Início Editorial Proposta: Enviesar As Provas De Aferição

Proposta: Enviesar As Provas De Aferição

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A ideia não é minha, mas até me parece uma boa ideia!

Se há assunto em que os professores são unânimes é este, a inutilidade das provas de aferição.

Com os exames havia quem os defendesse e conseguisse um bom argumento para o fazer e quem não defendesse e conseguisse igualmente um bom argumento para o fazer, mas esse não é o caso das Provas de Aferição.

Na realidade, eu não conheço um único professor que defenda as provas de aferição. Claro, não conheço todos os professores portugueses, mas se há algum que esteja a ler e as defenda que entre em contacto comigo e sobretudo argumenta a sua defesa!

Perante isto, hoje em conversa com umas colegas, diziam, devíamos era indicar as respostas corretas a todos os alunos, facilitaríamos a nossa vida e a dos professores corretores…

e não é que me pareceu ótima ideia!

Uma prova que ninguém valoriza, que não conta para nada, igual para todos, quando todos são diferentes, sejam escolas sejam alunos, sem pés nem  cabeça!

Fico deveras confuso quando se pede a autonomia pedagógica, se trabalha a flexibilização dos currículos durante o ano inteiro, mas no fim todos serão avaliados pela mesma bitola, os professores, claro!

Não nego a importância de aferir as aprendizagens dos alunos, até porque há um currículo comum, mas não creio que esta bitola seja a mais correta de o fazer.

Que tal debatermos, nas escolas, entre os especialistas do terreno, os professores, em formas de o fazer?

Enquanto isso não acontece a ideia é enviesar as atuais!

Alberto Veronesi

 

 

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6 COMENTÁRIOS

  1. Tempo perdido e dinheiro mal gasto! E ainda por cima em época de aulas com testes a decorrer, avaliações a ponderar, reuniões de avaliação…” SOMOS PAU PARA TODA A OBRA” E FAZEMOS TUDO O QUE NOS É PEDIDO SEM RECLAMAR. ESPERO QUE CONTEM QUE SÓ PODEREMOS CORRIGIR AS PROVAS APÓS O TÉRMINO DAS AULAS OU PAGAM- NOS HORAS EXTRA?

  2. Como justificar uma ausência ao trabalho no dia de aferições – vigilância de provas ou no dia do seu levantamento para correcção… ?
    Creio que de acordo com o estatuído na Lei Geral do Trabalho Em Funções Públicas…certo?
    Pois que o Estatuto apenas obriga ( e já é demais) a justificar com atestado médico (entre outras 9 razões explicitadas) ausências a reuniões de avaliação (o que, neste caso, deixou de fazer sentido tal exigência pois que basta a presença de 1/3 dos docentes numa reunião que a tutela assume como meramente administrativa…) e a serviço de exames…

    Ora, como bem, evidencia a tutela…isto não são exames nem tão pouco têm qualquer tradução na aprendizagem ou na avaliação dos alunos para além de lhes roubar (a eles e aos outros que não as realizam) tempo de aprendizagem… sendo que fantasticamente ninguém vem reclamar com o direito dos miúdos à aprendizagem e à efectiva avaliação com seriedade… mas, enfim…o que movimenta muitos papás com a defesa dos “direitos” dos jovens é coisa que não me preocupa que descendência minha, felizmente, há muito que deixou esta bosta que se vem impondo…

    Volto ao que me interessa… após o saque, o gozo e a humilhação a vamos sendo sujeitos:
    – Não levantar provas de aferição poderá ser justificado no âmbito da qualquer das disposições que funcionam para qualquer funcionário público, de qualquer corpo, desde que regulamentos específico não imponham de modo diferente… logo, qualquer alínea do art. 134 º da LTFP, certo?

  3. Caro Alberto Veronesi, autor do texto desta publicação… Espero ver publicada esta minha opinião. Sei que não passa de uma opinião mas… aqui vai ela.
    Em primeiro lugar, permita-me que LAMENTE esta PROPOSTA. E muito mais num blogue que tenho como de considerar… E tenho que discordar, veementemente. DISCORDO com TODAS as LETRAS…
    Uma coisa é estar contra uma prova… E eu estou contra pela inutilidade que atinge a quase unanimidade… Outra é cometer FRAUDE. E, como professores é inadmissível que se incentive ou promova, nem por brincadeira, semelhante prática.

  4. Caro, Joaquim Ferreira, está no seu direito discordar, se não conseguiu entender a carga de ironia na proposta só tenho a lamentar! Seria, sim, o que merecia quem as inventou, no formato que inventou, mas o profissionalismo das professores portugueses é conhecido!

    O post vem no seguimento de um outro que escrevi que apontava toda a inutilidade das mesmas…
    Desde que argumente, não atacando a pessoa mas o conteúdo, com respeito, não deve recear a não publicação dos seus comentário. Se forem ofensivos e de ataque pessoal, sim, bloquearei todos porque a minha liberdade termine no início da sua e vice-versa!
    Cumprimentos

    • Caro Alberto. Uma vez mais lamento discordar… Escrevo cvom muita ironia com coisas sérias mas as marcas por lá ficam. Neste caso, não é um problema de “conseguir entender a carga de ironia”. É que o texto anda à volta do mesmo! Até porque acaba retomando a sua proposta. O texto é claro. Ironia, sim… aparece alguma! Mas, no meio mas… volta ao mesmo e acaba com uma proposta: “Não nego a importância de aferir as aprendizagens dos alunos, até porque há um currículo comum, mas não creio que esta bitola seja a mais correta de o fazer. Que tal debatermos, nas escolas, entre os especialistas do terreno, os professores, em formas de o fazer? Enquanto isso não acontece a ideia é enviesar as atuais!”.
      Ou seja, propõe que, até que nada mude, se discuta “enviesar as atuais””. Por isso, creio que se pretende ironia, não o conseguiu. Pode-se fazer ironia… mas há que saber expressá-la. E o que tem aqui escrito… não! Não é ironia. O que escreveu foi uma proposta! E deveria “corrogir”… penso eu! Por vezes, não há melhor maneira de seguir em frente (apra manter a dignidade) do que dar um passo atrás!

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