Início Editorial Prova de Aferição de Expressões | Que resultados? Que fiabilidade?

Prova de Aferição de Expressões | Que resultados? Que fiabilidade?

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Ainda não os conheço, mas depois de ter analisado todo o processo, fico com sérias dúvidas que os resultados correspondam à real valia dos alunos.

O motivo é simples e respondo já com uma pergunta. Acham normal um aluno saber as perguntas de uma prova de Português, Matemática, História, etc, antes de realizar a dita?

Pois… foi o que aconteceu nas provas de Expressões do 2º ano.

O mérito ninguém o tira, quer o vídeo realizado, quer toda a preparação para uma prova inédita a nível europeu merece, sem ironias, o reconhecimento da dedicação e da valorização das Expressões. No entanto, tal como foi dito, ser o primeiro tem destas coisas e seguir em frente sem analisar o que aconteceu seria um grande erro.

Em jeito de provocação pergunto-vos, o que é que aconteceu umas semanas antes da prova de aferição de Expressões? E o que é que está a acontecer depois da prova?

O que acontece em qualquer exame, de qualquer ciclo de ensino… Alunos e professores entram em modo “militar”, treinando com insistência para o momento. E como as perguntas eram conhecidas, quando os holofotes se acenderam, o espetáculo correu sem sobressaltos.

Aferir é aferir, é saber o que os alunos sabem sem alterar a prática diária das escolas. Infelizmente, o que nós vamos aferir, é o resultado do muito treino realizado nas semanas anteriores, tal como agora estão a ser treinados para as provas do mês que vem.

As exames, as provas de aferição dão sempre nisto. Uma febre pelo resultado, resultado esse que (in)diretamente é a imagem do trabalho do professor e dos seus alunos. E ninguém gosta de ficar mal na “fotografia”…

Gostava muito de ver uma prova de aferição surpresa, com desconhecimento total das perguntas. Que melhor forma de conhecer a realidade?

Mas como não gosto de criticar sem apresentar alternativas deixo duas ideias para o futuro.

1ª Proposta

Alunos e professores, não devem ter acesso às questões/exercícios antes da prova, mas podem ter acesso ao conteúdo que será avaliado. Por exemplo, ao avaliar o conteúdo “Equilíbrio”, ninguém tem de saber que o exercício será em cima de um banco, em que o aluno só terá um pé no chão e que tem de manter a posição por “x” segundos.

2ª Proposta

Alunos e professores, teriam acesso a uma bateria significativa de questões/exercícios, que englobassem todos os conteúdos desse ano e dos quais seriam escolhidos apenas alguns para a prova. Tal iria obrigar, ao já obrigatório cumprimento dos programas e acima de tudo, de forma continua.

Estamos melhor agora do que no ano passado, é verdade, mas o caminho ainda agora começou…

Alexandre Henriques

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5 COMENTÁRIOS

  1. Alexandre Henriques está a suspeitar, ou sabe, que os resultados não serão propriamente os que mais agradariam a certos lobbys? Vociferaram , de modo bastante indicioso, contra os colegas do 1º ciclo e agora os argumentos sairão furados pelos resultados da prova???
    Sabe , um filho de um colega fez a bendita prova… A colega de Educação Física que aplicou a dita, em parceria com um colega do 1º Cicl… ia cheia de certezas e propôs-se aplicar a sebenta com um rigor prussiano , para provar, como foi lendo e ouvindo, que as criancinhas nem saltavam ao pé-coxinho…
    O problema é que os petizes eram como lebréus e tiveram, desde a pré, até aos dias que correm, um excelente professor de Educação Física… Estão estas ditosas crianças numa turma mista (2º ano e 3º ano) e, o titular de turma, que até tem formação em Educação Física, poucas aulas deu de Expressão Físico-Motora, articulando o programa com o colega das AEC… E faz muito bem!
    As realidades são muito diferentes, os programas curiculares duros e extensos, e é possível encontrar boas soluções, dentro ou fora do tempo letivo… o que não devemos é interpretar a realidade segundo as nossos interesses e com ideias preconcebidas…

    • Interesses??? Realidades??? Veja o que diz as principais associações de Educação Física e pergunte aos colegas do 1 ciclo se o que digo é mentira…

  2. Eu, professora do 2 ano, não treino alunos para os testes nem exames. E garanto q os meus alunos não tiveram um mínimo de conhecimento do que tinhan de fazer. Não generalize se faz favor.

    • É um artigo de opinião, não tem fundamento cientifico como é óbvio, baseia-se na minha realidade sustentada por aquilo que vejo e leio…

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