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Professores trabalham mais de 46 horas por semana

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É das coisas mais estúpidas que existe atualmente nas escolas e que a atual Tutela aparentemente não tem intenções de mexer – o horário dos professores. Falo mais propriamente da questão dos 1100 minutos e 1500 minutos (1º ciclo) da componente letiva.

Na prática os professores não têm um horário fixo, é consensual e até os pais sabem disso. Os professores levam trabalho para casa e não é pouco, basta referir que um professor em média tem de corrigir entre 300 a 600 testes por período, fora a preparação de aulas e materiais. Não é preciso ser um génio para entender que a componente individual (trabalho em casa) dos professores não chega para as encomendas.

Se somarmos a isso, semanas como a atual, em que milhares de professores permanecem na escola noite dentro para as reuniões intercalares, constatamos aquilo que qualquer professor constata. O trabalho do professor NUNCA pode ser balizado ao pormenor do minuto.

E para não dizerem que apenas olho para um lado, digo, sem qualquer problema, que nas interrupções letivas como o Natal, Carnaval ou Páscoa, muitos professores entram em período de regeneração celular, alinhando os desalinhados chakras, e ninguém está de cronómetro em punho a cumprir os tais 1100 ou 1500 minutos.

A questão do que é letivo e não letivo, tem sido utilizada pelo Ministério de Educação como uma forma de sobrecarregar os professores e poupar alguns milhões, algo que urge ser resolvido.

A relação aluno professor, não se coaduna com o relógio e não estou a ver um professor dizer não a um aluno numa hora de aflição…

Caricaturemos 😉

Aluno: Professor?

Professor: Diz Zé?

Aluno: O professor tem uns minutinhos, é que estou com um problema e precisava mesmo de falar consigo…

Professor: olha Zé, agora não posso pois sobrou-me apenas 2 minutos da minha cota semanal e ainda tenho que ir escrever o sumário. Falamos para a semana, pode ser… mas ficas já a saber que tenho de corrigir testes para a semana, por isso só te posso dispensar 4 minutos e 32 segundos que isto está tudo contadinho… é a vida né!!!

Mas o caricato existe mesmo, as escolas que optaram pelos 45 minutos de tempo de aula, obrigam os seus professores a fazer a compensação dos 5 minutos para acertar contas com as escolas que optaram pelos 50 minutos. Ainda na semana passada, quando fui a uma visita de estudo com os meus alunos e entrei no autocarro às 6:30, chegando a casa já passava das 20:00 e só pude assinar das 8:30 às 18:30, provando que há minutos que são mais importantes do que outros….

Isto é ridículo, só obriga a mais papeis, a um controlo sem sentido do trabalho docente, tratando os professores como um qualquer empregado de fábrica que pica o seu ponto à entrada e saída.

Só tenho pena que a insensatez não tivesse chegado a esse extremo, teria todo o gosto em picar o ponto e não fazer nem mais 1 minuto para além do estipulado. Mas quem nos governa sabe que o professor é altamente responsável e coloca sempre os seus alunos em primeiro lugar, estejamos ou não congelados, tenhamos ou não tempo para o disponibilizar.

Acabe-se com esta “treta” do professor ao minuto, definam bem o que é trabalho letivo e não letivo de uma forma justa, e lembrem-se que a preparação de um professor é fundamental para o sucesso dos seus alunos, ainda para mais quando estamos na iminência de uma alteração profunda na forma de trabalhar com os alunos.

Alexandre Henriques

A FENPROF quis saber, com o rigor possível, quantas horas semanais são necessárias aos professores dos 2º, 3º ciclos e ensino secundário para que consigam cumprir as obrigações que lhes são exigidas.

O inquérito lançado aos docentes destes setores é claro: os professores trabalham, em média, mais de 46 horas por semana, isto é, muito para lá das 35 legalmente estatuídas.

Esta sobrecarga horária, causa primeira do profundo desgaste e do cansaço da classe docente – unanimemente reconhecida – resulta do facto de, para lá da sua atividade letiva, dificultada muitas vezes pelo elevado número de alunos por turma e do elevado número de turmas atribuídas ao docente, o professor ter de se desdobrar em variadas atividades da componente não letiva de estabelecimento, de infindáveis tarefas burocráticas, de inopinadas e longas reuniões, a que acresce todo o trabalho de preparação de aulas, avaliação…

Mário Nogueira e o desgaste dos professores: “Não basta reconhecer o problema, há que tomar medidas para o resolver”

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10 COMMENTS

  1. Como educadora pergunto ” e onde estãos os educadores” q nem são mencionados neste desabafo real????
    É q nós também temos componente não letiva, supervisionamos o serviço das A.A.A.F.s, tbém planeamos, também avaliamos, também reunimos, também realizamos visitas de estudo fora do horário letivo, também trabalhamos á noite e ainda por cima temos um calendário diferente…

    • Maria, tem toda a razão, as minhas desculpas. Procuro há algum tempo alguém do pré – escolar para escrever para o Comregras. O convite fica feito

  2. Já agora podiam devolver as reduções a partir dos 40. Sempre eram menos uns testes para ver. As vertebras entre outras partes dos nossos corpinhos agradeceriam. Sempre podia ser um contributo para não trabalhar 46 horas por semana aos 46 anos.

    • Maria, para essa devolução tem de recuar até 2007, ao tempo de José Sócrates, Maria de Lurdes e outros geringonços. Já lá vão 10 anos!!!

  3. Ouvi dizer que a Ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues era conselheira deste ministro. Espero que não seja verdade pois os conselho que pode dar já os sentimos na pele e os seus efeitos ainda se fazem sentir.
    Nunca ninguém fez tão mal à classe dos professores e à sua reputação.
    Cuidado que a influência que essa senhora pode exercer é do mais nefasto e tóxico que existe.
    A “geringonça” de que eu gosto não vai sobreviver a isso.

  4. E eu pergunto, onde estão os assistentes operacionais e técnicos’?. somos pau para toda a colher, as educadoras, não fazem nada sem as assistentes, os conteúdos funcionais são cada vez mais exigentes, trabalhamos mais horas, ganhamos o ordenado mínimo, para além das crianças limpamos as escolas, não temos pausas lectivas, sofremos de exaustão fisica e emocional,o ordenado é de 1 para 5,e acho piada que dos assistentes, que são invisíveis ninguém fala! País intolerante!

    • Ana, está a ser injusta. Tenho defendido os assistentes operacionais e técnicos aqui no ComRegras por diversas vezes. Lembro que este texto tem como base um inquérito feito pela FENPROF.

  5. “Os professores que leccionam 20 tempos não leccionam 20 horas.
    Não estão 20 horas nas salas de aula, mas sim, 16 horas e 40 minutos. Os tempos(horas) no 2.º/3.º ciclos e secundário valem 50 minutos.
    Só na Educação Pré- Escolar e no 1.º ciclo do E. Básico, uma hora vale 60 minutos.”
    Fátima Ventura no facebook

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