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Professores Versus Médicos No Caso Das Agressões.

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Começo por desejar Bom Ano a todos os leitores.

O meu tema de hoje é fazer um cotejo entre o tratamento das agressões a professores e das agressões aos médicos.

No que se refere às agressões a professores a opinião pública e a imprensa já começa a apropriar-se deste fenómeno. Contudo, continua a faltar os poderes políticos intervirem. Houve uma intervenção do ministro que prometeu falar com a justiça para analisar o problema do ponto de vista de ser considerado crime público.

No caso dos médicos houve logo reação da ministra da saúde, que reuniu com a ministra da justiça e com o ministro da administração interna para abordar a situação. Não sei se na prática haverá mais do que estas reuniões, tanto mais que a medida de criar um gabinete de segurança, foi considerada pelos médicos e enfermeiros uma medida paliativa, mas pelo menos houve uma mensagem de preocupação do governo com os médicos. No caso dos professores ficou-se por uma promessa de analisar o assunto sem consequências ou reunião.

Esta diferença reflete o quê? Diferença de peso dos ministros, o facto de a saúde ser prioritária para este novo governo? Não sei responder e escolher uma hipótese, mas já nos habituámos (os professores) a ser insignificantes para o atual ministro, que nem soube aproveitar as reuniões das suas colegas da justiça e da saúde para se colar ao processo. Mais uma vez desperdiçou uma oportunidade de defender os professores.

Também podemos analisar as causas das agressões. Se descontarmos os comportamentos agressivos patológicos, na saúde as agressões são também um grito de desespero pelas horas de espera nas urgências ou da dificuldade em se ter consulta a tempo e horas. Talvez descarregando a frustração pela ineficiência dos serviços em quem dá a cara. Portanto, há aqui uma revolta contra as opções das escolhas governativas.

Já na educação o que está em causa é a super proteção dada aos filhos, a par de uma desvalorização social da classe docente, resultante de uma política deliberada e de uma educação facilitista, sem pôr recursos na resolução das dificuldades. O caso do anúncio de novos 2000 professores que na maioria vieram substituir colegas é paradigmática de uma demagogia por parte do poder político no setor da educação, que não quer resolver problemas mas varre-los para baixo do tapete por via administrativa.

Concluindo, na comparação entre o tratamento das agressões a professores e a médicos, ressalta que mais uma vez o ministro não está ao lado dos professores. Quanto às causas, se na saúde a falta de investimento afeta todos, na educação estamos perante uma opção política que retira estatuto aos professores pela via monetária – o caso do tempo de serviço por contar – e pela via educativa, tornando-os em executores (não seres pensantes) de uma política que desvaloriza o professor e o conhecimento, na medida em que procura soluções administrativas e não encara os problemas de frente disponibilizando mais recursos para se alcançar o conhecimento, embora procure passar essa mensagem com recurso à demagogia.

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