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Professores resilientes em vez de diretores resilientes.

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No dia 28 de dezembro o diretor Filinto Lima brindou-nos com um artigo intitulado «diretores resilientes». Não conheço o distinto diretor, vou tratá-lo assim para não se melindrar, em vez do tradicional colega, porque nesse artigo assumiu o espírito de corpo de uma classe à parte dos professores, a dos diretores. A maior prova disto é a crítica do modelo de avaliação dos diretores: «os 812 diretores existentes no sistema educativo nacional dispõem de um modelo de avaliação injusto e que reclama uma alteração urgente, pedido que será concretizado no próximo ano civil, sejam os políticos sensíveis a tal desígnio». Além disso, não deixo de realçar o auto elogio deste novo grupo na educação, que partilha com as «suas equipas diretivas, dos coordenadores de professores e do pessoal não docente», deixando de lado os professores (zecos, no seu pensamento, no sentido de classe distinta e executante, sem capacidade de reflexão própria).

Ao reivindicar uma avaliação específica dos diretores assumiu claramente que fazia parte de uma classe distinta da dos professores, nem sequer, equacionando que se o modelo de avaliação dos diretores está mal e como tem os mesmos vícios dos zecos, considerou propor uma alteração da avaliação de todos, diretores e professores, optando assim por defender uma situação de privilégio para os diretores.

O seu artigo entra em contradição com a realidade ao realçar que «os dirigentes máximos das escolas revelam-se decisivos, para além do mais, na obtenção dos resultados positivos na Educação», pois, todos sabemos, a escola piorou os resultados na avaliação externa dos TIMM. Mais uma vez mostra que vive num mundo à parte, em que vem reivindicar sucessos que não existem, tipo: nós que seguimos as instruções do poder central, como a pressão para não haver reprovações, temos direito também a ficar com os louros.

Concluindo, os professores ao lidarem com tamanhos iluminados só podem ser professores resilientes. Acho, contudo, esclarecedor este assumir claro de posição, os diretores têm interesses diferentes, em vez de uma no cravo outra na ferradura habitual.

PS: Este artigo era para ser mais pela positiva, mas o artigo de 4/01 do Luís Braga, no comregras, intitulado «o que mudar nas regras de gestão escolar para aumentar a cidadania» veio dizer o mesmo que eu diria, pelo que me restou esta resposta a um diretor que se sente de uma classe profissional distinta dos professores e que reivindica privilégios na avaliação e se auto elogia, mesmo com avaliações externas ao sistema educativo não muito favoráveis.

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