Home Editorial Proposta para a falta de professores. Incentivar e bonificar!

Proposta para a falta de professores. Incentivar e bonificar!

Arranjar sucedâneos menos qualificados. Desqualificar a profissão. Se fossem médicos não aceitavam curandeiros mas, na educação, já se veem nas redes sociais recém-alunos com o 12º ano de cursos profissionais a perguntar se podem concorrer a horários de TIC.

701
0
A falta de professores grassa.
O governo já pondera a medida clássica …. “Faltam parafusos certificados para pôr na máquina, compram-se parafusos não testados”.
Porque é assim que o Governo (este e os outros) veem o sistema de contratação em horários completos ou incompletos, anuais ou de substituição. Uma máquina em que os professores são os parafusos que manipulam e trocam. Nas minhas metáforas organizacionais, que eu não digo paradigmas, prefiro metáforas orgânicas e mais sistémicas, porque há vidas metidas no sistema.
Numa profissão exigente, tendo alienado os profissionais, que não aceitam colocações em exploração laboral, o que o governo prospetiva como solução é aligeirar os critérios de seleção e prescindir de arranjar profissionais.
Arranjar sucedâneos menos qualificados. Desqualificar a profissão. Se fossem médicos não aceitavam curandeiros mas, na educação, já se veem nas redes sociais recém-alunos com o 12º ano de cursos profissionais a perguntar se podem concorrer a horários de TIC.
E assim faremos, a brincar, a transição digital.
Eu encararia a emergência de outra forma.
O Governo não quer gastar dinheiro. O que há, vai para bancos e outros “investimentos”.
A educação tem a “infelicidade” de ser um setor em que se gera pouca corrupção e, por isso, o aumento de fluxos de dinheiro orçamental interessa pouco a quem, em cada aumento de orçamentação, pensa na sua parte….Houvesse negócio para os lobbies nas escolas da periferia de Lisboa que estão sem aulas. Fosse um maná de corrupção ou um banco a precisar de ajeitar o balanço e choveria dinheiro. Assim, é o reino do “mais por menos”. (E já sei vou levar bocas pelo pouco apreço geral por ironias)
Mas, mesmo sem muito dinheiro, pode fazer-se alguma coisa. O ideal era aumentar salários e, acima de tudo, corrigir as injustiças de contagem de tempo de serviço e de descontos para a segurança social.
Mas há outras soluções de curto prazo para a emergência. A mais urgente é acabar com a normatravão. Revelou-se uma forma injusta e, acima de tudo, intelectualmente limitada, de pensar, mesmo para os interesses públicos envolvidos.
A solução justa e ao serviço do interesse público é criar uma norma nova, retornando a algo similar ao que havia no tempo em que eu e os da minha geração acederam ao QZP: um tempo de serviço mínimo obtido por acumulação e não só com horários completos (no meu tempo eram 1095 dias) para concorrer ao QZP, obrigando a candidatura nacional. E garantia de vagas para todos ao fim de certo tempo desde que concorram. O modelo da norma travão é do setor privado e, em funções públicas, o “privatismo” nas relações laborais dá mau resultado. Como se vê.
No meu tempo era mau, mas qualquer horário dava tempo para chegar ao quadro.
Ao categorizar os horários, em horários que dão para ir para quadro e horários
“menores”, o Governo fabricou em seu prejuízo a falta de professores, antes do tempo de ela se manifestar pela demografia.
Mas, no imediato há coisas que se podem fazer. Por exemplo, em Janeiro, quando começar a preparar o concurso do próximo ano, o Governo pode publicar um mapa de concelhos carenciados de professores onde, ao concorrer e aceitar colocação em horário de substituição, se dará aos docentes mais tempo de serviço (por exemplo, uns 50% mais até ao limite dos 365 dias e com garantia de 20% de bonificação, se atingir em serviço efetivo aos 365…ex: um mês em substituição passa a valer em tempo para concurso, reforma e descontos em tempo mais 50 %, e se fizesse um ano inteiro em substituição, tinha mais 2 meses).
Um professor que faça meio ano em substituições não ganharia mais e não custaria mais, mas poderão alguns aceitar, por opção livre e esclarecida, o impulso à carreira.
Uns aceitariam, outros não, mas quem concorre faz escolhas.
É urgente pagar mais e melhorar a carreira mas, com isto, talvez o problema se minorasse.
E solução atamancada por solução atamancada é melhor tentar seduzir os profissionais que recusam, que ir buscar amadores por abstenção de ação.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here