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Professores viram as costas ao Ministério da Educação mas também aos sindicatos

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Não preciso conhecer os resultados da greve para saber os resultados da greve.

O problema não é novo e já ando há tempo suficiente nas escolas para “sentir” o seu pulsar, nomeadamente o pulsar dos seus professores.

Existe um profundo sentimento de desilusão e resignação que engoliu por completo a sentimento de revolta e raiva que por norma serve de alavanca para greves e manifestações. Mas mais preocupante que o sentimento em si, é o virar de costas ao Ministério da Educação e lamento dizê-lo, aos sindicatos, ou grande parte dos sindicatos.

Há quem julgue que estou contra os sindicatos, se estivesse não publicaria tanta informação sindical independentemente da sua proveniência. Os sindicatos são uma vitória de “Abril” e a maior proteção que temos contra os excessos de quem manda. Mas como ser pensante que sou e com olhos na cara, não posso omitir ou fingir que tudo vai bem na relação professor/sindicato. Não vai e a tendência não é, infelizmente, para melhorar.

Já o afirmei no passado e volto a reafirmar, é preciso refletir sobre as estratégias reivindicativas e renovar os altos quadros sindicais, principalmente aqueles que aparecem vezes sem conta nas televisões e que a população em geral já nem os pode ver/ouvir.

“Estão sempre do contra!”

“Estão sempre a queixar-se!”

São duas frases repetidas vezes sem conta por professores e não professores. O Ministério da Educação é astuto, já percebeu que a população não apoia os sindicatos de professores e nem mesmo os professores parecem estar ao lado dos seus sindicatos, pelos motivos que já anunciei. Este silêncio, este ignorar por parte da Tutela aos sindicatos dos professores é uma consequência direta da sua pouca relevância no seio dos “seus” professores. Não falo daquela fatia que permanece firme e hirta e vai a tudo o que é greve e manifestação (não é uma crítica, é uma mera constatação). Falo da maioria silenciosa, dos milhares de professores que fazem toda a diferença para o sucesso de uma greve/manifestação.

Lembram-se da greve dos 100 mil? O motivo foi simples, a raiva e revolta pelo insulto constante à honra de se ser professor por parte de Maria de Lurdes Rodrigues. Essa greve teve consequências efetivas, foi um momento alto da luta sindical.

As greves que recentemente foram marcadas, estão, desde o dia que foram anunciadas, condenadas ao insucesso. Comparo-as ao aluno que está sempre de braço no ar, a querer intervir não por saber mais, mas por querer aparecer, precisar de aparecer. É mais do mesmo, ou como se costuma dizer muitas vezes, “outra vez arroz”.

Repito, não estou contra os sindicatos, não sou candidato a nada, nem estou filiado a nenhum sindicato, estou apenas a refletir e a denunciar se é que o termo é correto, o sentimento que paira em muitas escolas portuguesas, em muitos professores.

Quanto ao Ministério da Educação, fica, perdão, continua muito mal na fotografia, pois demonstra uma postura altiva, ignorando a “plebe” que está a enfrentar não só as dificuldades que duram há anos, como também o vírus que está presente nas escolas.

O confinamento que o Ministério da Educação optou por fazer nestes últimos tempos, pode facilmente ser confundido como um ato de cobardia, escondendo-se no seu palácio dourado, ignorando quem grita do lado de fora, que precisa de ser ouvido e precisa de ajuda no “campo de batalha”. Ao menos que o Ministério da Educação servisse para ouvir os professores e seus representantes, nem que fosse para descarregarem um pouco da carga a que têm sido submetidos nos últimos tempos.

Não é essa uma das principais funções de quem lidera? De simplesmente ouvir, apoiar e incentivar?

Alexandre Henriques

Directores notam “pouca adesão” à greve convocada pela Fenprof

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1 COMMENT

  1. A imagem do Mário Nogueira está muito desgastada na opinião pública portuguesa e junto de muitos professores, basta olhar para as caixas de comentários às notícias com a sua pessoa, em que quem comenta só escreve para o destruir e chamar-lhe nomes, não comentando sequer a notícia. MN tornou-se também o ódio de estimação de muitos comentadores dos media, sobretudo os mais ligados à direita, que acham que tudo o que corre mal na educação é causado por ele. A maioria até é capaz de achar que MN tem conseguido satisfazer muitas da reivindicações quando isso não é verdade. Por outro lado as pessoas pura e simplesmente não querem saber dos problemas de algumas profissões ainda mais numa altura em que muitos se reduzem à ideia do “tens trabalho então não te queixes”. Os media e o governo também têm contribuído e muito para este alimentar de ódios contra classes profissionais e para criar uma opinião pública que não vê onde estão os problemas na educação, nem os valoriza! Como é que num ano em que tantos alunos estão sem aulas por falta de professores o ministro não está mais “queimado” e até consegue passar despercebido?!!
    Os sindicatos são essenciais mas no campo da educação nada do que se reivindica tem sido conseguido e existem certas injustiças que até parece terem sido motivadas por erros sindicais anteriores, como a questão das ultrapassagens na carreira criadas pelos reposicionamentos … Outra coisa que muitos professores não aceitam são as “tricas”, que se notam bem nas páginas dos grupos de professores em que os emissários da FENPROF muitas vezes entram em choque com os de outros sindicatos.
    Dito isto penso que os diversos sindicatos têm de optar por usar mais estratégias de imagem e até de marketing e de lobby nos bastidores. As greves nesta altura, quer a do STOP ou FENPROF não fizeram muito sentido! Por mais que todos os professores estejam descontentes com tanta coisa, temos a noção que não são as greves que resolvem e que apenas contribuem para queimar a nossa imagem. Mas a sensação que se tem é que os sindicatos terão uma agenda muito própria mais ligada aos partidos que os apoiam e à sua própria sobrevivência enquanto instituição. Um sindicato que ao longo destes anos deixou de se ouvir foi a FNE. Porquê?

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