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Professores São Para Ensinar Não São Para Entreter

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Desde o início que tenho defendido os professores do #EstudoEmCasa e prometi que desta casa só teriam apoio. Porém, a partir do momento que o #EstudoEmCasa ultrapassa o âmbito das suas funções, chega o ponto de dizer “já chega” e lembrar que os professores são uma classe profissional com um estatuto intelectual que deve ser preservado e não confundido com entertainers televisivos, envolvidos numa competição de audiências em programas de companhia/entretenimento. É bom lembrar, para o bem e para o mal, que os professores do #EstudoEmCasa, direta ou indiretamente, representam mais de 100 mil professores e o seu desempenho marcará a imagem dos seus colegas durante os próximos anos.

O Secretário de Estado João Costa referiu que os professores não seriam estrelas de televisão e eu aplaudi!

Os professores chegaram ao estúdio e deram as suas aulas sem teleponto, sem maquilhagem e eu aplaudi!

Estas orientações e forma de estar mostravam bem que o trabalho a realizar seria humilde e uma transposição da sala de aula. Excelente!

Mas ao constatar no programa do Manuel Goucha – “Você na TV”, uma repetição do “rap” das professoras Helena Ramos e Luísa Henriques que tornou-se viral, tendo inclusive chegado ao programa da Ellen, não pude deixar de pensar, qual o propósito deste espetáculo, a não ser os 15 minutos de fama…

É perfeitamente justificável que os professores façam certas “figurinhas” ou adequem o seu discurso à faixa etária dos seus alunos. Quando dei destaque ao dito, referi que o pedagogicamente correto é aquilo que funciona, e naquele caso, até pelos comentários que li no nosso facebook, muitos alunos passaram a cantar os meses do ano. Excelente e parabéns às colegas!

Só que no “Você na TV” as professoras não foram dar aulas, foram fazer uma caricatura de uma aula, uma aula de entretenimento, onde as professoras deixaram de ser professoras e passaram a ser animadoras das manhãs, algo que para mim seria indiferente, se não fossem essas “professoras”, realmente professoras. Considero perfeitamente justificável alguma curiosidade mediática pelos professores do #EstudoEmCasa e até acho positivo falarem sobre a sua experiência. Mas depois da professora Isa no programa do Ricardo Araújo Pereira, da professora Raquel no programa da Cristina e agora das professoras Helena e Luísa no programa do “Goucha”, começamos a perceber que existe uma clara tendência de tornar estes professores mais do que professores.

Vou ser brutalmente sincero, as professoras não sabem fazer Rap, não são boas dançarinas, são sim boas professoras e é essa a sua função. Ao entrar neste “circo” mediático, o critério de avaliação muda necessariamente, e neste campo, desculpem a sinceridade, o desempenho é risível, pois o objetivo não foi valorizar o trabalho docente, mas sim ridicularizar as “figurinhas” que aquelas duas professoras fizeram no #EstudoEmCasa enquadradas num determinado contexto. E aqui existe uma clara diferença com a professora Isa que podia ter repetido os 20 “ok” que proferiu na primeira aula, mas que de forma inteligente, não o fez, nem lhe fizeram.

Esta é uma opinião pessoal, que só me vincula a mim e provavelmente será em contracorrente, mas seria semelhante no caso de ver um juiz, médico, ou outro profissional qualquer a fazer o que podem ver em baixo.

Para finalizar, enquanto professor gostaria de deixar um apelo aos meus colegas do #EstudoEmCasa.

Continuem a representar a classe através da vossa qualidade profissional e que tão bem está a ser aceite. O vosso trabalho tem sido muito útil para os alunos e imagem dos professores, mas por favor não se iludam com os holofotes, ou pelo menos que sejam mais criteriosos na escolha dos mesmos.

Somos todos especialistas do ensino e a nossa arte é ensinar!

Acho que chega…

* vídeo cedido cortesia VozProf

Alexandre Henriques


Contraditório Da Professora Do #EstudoEmCasa, Helena Ramos, Ao Artigo “Professores São Para Ensinar Não São Para Entreter”

43 COMMENTS

  1. É uma feira de vaidades. Alguém acredita que foram dar aulas na televisão por amor à profissão. Será que alguém me diz quanto recebem por prestarem esse serviço. Quais os honorários? Que benesses vão ter? Mudanças de escalão? Ainda ninguém esclareceu isso

      • Devem ganhar deixaram de dar aulas nas suas escolas para se dedicarem à televisão? Qual é o cache. Que outras benesses estão a ter. Tem que haver transparência. A professora Helena foi tão cobarde que passou a culpa, de ir ao Goucha, para a outra colega. Enfim uma vaidosa da pior espécie.

  2. Estou de acordo embora não critique as professoras. É normal é difícil fugir quando são solicitadas
    E um risco que deve ser evitado a todo o custo pelos colegas que estão envolvidos. Os professores não são comediantes nem se devem transformar em vedetas de televisão.
    Já agora o comentário anterior sobre quanto ganham é patético. Estão a fazer um trabalho devem ser pagos
    Mas devem ficar por aí

  3. Concordo totalmente! … se bem que essa condescendência nacional pelas simpáticas colegas e o contexto em que se desenvolveu o [email protected] obstruíram o sentido critico sobre o conceptual das sessões do [email protected], que ao contrario que o AH afirma nunca deveriam ser “uma transposição da sala de aula”, na sua mais banal didáctica, porque isso é impossível a distância e com crianças e jovens. Esse mimetismo tem resultado, salvo raríssimas excepções, em programas de entretenimento.

  4. O problema não são as professoras que estiveram nos referidos programas televisivos, o problema são esses programas e sua pouca qualidade. A fazer a mesma figura temos visto ministros, cientistas, presidentes disto e daquilo.

  5. “…ou pelo menos que sejam mais criteriosos na escolha dos mesmos.”
    Nem mais, não façam como o pateta do ministro da educação que vai a todos e faz aquelas figuras deprimentes. Estas colegas, comparadas com ele, são umas estrelas!!

  6. Há uma diferença: os políticos precisam de popularidade, de fazer com que a sua imagem venha a ” render votos”. E as senhoras professoras? O que procuram ao comparecer nestes programas de entretenimento?
    Não serão apenas pouco sérias e deslumbradas??

    • Completamente deslumbradas.. Mantenho a minha pergunta… Quais são as benesses que as caríssimas colegas têm. Os portugueses têm direito a saber. É assim deixaram de dar aulas aos seus alunos? Se sim não devem receber mais nada.

      • As colegas, para além de acompanhar as suas turmas, trabalham no #Estudo em Casa, acumulando uma carga horária brutal! Até agora, nenhum professor ganhou nada com isso, pelo contrário, estão a gastar em inúmeras deslocações!
        Nesses programas não ganharam nada, apenas foram exploradas! Só um ignorante maldoso, como o senhor, não percebe isso!

  7. Não interessa o método de ensino desde que os alunos aprendam esse é o objectivo e se um rap é a forma de conseguir fazer com que os alunos aprendam então porque não só vejo adultos a reclamar as crianças acabaram por aprender os dias da semana.

  8. E que mal tem? A classe fica ofendida por reconhecerem o grande desempenho destes professores… não vejo mal nenhum. adoro assistir as aulas com as minhas filhas. E que mal tem elas irem ao programa do Goucha. Agora sim professores façam uso da visibilidade e reivindiquem melhores salários… ou talvez não seja preciso porque nós pais sabemos que merecem. Vamos focar no que importa.

    • Como referi, é uma visão e forma de estar muito pessoal. Quanto às aulas, nada a dizer, são grandes professoras.

      • Ai que o Goucha não dignifica a classe! Cambada de infelizes! Vem uma que tem paixão pela profissão e já é demais. Tanto preconceito. Live and let live.

    • Concordo inteiramente. As professoras não ganham mais por irem a programas de entretenimento, e acreditem que recusaram muitos mais convites. Parabéns colegas pela coragem e por motivaram os alunos a aprender…

  9. Alguns professores do #estudo em casa nem nunca foram colocados no ensino público, aguardam a colocação trabalhando num colégio…
    Mas a verdade é que, a brincar também se aprende, pelo menos as crianças mais pequenas. Por isso devo aplaudir o trabalho feito atrás das câmaras, com nervos e ansiedade..

  10. Comentário sobre o artigo “ Os professores não são para entreter” do Sr. Alexandre Henriques
    Na qualidade de uma das visadas, começo por agradecer a partilha da sua reflexão! Com toda a humildade e sinceridade lhe digo que concordo, na generalidade, com o que escreveu. Efetivamente, eu própria já tinha tirado essa conclusão, antes de ler o seu artigo, em voz alta, cá em casa!
    Digo – lhe que o dia 21 de maio foi um dia penoso para mim … em que me senti, de certa forma, traída e usada a vários níveis … apanhada numa rede da qual, no meu quotidiano, procuro alhear-me e fugir: as redes sociais, os programas balofos e toda a manipulação de massas subjacente! Toda essa histeria com que não me identifico… Mas foi mais um momento de aprendizagem e evolução no meu percurso como ser humano… Isso não faz de mim uma pessoa com menos valor, porque esse acontecimento não abafa a minha essência, ao contrário, acrescenta-lhe sabedoria!
    A semana passada, eu e a minha colega, recebemos vários convites dos media, incluindo o programa do Sr. Goucha … A minha primeira reação foi recusar, pois encontrava – me tão atarefada e cansada, que não me sentia motivada para ir gastar as minhas energias naquele programa, já que seria mais uma fonte de stress … tínhamos gravações e aulas e eu queria dedicar-me ao meu trabalho!
    A recusa não foi encarada com normalidade e os telefonemas insistentes continuaram … Esta semana recebemos mais convites, a propósito do vídeo ter sido partilhado pela Ellen, facto que, com sinceridade, não me pareceu um acontecimento fabuloso e do qual não fiz alarde!
    Perante um segundo convite para ir ao Você na TV, esta semana, a minha colega aceitou de imediato e expressou a sua vontade em comparecer, independentemente da minha ida. Pressionada pela assistente do programa e com o sentido de que era meu dever acompanhar a colega, já que trabalhamos em parceria, acabei por aceitar, na véspera, à última hora … Na altura, pediram-me um texto sobre o percurso profissional, para o apresentador preparar uma pequena entrevista … Acreditei que teria oportunidade de valorizar o empenho dos professores em todo este conturbado contexto. Ao longo de 24 anos de prática letiva tive oportunidade de, discretamente, vivenciar experiências diversificadas e enriquecedoras, que não se resumem num “Rap dos Meses”! Efetivamente, o programa não cumpriu o meu objetivo, e deixou-me agoniada, desde o início até ao fim! Basicamente, foi um momento lúdico para o apresentador oferecer aos seus espectadores! Apenas uma coisa me confortou: conseguir mencionar o nome das minhas colegas de equipa (mesmo antes de ser despachada)!
    Quem está sentado na plateia, como o senhor, encontra-se numa posição cómoda: não está envolvido e tem tempo para analisar, sentindo-se capaz de julgar os outros com todo o bom senso e sentido de justiça! Mas quem é surpreendido no meio deste “circo viral”, como nós fomos, é enredado numa espiral de energia que lhe pode toldar a clareza necessária para fazer a opção mais sensata! Foi o que me (nos) aconteceu!!
    Fala na futilidade de ter os holofotes e os minutos de fama … Quem não os tem? Será que o senhor nos pode atirar essas pedras? Pois, não hesitou!
    Desde miúda que procuro ultrapassar a timidez e o stress que me causa ser alvo de atenções … Eu não procurei nada disto … O desafio de gravar aulas “veio ter comigo” sem eu pedir e vi-me na necessidade de reunir forças para corresponder ao apelo do meu país e apoiar a equipa em que fui integrada! Tenho feito o melhor que consigo, com generosidade e humildade. Neste trajeto, ao longo do qual tenho realizado aprendizagens ao nível pessoal e profissional, ora gratificantes, ora penosas, gostaria de dizer-lhe que me sinto feliz por ter tido a coragem de ultrapassar receios e correr os riscos que estou a correr, entre os quais errar e ser alvo de julgamentos precipitados!
    Helena Ramos

    • Vi o novo artigo, com destaque deste seu comentário e vim aqui só para lhe enviar um abraço solidário e fazer uma vénia à sua humildade, coragem e frontalidade.
      E, já agora, desejar os maiores sucessos para o resto do ano lectivo (para si e para toda a equipa do #EstudoEmCasa).
      Com fraternidade, João Gustavo

    • Nem mais! Parabéns pelo trabalho. Nessa nossa profissão, somos muitas vezes criticados por não agradarmos ou não fazermos o que alguns acham que devíamos ter feito, sem ao menos procurar saber como foi o percurso ou o motivo que nos levou a utilizarmos tal abordagem. Entretanto, o nosso foco é o aluno e é com ele que devemo-nos ocupar em cumprir, da menor maneira, a nossa função de ensinar. Obrigada pelo exemplo.

      • Cobardia é tentar denegrir a imagem de pessoas que trabalham, apontado-lhes o dedo e apelidando-se de Rio Mondego! Que fará este senhor em prol da comunidade?
        Lembre-se que tem os restantes dedos da sua mão a apontar para a sua vileza!

    • Helena, tem todo o meu apoio. Estes comentários só mostram o mundo mesquinho em que vivemos. As pessoas falam sem saber o que dizem… inclusive alguns professores … que se devem achar óptimos professores… e não me digam que este vírus vai mudar mentes… para pior acredito. Bem haja Helena. Keep up the good work!

  11. Passamos a vida a criticar tudo e todos. Á procura de ver o que podemos criticar. Deixem as professoras trabalhar/ensinar e isso inclui a liberdade de escolher os métodos que julgam mais eficazes dentro da sua experiência pedagógica. Obrigada a todos os professores que marcaram o meu percurso académico, todos eles foram diferentes e a todos eles o meu bem haja.

  12. Não concordo mesmo nada com este artigo! A minha filha que tem dificuldades na disciplina de inglês repetia a canção no final do dia. Louvo o empenho e a vontade destas professoras em fazer chegar a mensagem aos alunos de uma forma mais apelativa. Não vejo nada de errado na aula destas professoras, nem no seu rap. É claro que não são cantoras, é claro que não são bailarinas, expuseram se (e arriscam sempre que o fazem) na tentativa de cativar. Dizer que o fazem por busca de mediatismo é, na minha humilde opinião, fazer juízos de valor errados e compreender exactamente ao lado daquilo a que estas profissionais se propuseram. Este artigo parece me extremamente injusto. Quem defende o professor expositor, a debitar, a ler do livro, está, lamento, muito distante da realidade actual e não compreende aquilo a que os alunos estão expostos, aquilo que os cativa. A função primordial de um professor é… Ensinar. Se cantando um rap se consegue que a criança repita a canção, sinceramente não vejo qual é o problema. Haja saúde… E paciência!

    • Lamento que não tenha percebido que este artigo não tem nada a ver com as aulas do #EstudoEmCasa. Está escrito que aprecio as mesmas e que ambas são boas professores.

  13. COMENTÁRIO DA PROFESSORA HELENA RAMOS SOBRE A SUA PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA 5 PARA A ½ NOITE

    Caro Alexandre, muito apreciei a cordialidade da sua resposta relativamente ao meu contraditório!
    Mencionou a participação no programa 5 para a ½ noite, e eu não resisto a apresentar a minha perspetiva sobre o facto!
    Gosto de humor e sei brincar! Encarei essa participação como um momento de humor inteligente e, com generosidade, permiti ser caricaturada e rir de mim própria, algo que frequentemente acontece comigo, em particular e com os professores, em geral! Há alguém que nunca tenha imitado determinado professor? Por norma, são os mais carismáticos que merecem esse “miminho”! Então, perdoem-me a vaidade, mas encarei o facto como uma homenagem humorística!
    Infelizmente, a Filomena e a Inês não tiveram o discernimento para aproveitar as suas convidadas e melhorar a audiência do programa, enriquecendo a sequência do alinhamento com outro momento menos previsível! Estou certa que eu e a Luísa estaríamos à altura!
    Estão perdoadas pois constatei que são duas apresentadoras simples e amáveis, qualidades raras, nos dias que correm … Também elas são vítimas da “virulência feroz” dos media! Destaco, ainda, a simpatia de toda a equipa do referido programa!
    Depois da manhã, para mim deprimente, no programa do Sr. Goucha, aqueles momentos no Estúdio do 5 para a ½ noite foram uma espécie de catarse! É que teve a sua graça, quando ao entrar no wc, antes de ir para o estúdio, dou com a Cautela a ensaiar o Rap dos Meses (da autoria da Luísa, note-se)! Também teve alguma piada, assistir ao empenho e até algum nervosismo, com que as duas apresentadoras nos procuraram imitar, nos mais pequenos detalhes!…
    Já agora, para quem não percebeu a graça do meme “December, December” protagonizado pelas quatro, é que a menina Cautela, tal como eu, é da colheita de dezembro, sob o signo de Sagitário …. Não resistimos a celebrar, com infantilidade, a coincidência!!
    Um abraço!
    Helena Ramos

    • Não lhe fica muito bem desculpar-se com a colega… Ou com as atitudes Goucha. Pretendeu ter momentos de fama. Enfim só se queimou.

      • Caro senhor, lamento que não saiba interpretar um texto em que eu assumo, na minha reflexão pessoal, que foi uma má opção minha! Tive a hipótese de não ir, mas fui: ninguém me obrigou! A responsabilidade é exclusivamente minha!
        Cada qual tem a sua opinião sobre o assunto. Eu limitei-me a apresentar a conclusão que tirei, relativamente à qual não tenho a veleidade de ser melhor nem pior que as outras opiniões! Até porque há quem tenha apreciado!
        Seria prudente, adotar um tom mais moderado e não acreditar que a sua interpretação é a verdadeira e que conhece os meus sentimentos!
        Votos de saúde!
        Helena Ramos

      • A arrogância deste senhor, que se apelida de Rio Mondego mete dó! Se tivesse o mínimo de consciência ficava calado, só revela maldade! Tanto ódio! Só pode ser um Grande Frustrado!

  14. Santa ingenuidade! Quem vai aos programas tipo Goucha, Cristina e afins já sabe ao que vai. Não vai ao engano.
    Mas, mais do que com a exposição mediática de qualidade duvidosa, o que mais me aflige nestas professoras de inglês do estudo em casa é a sua incompetência. Ninguém está a chamar a atenção para isto e isto, sim, é deveras importante. O nível de inglês destas professoras é paupérrimo. Nem se dão conta!

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