebi um pequeno texto de uma aspirante a professora que naturalmente publico. Nele é possível constatar o sonho pelo qual muitos de nós ambicionámos ser professores. O ato de ensinar é viciante, quase como uma “droga” que não sai do nosso sistema. A Jéssica “sofre” do mesmo mal que todos nós sofremos, porém, se o seu futuro for mesmo a docência, a realidade dar-lhe-á uma chapada valente, quando constatar a indisciplina, a burocracia, o modelo de gestão, a municipalização, as ultrapassagens e a dolorosa obrigatoriedade de saltar de um lado para o outro durante alguns aninhos…

Boa sorte futura colega 😉


  Pelos Professores, pela Educação

Chamo-me Jéssica, tenho 21 anos e frequento um curso superior na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Sou aspirante a professora… Um pouco peculiar, não é verdade? Sou questionada diversas vezes o porquê de querer seguir esta área. Hoje, escrevo este texto para todas as pessoas que, até ao momento, me dão justificações, argumentos, opiniões para não e passo a citar: “cometer esse erro”, ou seja, para não seguir a vertente do Ensino.

Caros leitores,

Numa fase em que Portugal se encontra em «guerra» entre Governo versus Professores é importante deixar escrito, do ponto de vista enquanto aluna, a importância de continuar a seguir o legado daqueles que um dia, e durante anos, nos orientaram e ajudaram a adquirir todas as bases e conhecimentos a que fomos expostos todos estes anos de escolaridade obrigat­ória, e não só.

Ora bem, comecemos pelo básico: como é que seria um mundo sem professores? Uma pergunta tão simples mas ao mesmo tempo bastante complexa. Imaginem um mundo sem aprendizagens, sem conhecimentos, sem conceitos. Um mundo onde ninguém soubesse expressar-se através da oralidade e/ou da escrita, onde teríamos dificuldade em compreender as necessidades daqueles que nos rodeiam e como satisfazê-las. Imaginem um mundo onde tudo deixaria de ter e fazer o seu sentido: os sons, as ações, as palavras, as expressões. Gostariam de viver num mundo assim? Eu não.

Os professores contribuem todos os dias para que um dos pilares-base da nossa sociedade – a Educação – continue a funcionar corretamente. Não é preciso lembrar que eles trabalham fora de horas, por outras palavras, ser professor não é só ir à escola, dar aulas e ir embora para casa para no dia seguinte voltarem e fazerem o mesmo. Há aulas a planear, conteúdos a lecionar, avaliações a fazer, reuniões a frequentar… horas de trabalho que não são pagas.

Entristece-me profundamente saber que ainda há pessoas que desvalorizam cada vez mais esta profissão, que continuam a insistir que “os professores têm muitas férias e trabalham pouco”. É uma verdade fictícia e completamente errada; quem diz disso está a dar um tiro no escuro. Por isso, quando for grande, quero ser professora! Quero dar continuidade à luta daqueles que guiam e ajudam, em todos os aspetos, milhares de mentes brilhantes, nós, os seus alunos. Quero ser o que eles são: uns verdadeiros heróis. A todos eles, deixo o meu obrigada.

E para concluir, deixo-vos esta pergunta de reflexão: como seria dedicarem a vida inteira a uma profissão e, de repente, tirarem 9 anos, 4 meses e 2 dias da vossa carreira?

Jéssica

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