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Qual é o seu clube? Meu Filho Sport Club.

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Quando ouço alguns pais em assuntos relacionados com a (in)disciplina, ao fim de um ou dois parágrafos, consigo constatar para que lado vai pender a conversa e qual a estratégia que tenho de utilizar para levar a água ao meu moinho. Após algumas palavras, alguns pais não se aguentam e sacam da sua bandeirinha e cachecol, apoiando o seu clube do coração, o “Meu Filho Sport Club”.

O amor paternal, é tão ou mais intenso que a clubite aguda de que muitos portugueses sofrem com orgulho. Estes pais, por muito que constatem a realidade, descrita ao pormenor, provada e comprovada, conseguem visualizar algo que não existe, tal e qual o lance polémico do penálti mal marcado, mesmo que visto e revisto em slow motion e amplificado até ao último pixel. “Não é penálti” ou “o meu filho não bateu em ninguém” tem mais parecenças do que aquilo que aparenta…

Algo que acho particularmente fascinante, é quando o “adepto” pai, critica o desempenho das equipas adversárias (restantes colegas/professores/direção) e mais tarde quando a “derrota” bate à porta do seu clube, já não é capaz de constatar o óbvio, justificando-se com tudo e com todos para o fracasso evidente.

Mas por mais estranho que vos possa parecer, eu até acho isto minimamente normal, provando, embora de forma exagerada, que os pais amam os seus filhos e querem protegê-los a todo o custo. Convém realçar que os filhos são o bem mais precioso dos pais, e ouvir críticas aos seus filhos, é normalmente meio caminho andado para uma defesa aguerrida, com entradas a pés juntos se necessário for. Por isso é que as reuniões, com e entre encarregados de educação, podem correr muito mal, pois a partir do momento que começamos a apontar responsabilidades aos “clubes” do coração, saltam imediatamente as bandeirinhas, os cânticos surgem, o efeito grupo tolda o senso, e a interrupção de jogo torna-se uma realidade, alegando o árbitro professor manifesta falta de condições.

Os professores têm que ser extremamente inteligentes na forma como lidam com os pais, se por um lado queremos que estes estejam do nosso lado, também é verdade que queremos que eles constatem a realidade, mantendo os seus cachecóis e bandeirinhas do coração.

E depois temos os que nem gostam do jogo, nunca gostaram e raramente vão ver os jogos. Para esses, é indiferente se o seu (?) “clube” ganha ou perca, pois a vitória está sempre garantida… Como? Fácil… pertencem ao clube ” o meu filho só serve para me dar subsídios”… E esses sim são o grande problema…

Alexandre Henriques

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