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Professores ficaram nas trincheiras enquanto os “generais” foram de férias

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São cerca de 200 as escolas que vão continuar em greve até ao final do mês. Escolas que só têm o apoio do recente sindicato S.TO.P, enquanto os outros prometeram greves para setembro/outubro, contando que os professores os vão apoiar nessa sua estratégia de protelar ad aeternum o protesto e o fim das negociações. Comigo digo-vos já que não contam, pois a luta não se adia, principalmente para com quem não cumpriu com a palavra dada no passado e tem tentado tudo para engonhar o processo.

Porém, já há quem se preocupe com as consequências desta fratura, as principais associações de diretores, consideram que o desconforto entre professores será uma consequência natural. Não os vou contrariar, a partir do momento que existem estratégias diferenciadas que apontam para caminhos diferentes, os professores fazem isso mesmo, optam por estratégias diferentes.

No final disto tudo, devemos refletir e pensar bem no sindicalismo docente, na perpetuação que existe de certos vícios e defeitos e ponderarmos se os professores querem este sindicalismo ou algo diferente.

Repito e volto a dizer, os professores são donos dos sindicatos, não são os sindicatos que são donos dos professores. Está na altura dos professores e dos sindicatos colocarem-se no seu respetivo lugar.

Nota: a frase que serviu de título a este artigo é da autoria da Anabela Magalhães e reflete muito bem o sentimento vigente.

Duzentas escolas vão continuar em greve

“Temo que vá haver professores contra professores”, alertam diretores de escolas

(DN)

Perante este cenário, o diretor da ANDAEP diz que pode perder-se “a união” criada entre os docentes durante a greve. “Uns acham que se está a ir demasiado longe, outros querem ir até ao fim. Isto pode criar desunião e colocar os professores uns contra os outros dentro da mesma escola, o que pode ser desagradável.”

Compreensão não evita “desconforto”

Após a reunião entre sindicatos e ministério, houve alguma “descompressão”, admite Manuel António Pereira, presidente da direção da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE). A expectativa é que “as coisas voltem à normalidade na grande maioria das escolas”, mas “onde a greve continuar terá de ser encontrada uma solução e não será fácil”.

Ressalvando que “a greve é um direito inquestionável” e que há sempre uma “enorme compreensão” entre docentes, Manuel António Pereira reconhece também que “há sempre algum desconforto quando os professores querem acabar o seu trabalho e não conseguem porque há outros que, no uso dos seus direitos, não permitem”.

O facto de haver uma pequena percentagem de professores que continua em greve poderá ter impacto nas férias dos restantes docentes. “Pode afetar as marcações de férias dos docentes que já não estão em greve, provocando alguns transtornos. Efetivamente, pode haver perturbações e até animosidade entre professores“, reconhece Manuel Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Professores (ANP).

Isto pode, segundo o representante, gerar “algum mal-estar” nas escolas. “Os professores que fazem greve estão a gozar um direito, mas os que não fazem querem ver as avaliações terminadas para poder ir de férias descansados”, sublinha, acrescentando que os diretores não deverão validar as férias sem que as reuniões de avaliação estejam concluídas.

Famílias com vidas suspensas

Ao DN, Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), afirma que “um sindicato, por mais pequeno que seja, consegue provocar perturbações e é normal que haja mal-estar entre professores”. Contudo, “a preocupação da Confap é, em primeiro lugar, com as crianças e jovens”, sendo que “esse mal-estar já está a ser criado nas famílias há muito tempo”.

O representante dos pais lembra que “há famílias com vidas suspensas à espera que as coisas se resolvam a tempo de não prejudicar a organização familiar”.

A greve dos professores atrasou o lançamento das avaliações, o que adiou o processo de matrículas, a constituição de turmas, a definição do número de professores necessários e a elaboração dos horários para o próximo ano.

Para os alunos que pretendem mudar de escola, a situação pode ser preocupante, já que as matrículas só podem ser feitas quando os estudantes tiverem as notas de todos os professores. Filinto Lima reconhece que “os alunos poderão ser prejudicados se o Ministério da Educação não vier esclarecer como é que os diretores devem proceder em relação às transferências dos alunos que não foram avaliados”. Isto porque, imagine-se, os estudantes podem desejar mudar para um estabelecimento de ensino onde as turmas já foram concluídas.

As matrículas estão neste momento a ser feitas “condicionalmente”, mas, enquanto não saírem as notas, as transferências não podem ser concluídas, porque não se sabe se os alunos transitam ou não de ano.

Por esta altura, há famílias que já têm férias marcadas, desconhecendo, ainda, em que situação se encontra o seu educando. Por isso, o DN sabe que uma das soluções que alguns pais arranjaram foi fazer uma procuração para que os avós possam tratar do processo na ausência destes.

“Basta de inícios de ano normais”

Sobre a decisão de manter a paralisação das reuniões de avaliação até 31 de julho, André Pestana, dirigente do Stop, refere que “a situação que se vive na classe docente é extremamente grave“. Além da contagem de todo o tempo de serviço congelado para efeitos de progressão na carreira, refere o aumento da idade da reforma, o excesso de turmas por professor e a precariedade.

“Estamos cansados que todos os anos haja uma abertura normal do ano letivo, em setembro, quando as coisas não estão bem. Basta de inícios de ano normais se a situação não está normal”, diz ao DN.

André Pestana diz que há “uma grande desilusão” face ao que saiu da reunião entre os sindicatos e o Ministério da Educação. “A plataforma sindical saiu de lá com uma mão-cheia de nada”, sublinha. Ressalvando que os docentes estão “cansados”, o dirigente do Stop considera que “se aguentarem mais uma semana, isto vai questionar o normal arranque do próximo ano letivo”.

Segundo o Stop, há cerca de 200 escolas onde a paralisação vai continuar. André Pestana lembra que é uma “greve inteligente”, pois basta que um docente não esteja presente para que as reuniões de avaliação não se realizem”.

8 COMMENTS

  1. E no ME, não haverá també já algum desconforto? nas escolas,ouve-se que diretores pedem instruções sobre o que fazer com a questão das férias dos docentes… e claro que o ME não vai dar ordens específicas, aí é que estourava…

  2. Se o Mário Nogueira dissesse publicamente isto que cito e que vem em cima: “Ressalvando que os docentes estão “cansados”, o dirigente do Stop considera que “se aguentarem mais uma semana, isto vai questionar o normal arranque do próximo ano letivo”.
    Segundo o Stop, há cerca de 200 escolas onde a paralisação vai continuar. André Pestana lembra que é uma “greve inteligente”, pois basta que um docente não esteja presente para que as reuniões de avaliação não se realizem”.”
    crucificavam-no, a começar pelo Alexandre Henriques. Como não foi o Mário Nogueira não se passa nada.

    • Se eu defendi há meses uma greve às avaliações por tempo indeterminado, inclusive com uma estratégia conjunta de violação dos serviços mínimos, veria com bons olhos Mário Nogueira a assumir uma estratégia de conflito declarado.

      • Subscrevo o que o Alexandre Henriques expressou. Mais, essa estratégia – por tempo indeterminado – devia ter sido a de todos os sindicatos da plataforma, bem como, do S.TO.P.

  3. …como contratado em duas décadas nunca fui maltratado pelos “generais”, mas preferia ter sido pelo menos… tratado!

  4. Isto sim, é um texto de causas e determinação não antes vista ou percepcionada.
    NOS (Nova Ordem Sindical) para os professores, sem pedestal, digo federações ou confederações, sem raiz partidária mas não apolítica, com muita cidadania e voluntarismo.

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