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Professores esgotados

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Algo que já todos sabemos, mas convém sempre relembrar…


Metade dos professores com sinais “preocupantes” de exaustão emocional

(Público)

Esgotados e frustrados profissionalmente — é este o retrato dos professores que é feito por um estudo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que é apresentado nesta sexta-feira. Quase metade dos docentes dá sinais “preocupantes” de “exaustão emocional”. E mais de 40% não se sentem realizados profissionalmente.

Os indicadores reunidos no estudo, que envolveu quase 16 mil professores, são “absolutamente catastróficos”, classifica a investigadora Raquel Varela, que coordena o trabalho. “O Ministério da Educação vai ter que agir em relação a isto. Não é possível ter qualidade de ensino numa situação como esta”, defende a historiadora da Universidade Nova.

O trabalho foi encomendado pela Federação Nacional de Professores (Fenprof), que  já manifestou a intenção de usar os dados agora recolhidos na mesa das negociações quando, na próxima semana, voltar a reunir-se com a tutela para discutir a contabilização do tempo de serviço das carreiras dos docentes.

“Existem outras profissões para às quais existem regimes de aposentação diferenciados e queremos que haja também esse reconhecimento no caso do professores”, explica ao PÚBLICO o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

Segundo este responsável, há 12 mil professores de baixa prolongada, o que é um bom indicador do estado de exaustão que afecta a classe.

Os investigadores dividiram os professores em cinco patamares, consoante o nível de exaustão demonstrado.

Quase metade (47,8%) revela sinais no mínimo preocupantes de exaustão emocional — 20,6% mostram sinais “preocupantes”, 15,6% apresentam “sinais críticos” e 11,6% têm já “sinais extremos” de esgotamento. Outros 28,5% dos docentes inquiridos mostram “alguns sinais” de exaustão emocional, ao passo que só 23,6% não declaram quaisquer sintomas.

Dos salários à indisciplina

Estes valores são “um pouco surpreendentes” para o psicólogo do ISPA José Morgado, especialista em Educação, por serem mais elevados do que os revelados em estudos anteriores sobre a mesma matéria em Portugal e em comparações internacionais. Todavia, os resultados “podem ter sido influenciados” pelo momento conturbado que se vive no sector. “O contexto em que se produz uma resposta enviesa sempre a resposta que se dá”, avisa.

Os investigadores da Universidade Nova de Lisboa detectaram uma “correlação muito forte” entre o estado de exaustão emocional e a idade dos professores. Os níveis de exaustão são especialmente elevados nos professores com mais de 55 anos, que, de acordo com os últimos dados oficiais, representam quase 40% dos docentes ao serviço nas escolas nacionais.

Outros factores que influenciam esta situação são questões de carreira (queixas sobre baixos salários e desejo de reforma antecipada), de organização (burocracia na escola e gestão hierarquizada), bem como a indisciplina dos alunos.

Em sentido contrário, não foi encontrada uma correlação de género — a exaustão é semelhante em homens e mulheres — nem a precariedade laboral ou a distância entre o local onde dão aulas e o local onde vivem permanentemente influencia o estado emocional dos docentes.

A exaustão emocional é uma das três dimensões que permitem caracterizar uma situação de burnout. As outras duas são a sensação de despersonalização (que se observa quanto um profissional que trabalha com pessoas começa a encará-las como “coisas”), e que aparece com uma prevalência muito baixa entre os professores (7,6%), e a falta de realização profissional. De acordo com o estudo encomendado pela Fenprof, 42,5% dos professores não estão realizados profissionalmente.

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