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profissão: estudante

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adptacaoOKEm tempos recuados, aquando da minha passagem pela escola noutra condição que não a de docente, sempre que me perguntavam a profissão respondia “estudante”. A circunstância de não fazer mais nada que não fosse andar na escola e, pelo menos pretensamente, estudar, colocava-me na categoria de estudante. O dicionário de língua portuguesa da Porto Editora define o conceito em função da «pessoa que adquire e/ou aumenta os seus conhecimentos em diversas áreas através da frequência de aulas num dado estabelecimento de ensino». Este conceito foi-se alterando e (re)configurando com o tempo e hoje, mais que a ideia de estudante é o conceito de aluno que prevalece, que domina as ideias. Por seu turno o conceito de aluno é visto enquanto «pessoa que recebe formação».  

Entre estudante e aluno há todo um tempo de diferenças que, apesar de uma aparente normalidade ou despropósito, faz toda a diferença. Uma primeira e essencial, de tão óbvia pouco se discute, passa pela assumida consideração que um e outro dos conceitos não são nem naturais, nem dados adquiridos. Um e outro, são construções sociais assumidas, que descrevem situações, rotulam e configuram uma normalidade e uma postura (individual) escolar. A sua reconfiguração e alteração vai em múltiplos sentidos. Sem desenvolver, normativo (veja-se o estatuto do aluno), cognitivo (o papel do aluno no despacho 13/2012), e simbólica (a ideia que se passa, a imagem que se transmite, as associações que se estabelecem).

Esta reconfiguração da denominação de estudante para aluno tem diferentes implicações – sejam elas na prática pedagógica, nas formas de relacionamento, no entendimento da ação individual ou na postura de quem a assume e/ou designa.

Desde logo enquanto ação. Estudante é uma pessoa que age por si, tem vida própria e que se descreve mediante a sua identificação social, estuda e, cultural ou institucionalmente, está associado a uma escola ou estabelecimento de ensino. Por seu turno, o conceito de aluno é passivo, recebe, não procura. Também do ponto de vista do docente, a diferença de conceitos serão de assinalar. No primeiro orienta, no segundo é referência.

Hoje o aluno é mais que um estudante por via da imagem que procura passar aos seus pares e no seu contexto. É ver e perceber aquele aluno, descrito por quase todos como balda, que se arrasta pela escola, disputa o protagonismo com colegas e desafia a paciência de todos, mas que não abdica daquela imagem que o rotula e classifica – de aluno. É vê-lo de mochila às costas, alinhada como se estivesse empenhado e interessado. è vê-lo entrar na sala de aula com a sua mochila que mais que um acessório acaba por ser um elemento identificativo da sua posição e da sua opção.  

Manuel Dinis P. Cabeça.

dezembro, 2015

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