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Progressos na luta contra o abandono escolar = aumento dos cursos vocacionais e profissionais.

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abandono escolarVou direto ao assunto, o aumento do ensino obrigatório até aos 18 anos de idade e a aposta forte em cursos vocacionais e profissionais, são na minha opinião, os principais causadores pela diminuição do abandono escolar precoce. Não deixa de ser positivo, que alunos em risco fiquem na escola em vez de enveredarem por caminhos menos claros. No entanto, o sumo que é espremido no final destes cursos, principalmente nos cursos vocacionais é pouco, muito pouco. Trata-se claramente de um meio de certificação compulsiva, que visa atingir objetivos europeus.

Este ano letivo até trouxe uma novidade, para combater as elevadas taxas de abandono/retenção do primeiro para o segundo ano, alterou-se a lei, impedindo a retenção no primeiro ano destes cursos intitulados vocacionais (a ironia do nome encaixa claramente na vertente humor negro…) ao abrigo de uma lógica de “pack” bianual…

É verdade que estes alunos precisam de ser recuperados, é verdade que temos um dever social para com todos os cidadãos e não podem existir alunos de 1ª e alunos de 2ª. O que me preocupa é aquilo que eu vejo todos os dias, não interessam as competências adquiridas, não interessam os conteúdos apreendidos, interessa sim a assiduidade, o comportamento e pouco mais… Numa política de claro desinvestimento, é impossível fazer melhor, como o próprio relatório indica, Portugal tem de apostar na educação e aumentar as verbas condizentes com essa aposta. Apostar na qualidade em vez da quantidade!

Não quero no entanto deixar de dar uma palavra a todos aqueles que diariamente combatem este flagelo, ignorando os seus horários, os seus vencimentos e muitas vezes a sua própria vida familiar. Sem eles, tudo isto seria muito mais difícil…

Fica um excerto do relatório e podem consultá-lo na integra aqui

De acordo com o relatório anual sobre Educação elaborado pelo executivo comunitário, o abandono escolar precoce em Portugal baixou 30,9% em 2009 para 17,4% em 2014, o quarto valor mais alto entre os 28 Estados-membros (apenas superado por Espanha, Malta e Roménia), acima da média comunitária de 11,1% e “ainda muito longe” da meta de 10% estabelecida ao nível europeu para 2020, aponta o documento.

Esta situação ocorre num contexto de cortes contínuos nas despesas com a educação, que, desde 2010, diminuíram 3,2% na Europa. O documento conclui que é necessário dar um novo impulso ao investimento na educação, a fim de criar sistemas educativos mais inclusivos na Europa e evitar aumentar a «pobreza educativa», que continua a ser uma das causas fundamentais do desemprego e da exclusão social. Recomenda aos Estados-Membros que centrem esforços na melhoria do acesso, da qualidade e da relevância dos sistemas de educação e formação.

1 COMMENT

  1. (…) Por outro lado, importa analisar o impacto que nestes resultados tem a forma como é gerida a avaliação interna nas escolas e a avaliação externa do MEC designadamente com a definição da dificuldade dos exames. Veja-se a oscilação de médias dos exames nacionais ao longo dos anos.
    Também me parece necessário ponderar o impacto que tem o “encaminhamento” de muitos alunos para vias vocacionais ou profissionais, que minimiza os níveis de abandono, minimiza os números das retenções mas não é garantido que faça subir os números do sucesso educativos e escolar.
    Neste contexto, julgo que importa alguma prudência no olhar para o significado real do abaixamento do abandono.
    http://atentainquietude.blogspot.pt/2015/11/menos-abandono-menos-retencao-mais.html

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