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“Professores vão ter de fazer reset daquilo que achavam que era ensinar”

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Ilídia Cabral considera que apesar dos desafios que o sistema educativo tem pela frente, esta é uma oportunidade de ouro para os professores repensarem o seu papel e o seu modo de ensino. Condições não técnicas para o ensino à distância não faltam. Falta um novo paradigma.

“Para mim este assunto está a ser abordado do prisma errado. O problema centra-se não na forma, mas no conteúdo. E o conteúdo tem a ver com o que é que nós queremos fazer com que os nossos alunos aprendam e como é que nós queremos fazer com que eles aprendam. Ou seja, o problema não fica resolvido escolhendo a plataforma A, B ou C para trabalhar com os alunos e aprendendo tecnicamente a trabalhar com essa plataforma. Esta questão do ensino à distância vai obrigar os professores a fazerem reset daquilo que a vida toda acharam que era ensinar”, explicou à TSF Ilídia Cabral.

Na opinião desta professora da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa, e coordenadora do Serviço de Apoio à Melhoria da Educação, as aulas à distância vão ter de obedecer a novas regras. Não é possível aplicar, nas novas circunstâncias, o mesmo método das aulas presenciais.

“Os alunos terão que ter menos aulas online e terão que se usar outras ferramentas de trabalho autónomo, de projetos integradores que os alunos possam fazer, que integrem, por exemplo, conteúdos disciplinares de várias áreas do saber e que possam fazer com que os alunos realizem aprendizagens integradas em vez de espartilhadas”, aconselha a professora.

Se o Governo não avançar com aulas presenciais no ensino secundário, Ilídia Cabral antevê que este é o ciclo em que pode haver mais dificuldades na adaptação a um novo regime de ensino.

“Quando queremos motivar os professores para um tipo de trabalho diferente, ou quando os próprios professores até sentem necessidade de trabalhar de um modo diferente, mais integrado, eles próprios estão sempre a colocar este obstáculo e esta barreira que os leva ao ensino para o exame, ou seja, sentem a responsabilidade de preparar os seus alunos para os exames nacionais e são normalmente muito avessos a ensaiar novas formas de fazer aprender, que não as mais tradicionais”, alerta Ilídia Cabral.

Ilídia Cabral não concorda com o adiamento do terceiro período, de modo a permitir o regresso de aulas presenciais. A investigadora da Universidade Católica considera que tal não constitui uma garantia de mais qualidade.

Fonte: TSF

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