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Prós E Contras De Uma Greve Prolongada Ao 12º Ano E Avaliações Finais

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A plataforma sindical está a ameaçar com uma greve ao 12º ano de longa duração e a não atribuição de classificações no final do período.

Arrumemos já a questão das classificações no final do 3º período, com as recentes alterações, o boicote às reuniões de avaliação não passa de um bluff. Os professores sabem, os sindicatos sabem e o Ministério da Educação também sabe.

Houve uma oportunidade, mas ela morreu, já foi…

Sobre uma greve prolongada ao 12º ano, deixo-vos algumas considerações para reflexão.

Vantagens:

  • O impacto seria esmagador e colocaria uma forte pressão no Governo;
  • Teria a vantagem de manter acesa a chama da recuperação do tempo de serviço, num ano em que nenhum partido quer ficar mal na fotografia em virtude das legislativas;
  • Os custos para os professores seriam reduzidos, pois como se provou na última greve às avaliações, os estragos podem ser elevados e com pouco dinheiro gasto.

Desvantagens:

  • Não acredito que os professores, ou grande parte deles alinhe nesta ideia. Os professores têm um elevado sentido de responsabilidade e já mostraram no passado que prejudicar os alunos desta forma não é do agrado de muitos;
  • Uma greve prolongada no final do ano pode levar a um prolongamento das aulas até julho, podendo até afetar as férias de alguns professores e inevitavelmente os exames;
  • Uma greve tem obrigatoriamente de ter impacto, mas há que ponderar o preço desse impacto. De nada adianta se a sociedade em geral ficar contra os professores, pois apenas dará força ao Ministério da Educação e ao Primeiro-Ministro.

Louvo a proposta sindical de querer sair da “caixa” e apostar em algo diferente, algo que falo desde novembro e que o Diário de Notícias faz citação (ver em baixo). Mantenho a opinião que seria mais vantajoso comprometer o início do próximo ano letivo, pois o preço a pagar com a estratégia apresentada é muito elevado, quer para alunos, quer para a nossa imagem enquanto professores.

Um início do próximo ano comprometido, seria um rude golpe para o Governo pois cairia em cima da campanha eleitoral. Além disso, se a recolha de fundos começasse já e fosse divulgada de “x” em “x” dias, a ameaça ia aumentando e a pressão também.

Quanto aos alunos, uma coisa é uma greve no início do ano que permite recuperar ao longo do ano, outra coisa é mesmo no final, onde a margem é nula.

Pensem bem antes de decidir alguma coisa, basta de tiros nos pés!

Alexandre Henriques

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Um movimento gerado na blogosfera

A ideia é discutida há algum tempo nos blogues especializados de professores. Num post do final do ano passado, a propósito das negociações sobre o tempo de serviço, um dos autores do blogue Com Regras apontava para uma greve de um mês no início do próximo ano letivo – que já defendia “ainda antes de ouvir o que os enfermeiros pretendem fazer” – com recolha de fundos, sensibilizando a população em geral, mas principalmente canalizando uma percentagem da quota sindical para esse fundo.

“Ainda recentemente apresentei a proposta que as quotas pagas pelos professores aos sindicatos deveriam incluir uma percentagem para um fundo de greve“, argumentava em novembro Alexandre Henriques, do Com Regras. Embora realce ainda não ter participado em nenhuma, Arlindo Ferreira, diretor escolar e autor de um dos maiores blogues da Educação (o Arlindovsky), admite que já hajam discussões sobre formas de crowdfunding nesta área.

“É um movimento que tem ganho força na blogosfera, uma contestação que ainda não é organizada, mas que tem feito chegar aos sindicatos apelos variados nesse sentido”, reconhece João Dias da Silva, que, tal como os seus congéneres, diz que a solução para este problema passa pela abertura de negociações por parte do governo. Ideia reafirmada por Mário Nogueira, que deixa ainda um alerta pré-eleitoral: “Isto é um sério aviso ao governo, que não pense que fazer greve aos professores dá votos. A experiência de um tempo anterior, do tempo de José Sócrates, não vai nesse sentido e deveriam aprender.”

 

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