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Público | Para que a escola não seja uma “catedral do tédio” é preciso que os alunos contem.

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dormir na aulaExcelente a reportagem do jornal Público e da sua jornalista Clara Viana que fez algo que todos, TODOS devíamos fazer – ouvir os alunos. Desde o Ministro da Educação que tão bem fez  a sua volta a Portugal para ouvir diretores e professores como estes que tão bem falam entre si ignorando sistematicamente aqueles que para os quais tanta conversa é feita. Os alunos, até mesmo os mais insurretos merecem ser ouvidos. De que adianta tanto ferro forjado nas caldeiras ideológicas quando não somos capazes de simplesmente ouvir. Há muito que defendo conselhos de alunos com peso nas escolas, que debatam de forma regular com seus diretores e professores o quotidiano escolar. Ouvir, integrar, é motivar, é ter alunos que sintam que a escola também é deles em vez de meros recetores de saberes.

A escola mudou, os alunos mudaram e a vertente psicológica do aluno precisa de estar na linha da frente, é preciso “manipulá-lo” no bom sentido da palavra para obtermos resultados. Haja vontade e humildade de quem pensa e implementa, e acima de tudo, haja autonomia, haja liberdade!!!

Fica o link da reportagem e as ideias chave.

Para que a escola não seja uma “catedral do tédio” é preciso que os alunos contem

Missão impossível? “Se outros países já o fizeram, nós também podemos, embora isso signifique uma grande transformação do ensino em Portugal”,

“Estou um pouco desanimada”, desabafa Daniela Guilherme a propósito da sua experiência escolar. “Não temos voz nas aulas e devíamos ter. É uma das formas de expressão mais importantes, mas nós só escrevemos. Existe muito pouco diálogo entre alunos e professores e a confiança é assim quase nula”.

Tal como estão, “as escolas tornam-se, para inúmeras crianças e adolescentes, verdadeiras catedrais do tédio”, alerta Ilídia Cabral, docente da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa… E isto acontece, frisa, porque se “ensina hoje como se ensinava há 200 anos”, seguindo uma estrutura construída com o advento da Revolução Industrial e que se traduz num “modelo de organização escolar padronizado, de inspiração fabril, do tipo linha de montagem, que permitiu às escolas darem o mesmo a todos”.

“O ensino está a querer fazer de nós máquinas. Somos obrigados a estar mais horas na escola, a estudar mais matéria, o que só nos provoca mais stress

Ela frequentou duas escolas profissionais, onde tirou um curso de animação digital. “Não tive professores a debitar a matéria. Mesmo a Português, tive uma professora que nos deu a matéria de forma tão apelativa, que ainda hoje a sei.”

Qual foi o segredo? “Primeiro de tudo deixava-nos à vontade e depois procurava sempre adaptar as aulas aos objectivos do curso, propondo-nos, por exemplo, que fizéssemos uma peça de teatro ou um vídeo a partir de excertos dos livros que são obrigatórios no 12.º ano.

Usem as novas tecnologias nas aulas, que é o que nos mantém atentos.

Há que repensar os currículos, as metas e os manuais escolares”, defende, para acrescentar de seguida: “Porque não diversificar os currículos, dando algumas opções aos jovens de acordo com os seus talentos, as suas competências, as suas aspirações futuras? Porque não promover e privilegiar a interdisciplinaridade e o relacionar de conhecimentos através de projectos e outras actividades?”

“Os currículos são demasiados rígidos. Cada aluno deveria ter um plano curricular [escolha de disciplinas] baseado nos seus interesses e talentos, corrobora o aluno do Politécnico de Leiria, Manuel Magalhães.

Em vez de estarmos sempre a ouvir um professor, devíamos ter autonomia para também descobrirmos por nós próprios.

Os professores estão transformados em burocratas do cumprimento de metas curriculares que parecem listas de compras mensais no hipermercado e não investem na relação interpessoal com os alunos por falta de condições, mas também por excesso de autocomiseração, desfiando sistematicamente queixas sobre tudo e todos, a começar pelos alunos”, critica Jorge Ferraz, que pertenceu à direcção da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas Baixa-Chiado, em Lisboa.

Já para Ricardo Montes, que lecciona em Trás-os-Montes, há uma condição prévia sem a qual não se conseguirá alterar a relação que os alunos têm com o ensino e que, segundo ele, não tem sido acautelada pelo poder político, bem pelo contrário: “A primeira forma de tornar mais atractiva a escola aos alunos passará por essa mesma escola conseguir motivar os professores. Sem professores motivados, dificilmente teremos alunos que o estejam.”

1 COMMENT

  1. Essa conversa de que a escola dos nossos dias é a mesma de há 200 anos atrás é paleio para idiotas… Assistimos a uma espécie de ofensiva à Escola Pública:estas invectivas vêm muito de uma determinada instituição do Ensino Superior, privada, confessional, que faz consultadoria, e que parece adivinhar alguns belos negócios…
    A nossa Europa continua a viver num conto de fadas: preocupada com cãezinhos; adolescentes angustiados com o ”bué” de antigo do Camões, e outras questões relevantes para a condição humana… Entretanto o Mundo há-de bater-lhe à porta… Ah, já agora, na pausa da digitação, reflictamos : a vida para estes meninos, que vivem ligados numa realidade virtual, não se adivinha fácil… e no final desta ” porra” morre-se!

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