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Professores (E Não Só) Preferem A Saída De Mário Nogueira

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Nota prévia: o título desde artigo baseia-se numa sondagem (não oficial) realizada pelo ComRegras, com bloqueio de votos repetidos via IP. Informo também que a maioria dos leitores deste blogue são professores.

Mais do que apresentar-vos o resultado da nossa sondagem, importa refletir sobre o passado, o presente e o futuro de toda uma estratégia sindical e de combate aos direitos dos professores. Afinal, para onde vamos e o que deve ser feito?

Quase 60% dos votantes preferem a saída de Mário Nogueira, o dobro dos votos dos que querem ver Mário Nogueira à frente da FENPROF durante mais um mandato.

Mário Nogueira tem uma capacidade inata de comunicar de forma sucinta e incisiva, o oposto do seu antecessor. Mário Nogueira estará para sempre ligado às grandes manifestações dos 100 mil e 120 mil, tendo atingido nesse momento o seu ponto alto.

Só que o tempo foi passando e o desgaste foi naturalmente surgindo. A sua ligação com os sucessivos Ministérios da Educação foi de sistemática guerrilha, passando para a opinião pública a imagem que os professores estão sempre contra e só querem direitos de forma cega e surda. Com razão ou sem razão, o estilo agressivo de Mário Nogueira, é naturalmente um estilo de desgaste rápido.

Existe uma clara ligação da imagem dos professores a Mário Nogueira e à sua Fenprof. Há quem diga que a sua continuidade apenas aos sindicalizados diz respeito, mas como todos sabemos, ou deveríamos saber, Mário Nogueira quando fala, fala em nome de todos os professores, por isso esta questão não é exclusiva dos professores sindicalizados.

A imagem de professor que não é professor pois não dá aulas, a imagem de estar agarrado ao poder, pois mesmo após uma derrota estrondosa e a ameaça de saída, afinal entrou na peça de teatro e deu o dito por não dito com uma argumentação muito fraquinha… A imagem de manhã estar numa manifestação de professores e de tarde ir para uma manifestação do PCP, desgastou claramente os professores perante a opinião pública. Esse desgaste foi mais que evidente nos últimos tempos com as “Manuelas Mouras Guedes”, “Paulos Portas”, “Migueis Sousas Tavares” e afins, a vomitarem autênticas barbaridades sobre os professores.

Então e agora? O que fazer?

É altura de lamber as feridas e quem de direito deve assumir o seu fracasso e dar lugar a um novo discurso e uma nova imagem de luta. Esqueçam greves a curto prazo, esqueçam greves a exames e a reuniões de avaliação, essa ponte já foi atravessada e caiu com as alterações legislativas.

Devemo-nos centrar na nossa imagem e (re)conquistar a sociedade, pois apesar da tremenda injustiça, sem uma boa imagem não adianta reinvindicar nada, pois o Governo sabe que atualmente estamos queimados por uma campanha vil e intoxicante.

Nos próximos dias marcaria uma conferência de imprensa, dizendo que os professores não vão comprometer o final de ano letivo, que estão muito desgastados pelas mentiras que foram proferidas e vão dedicar-se aos seus alunos, apesar de toda a desmotivação vigente.

O país não apoiou os seus professores, mas os professores apoiam o futuro do país!

Esta frase deveria ser o mote de toda uma estratégia, que infelizmente tem também de ser política, já que a verdade não basta para recuperar os nossos DIREITOS!

Mário Nogueira e muitos dos seus camaradas da plataforma sindical devem perceber que estão a mais, que não são úteis aos seus professores, pela ligação e fracasso ao que recentemente aconteceu. Como um treinador em final de época, devem colocar o lugar à disposição dos seus professores, para que estes apoiem, ou não, a sua continuidade.

Já o disse e repito, nada me move contra Mário Nogueira, nem qualquer outro líder sindical, mas exatamente por reconhecer a importância dos sindicatos, estes precisam de ser renovados e já agora, se não for pedir muito, passarem de mais de uma dúzia, para o máximo de uma mão cheia.

Não é capricho, nem teimosia, é uma questão de imagem e utilidade.

Fiquem com os resultados da sondagem.

Alexandre Henriques

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33 COMENTÁRIOS

  1. O Mário Nogueira é eleito pelos sócios da Fenprof… tudo o resto é conversa…
    A ideia é excelente: fazer de bonzinho, agora? Mas com o STOP, no ano atrasado , não era para ”varrer” tudo?

  2. Não percebo … quem votou é sindicalizado? O Mário Nogueira representa quem o elege. É que quem eu oiço todos os dias atribuir todas as responsabilidades aos sindicatos é pessoal que não se disponibiliza para contribuir quota e menos ainda para participar em seja o que for….a não ser no facebook. Esta votação não é séria, quer eu concorde com o resultado quer não…

  3. Não há momentos diferentes, legislação diferente, contexto diferente quando é preciso fazer o que é justo… O que me parece é que as entradas são de leão, mas as saídas são de sendeiro…
    Neste caso, e frise-se, e até posso acompanhar algumas críticas em relação à pessoa do Mário Nogueira: nomeadamente um tom demasiado belicoso, e o tempo de permanência no cargo… Mas ao ler o que vou lendo parece-me que o único que os tem no sítio para a contenda é o Nogueira… Os outros , com uma pressão similar à que ele tem, não duravam 24 h no cargo…
    Depois, quando há tantas coisas importantes para discutir estar sempre a bater no mesmo não me parece grande estratégia… Já agora … para quando uma sondagem para ver se o Dias da Silva deve sair do cargo (eu pessoalmente acho que os sócios da FNE é que devem decidir… e nada tenho contra Dias da Silva , bem pelo contrário…) ?
    Depois da ILC, de greves até à eternidade a estratégia, ao que parece, a alguns, passa a ser paz e amizade para todo o sempre… E que tal um pedido de desculpas ao primeiro-ministro, ao ministro da educação, à população em geral, por termos sido vilipendiados, enxovalhados, como nunca? E que tal colocar o Sousa Tavares ou a Manuela Moura Guedes a líder do sindicato?
    Para arrependimentos tão atrozes aconselho uma romaria de joelhos na 24 de julho, ou em alternativa, ler o doutor Santana Castilho no Público que explica , de forma clara, o que nos fizeram e porque devemos estar revoltados como nunca!

    • Agradeço o comentário.

      Julgo que a estratégia deve ser bem pensada, e constatar no terreno se os professores vão alinhar em greves a exames e reuniões de avaliação. Às vezes fico com a sensação que é conveniente um clima de constante revolta para justificar tanto sindicato…
      Mais do mesmo é exatamente isso, mais do mesmo…

  4. Viu bem o que escreveu?
    “professores não vão comprometer o final de ano letivo, que estão muito desgastados pelas mentiras que foram proferidas e vão dedicar-se aos seus alunos, apesar de toda a desmotivação vigente.”
    Os professores devem correr com o Mário Nogueira e desistir da luta?
    É isso que deve fazer?
    Não bastava o governo e os comentadores a manipular a opinião pública, agora até temos um blog sobre a educação e o seu autor a defender isto…que tristeza.

    • Percebeu que a vitimização é uma estratégia que pode ser utilizada para melhoria da imagem docente na sociedade? Viu o resultado das sondagens que indicavam que a população está ao lado do António Costa e contra os professores?
      Os professores devem ter sindicatos mais bem vistos na sociedade, ninguém falou em correr com eles, falou em mudar a imagem, o seu discurso e o seu número. É assim tão triste esta ideia? Ou está feliz com os resultados atuais?

      • O facto da população não estar ao lado dos professores deve-se à dívida contraída com a alta taxa de analfabetismo com que se chega ao 25 de abril. A massificação do ensino e a ausência de uma revolução cultural pioraram a situação. Nesta sequência. a população não valoriza adequadamente a escola e os seus agentes porque não valoriza o saber e o conhecimento, além disso, de forma oportunista, Costa promoveu a inveja social para se erigir em “Salazar” (ministro da economia de antes do 25 de abril que pôs toda a gente a pão e água para reduzir a dívida pública a zero) da Democracia e Santo canonizado das contas.

        • Não é verdade. Vários estudos apontam que os professores estão bem vistos na sociedade, porém, estes últimos meses afetaram e muito a imagem docente. Mas pelos vistos tudo deve continuar na mesma…

  5. “Professores (E Não Só) Preferem A Saída De Mário Nogueira”

    Quem são os “e não só”?

    Alexandre, serão as carradas de comentadores e “jornalistas” e editores de jornais e mais a Procuradora e a Clara F Alves e o MSTavares e mais o Joe Berardo e o Tiago Rodrigues e a Lurdes Rodrigues e sei eu lá quem mais?

    Ehhhhhh…não te zangues. Estou bem disposta hoje.

    Abraço.

  6. A Escola Pública é para queimar. Tal como diz em cima, os professores foram sucessivamente queimados, principalmente, depois da Maria Lurdes Rodrigues. Saíndo o Mário Nogueira, a ver vamos se conseguem ter outro melhor. E já agora, concordo que os sindicatos deveriam ser menos, aliás, nem menos:deveríamos ter um Ordem.

  7. Este tipo de consultas valem o que valem e os seus resultados ainda menos.
    Perguntar a um adepto do Glorioso,FCP ou SCP se o seu clube deveria ser ou não campeão…

    • Tal como alguns comentários…
      Não acha pertinente discutir o número de sindicatos, suas estratégias ou as posições dos seus lideres?

  8. Descartar o mais experiente e o mais competente dos sindicalistas é suicídio. Um dia virá em que Mário Nogueira terá de ser substituído (por alguém tão bom como ele, espero). Ninguém fica para sempre. Só um corpo informe e sem cabeça deixaria partir uma peça chave como Mário Nogueira. Eu sei que o corpo docente é muito diversificado, tal como estratégias intelectuais que usa, isso explica muita coisa, por exemplo, a dificuldade que tem em mobilizar-se e a facilidade que tem em deixar-se empurrar neste ou noutro sentido. De qualquer forma, ainda bem que esta sondagem não conta para nada e quem elege o seu representante é a FENPROF, da qual eu não sou filiada.

  9. Miguel Sousa Tavares não foi feliz na escola, é um caso de Psicanálise, não deve entrar nas contas. Manuela Moura Guedes não é um caso de jornalismo, é um caso de sensacionalismo e os seus pares já estabeleceram a diferença, por isso foi para casa durante muito tempo limpar o pó aos móveis. Paulo Portas ensinou a toda a gente que a sua palavra é revogável e mal pôde fugiu do Estado para a livre concorrência, por isso vamos dar-nos ao respeito e respeitar apenas quem sabe o que diz, como Santana Castilho,

  10. Uma iniciativa simplesmente vergonhosa e manhosa em todos os recantos de quase todas as frases. Se você tivesse o mínimo de dignidade demoraria bastante tempo a recuperar de uma iniciativa destas que cobre de vergonha quem a toma. Dê a opinião que quiser. Até em relação àquilo em que não deveria dar pois só diz respeito aos sócios dos sindicatos da Fenprof. Mas não se cubra com uma sondagem manhosa como esta. Antes de ler a iniciativa escrevi no facebook o seguinte que continuo a subscrever: É absolutamente inaceitável e até vergonhoso do ponto de vista ético que se façam sondagens sobre se o Mário Nogueira deve ser ou não candidato a secretário-geral da Fenprof perguntando a gente que não seja sócio dos sindicatos dessa federação sindical. Quem quer ter opinião sobre a matéria sindicalize-se nos sindicatos da federação, disponibilize-se para se conseguir eleger nas eleições para delegados ao congresso da Fenprof que se estão a realizar e, depois, se for eleito, vote na lista de candidatos da sua escolha que por sua vez escolherá o secretário-geral. Apetece-me dizer: a Fenprof não é governada por gente que não faz parte dela. E quando até têm a vergonha de meter não professores ao barulho a coisa adquire foros de vergonha ao cubo. Há gente na nossa profissão, alguns que têm ânsias de protagonismo e até lucram materialmente com as suas bocas em blogs que se representam a si próprios, que perderam a vergonha na cara. E depois admiram-se que gente da laia da Manuela Guedes se atreva a dizer o que diz de nós, professores. Não estão eles, por dentro, a fazer isso mesmo.

    • Tirando os “mimos” que por uma questão de educação não irei responder, apenas lhe digo o seguinte. Quando Mário Nogueira, ou outro qualquer, falar publicamente referindo-se aos seus associados e não aos professores todos, então nesse momento deixarei de falar sobre a temática sindical. Se falam em meu nome, eu tenho total legitimidade em falar.
      Por fim, se acha que estou numa campanha maldosa, tem bom remédio, frequente apenas o site da Fenprof, é simples…

    • Henrique sou sindicalizado mas não não na FENPROF mas concordo com o que diz.
      Mas o senhor Alexandre Henriques não entende uma coisa.
      Os sindicatos representam os seus associados e por inerência toda uma classe profissional e PODEM SIM falar por todos os professores pois todas as conquistas (e percas também) feitas pelos sindicatos se aplicam a todos.

      • Eu não tenho problema com os sindicatos falarem em nome de todos os professores, se tal não fosse seria muito estranho. Agora, não me venham dizer que não posso falar sobre as estratégias sindicais só porque não sou associado. É a mesma coisa que dizer que não posso falar do Benfica só porque não sou sócio…

  11. Faço aqui um apelo: Todos os que responderam a este inquérito e que são sócios dos sindicatos da FENPROF participem como delegados no congresso da FENPROF (é já em junho) e desafiem a liderança do Mário Nogueira (se os sindicatos tivessem muitos Mários Nogueiras e as escolas também muito se conseguia mudar para melhor)

  12. O problema é que foi no faceprof que deparei com este inefável post. E tive de responder. E resolvi vir aqui responder-lhe diretamente por merecer ler diretamente o que eu tinha para lhe dizer. Felizmente quando aqui voltei já deparei com um escrito seguinte bem mais “sensato”. Felizmente também começo a ver que há muita gente aqui também a comentar que já percebeu que longe de ser uma parte do problema o Mário Nogueira, com todas as virtudes e defeitos que tem é parte da solução dos professores e da escola. Daí que devesse cheirar muito mal a qualquer professor inteligente ver o Mário Nogueira atacado dia sim dia não pela escumalha comentadora que nos ataca também: Marques Mendes, Manuela Guedes, Sousa Tavares e outros que tais. Será que se eles achassem que estávamos mal servidos de sindicalista não o passariam a elogiar em vez de o atacar tanto? Porque é que tantos dos nossos “intelectuais” dos blogs embarcam na mesma campanha?

    • Eu sou coerente e independente. Elogio e crítico consoante a minha cabeça, já o provei no passado, provei no presente e continuarei a provar no futuro. Chama-se ter opinião própria…

      • Ter opinião própria na maioria dos casos chama-se achismo. É uma opinião pouco informada, pouco instruída e muitas vezes desviada da realidade e neste caso sem qualquer noção de nós sindicatos mandam os seus associados.
        E deixa-me rir com outra das suas opiniões próprias quando diz que os alunos mal comportados dos cursos profissionais deviam ser obrigados a cumprir serviços militar. Esta é delirante e sem qualquer noção de que para propor coisas sérias elas têm que ser, pelo menos possíveis de ser realizadas.
        Mas continue com os seus achismos e sem se informar devidamente, porque algumas das opiniões que emite são para manter mim bom momento de diversão pois me causam riso de tão ridículas que são.

        • Ridículo é aquele que não aceita a opinião contrária, mas se estou assim tão desviado da realidade, envie-me um texto com a sua argumentação que seguramente também me dará alguns momentos de riso… É que nem todos têm a coragem de expor as suas ideias, alguns ficam-se pela crítica fácil. Tão fácil e ridícula, quando não entendem minimamente o que se escreve, como no caso do texto do serviço militar. Onde é que limitei o serviço obrigatório aos cursos profissionais? Onde é que limitei o texto a simples alunos mal comportados? E já agora, saiba que esse texto ridículo conta com mais de 100 mil visualizações… afinal, quem é que está do lado contrário à opinião generalizada?

          Leia, mas saiba ler, pode rir à vontade, mas saiba ler…

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