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Proposta De Alteração Do ECD (2ª Parte) Via DeAr Lindo E O Pai Natal Que Já Não Existe

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As reações à 1ª parte da proposta do Arlindo de alteração ao ECD, dão a clara sensação que não terão o crivo da maioria dos professores.

Pessoalmente, sou um dos que acredita que é necessário fazer alterações ao ECD, de modo a ultrapassar os 2 tampões em escalões intermédios, a probabilidade reduzidíssima de recuperar os 6 anos que faltam dos 9-4-2 e a necessária diminuição da carga letiva ao longo da carreira. Além disso, julgo pertinente um incentivo para a ocupação de cargos que a maioria dos professores foge como o diabo da cruz, não porque dar aulas não mereça ser valorizado, mas exatamente por certos cargos serem descarregados para os professores que têm sempre perfil, ou que acabam de chegar às escolas… E se não percebem o que eu quero dizer, então lamento, mas o meu filme de 18 anos de ensino não é seguramente o mesmo que o vosso…

Não, já não acredito no Pai Natal, não acredito que manifestações, greves, ILCs e afins, sejam suficientes para a recuperação daquilo que nos foi tirado. O ECD, a própria avaliação, terá de ser integrada num pack de negociação para uma hipotética recuperação de todo o tempo de serviço e eliminação dos tampões no 5º e 7º escalão, entre outras coisas.

Sim, vamos ter de abdicar de algo, pois a mais recente pirueta de António Costa, veio enfraquecer a força negocial dos sindicatos de professores e a futura conjuntura parlamentar não deve ser muito diferente da atual. É preciso reconhecer a realidade e entender que os ventos mudaram e os ventos estão claramente contra.

Não é o que eu quero, é o que acho que terá de ser feito, para não ficar de mãos a abanar com 2 anos e qualquer coisa e quiçá uma “porrada” de alteração do ECD à revelia dos professores. Estou a ser o mais sincero possível e acreditem que espero mesmo estar enganado.

Sobre a 2ª parte da proposta do Arlindo, julgo que esta será mais consensual. A redução da componente letiva é um bem que foi perdido pelos professores. A transição de carreiras salvaguarda as ultrapassagens, mas aqui considero que deveria ser dada a escolha aos professores de quadro, se pretendem ficar na atual ou na hipotética nova carreira.

Pessoalmente não acredito que estas propostas do Arlindo vinguem, a reação das pessoas a uma estrutura à parte para coordenadores de departamento, membros de direção, bem como a eliminação do último escalão, penalizando assim os professores mais graduados, levará a um chumbo transversal, pois nestas coisas do dinheiro, todos olhamos para os nossos umbigos.

Enquanto professor de 2º escalão, agrada-me naturalmente uma valorização dos vencimentos de professores em início de carreira, mas também por constatar que os estudos internacionais apontam exatamente para ordenados baixos no início da carreira docente.

No geral, é uma proposta que merece análise, que pode ser melhorada, mas que não deve ser desprezada.

Deixo-vos com os links das propostas para vossa análise.

Estrutura da Carreira – Primeiro Artigo

A Redução da Componente Letiva no Ensaio de um Novo ECD

A Transição Entre Carreiras

Nota: estou farto de má educação e ainda por cima vinda de professores! Não se justifica e sinceramente até pensei em não escrever nada, pois os carimbos que colocam às pessoas que tomam a iniciativa de apresentar as suas ideias publicamente é revelador de fraca memória e de uma intolerância à liberdade de expressão. Li coisas que não vou aqui repetir, li coisas impensáveis, provando que nas redes sociais é quase impossível debater com a necessária elevação e responsabilidade.

O Arlindo e já agora esta casa, já provaram por inúmeras vezes estar na Educação com o intuito de a valorizar e defender os direitos dos professores. Não sou seu advogado de defesa, nem o Arlindo precisa, mas julgo que só nos fica bem respeitar alguém que já ajudou milhares de professores ao longo de mais de uma década.

Opinem, mas respeitem caramba!

Alexandre Henriques

5 COMMENTS

  1. Subscrevo o seu comentário indignado, colega.
    Há professores que não demonstram mercer o que outros fazem por si. As greves e manifestações nem todos fazem, mas quando há daí resultam consequências positivas, todos benefíciam… e, curiosamente não recusam a oferta!
    Enfim…

  2. O maior erro que, em minha opinião, os professores podem cometer é continuar a aceitar que o seu estatuto de carreira se limite à “guerra” em torno de facilitar ou dificultar a progressão tendo em conta as questões financeiras que lhe estão associadas. Um estatuto deve ter em conta a globalidade das exigências da profissão e a sua valorização social (organizativas, formativas, progressão/finaceiras, etc.). Ou seja, é preciso valorizar o que o atual estatuto despreza de modo a que se crie uma verdadeira carreira e não um simples processo de envelhecimento como atualmente existe. Permitam-me alguns exemplos.

    Neste momento a progressão está associada a estranhos processos de “avaliação”, envolvendo, entre outras coisas, uma formação contínua em que a oferta domina a procura (é a disponibilidade dos centros formadores que determina a oferta e não o que os potenciais formandos necessitam), com prazos totalmente artificiais (x créditos/ano x nº anos do escalão) e uma avaliação externa realizada por quem nunca trabalhou com o profissional e limitada ao processo de assistência a aulas. Ora, nós somos profissionais de avaliação e algo que sempre estranhei foi o conformismo com que se aceitou a confusão entre avaliar e selecionar. A exemplo de outras profissões, a avaliação do trabalho só pode ser feita por quem o conhece, por quem connosco trabalha, ou seja, tem que ser essencialmente interna. Eu sei que aqui surgem muitos colegas a gritar argumentos do tipo “eu não tenho preparação para isso”, “isso vai criar mau ambiente na escola”, etc. Salvo melhor opinião, estes argumentos são uma das causas da desvalorização da imagem do professor. Não passa pela cabeça de nenhum médico ser avaliado por um colega que nunca viu mais gordo e não conhece o seu trabalho. O problema é que nós aceitamos! E como compreender que se aceite que qualquer indivíduo esteja em condições de dar formação a professores e nunca se coloque a simples hipótese de ser o próprio professor a pessoa que, em determinadas circunstâncias, está mais habilitada para a dar, até àqueles que querem opinar sobre a Escola?

    Por outro lado, a progressão deve estar associada à possibilidade da experiência do profissional ser rentabilizada. Como? No acompanhamento de colegas em início de carreira, em atividades de apoio ao processo educativo (representante da Educação em CPCJ, por exemplo), em atividades de coordenação dentro e fora da escola (alguém duvida que, cada vez mais, o cargo mais importante dentro das escolas é o de diretor de turma?) em atividades de inspeção (como compreender que não seja exigida uma significativa experiência docente para alguém se poder candidatar a inspetor?). Deixo estes simples exemplos para reflexão.

    De facto, há injustiças que têm sido cometidas para com os professores e que se percebe que tenham dominado as suas preocupações. Mas arrisco dizer que, no conjunto de abusos de que têm sido vítimas, a história dos 9.4.2 está muito longe de ser a mais grave. Se de facto queremos discutir um novo Estatuto (e eu penso que seria muito importante), convém ter em conta apreciações mais globais ao todo complexo que está associado a esta profissão e maior cuidado com a imagem que damos de nós próprios.

  3. Boa Tarde
    Eu fui uma das pessoas que não concordei com a sugestão da nova carreira. Não pretendi ser mal-educada, não faz parte da minha maneira de ser, mas se fui peço imensa desculpa. Quanto à qualidade do blog não se questiona, o número de visitantes fala por si. Por isso, foi muito surpreendente esta nova proposta. Pessoalmente estou perfeitamente de acordo com a redução de escalões e que a carreira inicie num índice bem superior ao que está. No entanto, não devemos abdicar dos últimos escalões. A avaliação dos docentes é que tem de mudar, os excelentes e Muito Bons não estarem apenas dependentes de um diretor (sim porque a SADD é da confiança do diretor). Também concordo que o Diretor teve ter dois mandatos no máximo e que os docentes e o Pessoal não docente do Conselho Geral devem ter uma avaliação externa, porque como está não tenho adjetivos (ou não quero usá-los, melhor dizendo) para descrever a situação atual. Relativamente à redução da componente letiva esta não devia ser transformada em componente não letiva, mas apenas 50%, ou seja a permanência na Escola devia diminuir efetivamente. Assim, por exemplo um docente que tenha uma redução de 2h, 1h fica para trabalho na Escola, outra em casa.

  4. Atenção que aquilo que muitas escolas e ministério chama de horas não letivas são na realidade letivas.
    Dar apoio a alunos e coisas do gênero são atividades letivas com alunos.

  5. Sejamos claros: no programa do PS para as próximas eleições é usado um eufemismo para dizer o seguinte: vamos mudar a carreira dos professores para gastar menos dinheiro. Ponto! Tudo o resto é demagogia e conversa da treta! É dito no programa que o objectivo é tirar ”pilim” às carreiras da função pública! Estamos a brincar ??? Depois andam para aí uns quantos a brincar à construção de novos estatutos de carreira , ou seja, parece, não sou o único a constatar, que fazem uma espécie de encomenda assumindo que a redução de salários para a generalidade dos professores é uma inevitabilidade!!! Mas não é ! O que deviam estar a falar é em melhorar a actual carreira, mas não, o que estão a discutir é em piorar tudo e que os professores nem respinguem , porque , lá está, é uma certeza absoluta! E o que pretende o PS?
    Muito simples… acaba, talvez, com o tempo de serviço para progressão e introduz uma chamada progressão através do desempenho por grande mérito, excelência e « muita educação inclusiva … Alguns acham a ideia maravilhosa porque se julgam o alfa e o zénite da pedagogia, em geral… Quando lançamos para o ar uma ideia como esta” devem ser premiados os melhores” como podemos estar em desacordo???? É uma estratégia simples para que o burro aceite a albarda… Deste modo, parecendo que estamos a criar um processo de justiça elementar, restringimos, ou limitamos muito, a progressão na carreira a uma larga maioria e reduzimos de forma brutal os custos! Ou seja o objectivo primordial , e nisso o programa do PS é claro, não é melhorar o sistema mas simplesmente reduzir os custos…
    Ora um sistema desta natureza necessita de alguns capatazes de serviço na escola, tal como no tempo dos saudosos Professores Titulares, para fazer o trabalhinho sujo da avaliação dos meritocratas… Para isso prevejo, não é preciso grandes dons, uma remuneração privilegiada para uma minoria, aliás como alguns já estão a propor, que poderão ser os Coordenadores, a Direcção ou a criação de uma qualquer categoria à parte só para fazer este belo trabalhinho… Bem sei, e ainda para mais com o apelativo da remuneração, ou de uma progressão diferenciada, não faltarão ”boys” de mão para fazer o que é preciso…
    Falta ainda perceber o papel das Câmaras Municipais no meio de tudo isto… mas estou a ver os senhores Presidentes da Câmara a entrarem na brincadeira … o que tornará tudo ainda muito mais espectacular!!!
    O que dará em tudo isto? Uma progressão através do mérito, da Excelência? Claro que não … passarão a marchar na carreira, com muito mais facilidade, os ”lambe-botas”, os amantes de dossiers volumosos e das evidências espalhafatosas; os que fazem os mais belos espectáculos na sala de aula; os que alinham; os que estão sempre de mão dada com a verdade do momento… Todo este desiderato terá um efeito devastador nas releções pessoais da escola e irá intstar um clima de desconfiança generalizada nos agrupamentos , para além de uma objectiva domesticação dos professores para fazerem o que lhes mandam, na ténue esperança que os senhores que têm a varinha de condão das progressões não os penalizem! Este já foi um objetivo de Maria de Lurdes Rodrigues e que volta agora em força com os Humanistas Tiago Rodrigues , secretário de Estado Costa e companhia limitada…
    Deviam estar os chamados formadores de opinião a lutar frontalmente contra esta afronta e esta injustiça para uma larga maioria de colegas? Deviam! Mas alguns também se julgam predestinados, ou à beira de gamela, e parece quererem convencer os outros que o caminho só endereça para o abismo!
    Portanto se votarem, nas próximas legislativas, no grande centrão , PS, PSD, ou CDS, não podem dizer que não sabem com o que contam!
    P.S.- … É claro que não havendo dinheiro para uma mais que justa progressão na carreira dos professores não faltará dinheiro para pagar a Berardos, Magalhães e tabletes, Parcerias Público-Privadas ou formações ”atolambadas” em educação pós-moderna , altamente patrocinadas por Câmaras Municipais e acompanhadas com grandes berberetes e discurso inflamado sobre o combate ao insucesso…

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