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Professores e mudança

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quadroA partir desta entrada, aqui mesmo no ComRegras, deixo dois apontamentos de escrita sobre uma mesma ideia – os professores e a mudança.

Primeira ideia, ser professor (ou ser alguma coisa) implica a existência de modelos, uma ideia sobre o que é ser. Por um lado, modelo de sermos o que somos, de identificação com uma cultura (ou lógica) profissional. Na generalidade das situações este modelo pedagógico de se ser professor é cerzido tendo por base dois elementos. Um primeiro decorre daqueles que tivemos como professores, que nos marcaram, os que por nós passaram e aquilo que nos deixaram. Um segundo, assenta naquilo que nos forneceram (ensinaram) aquando da formação inicial. Estas bases de um qualquer modelo de se ser professor pressupõem regras (escritas ou nem por isso), formas de relação e de relacionamento (com os pares colegas, mas também com os alunos), ideias sobre o papel, as funções e os objetivos de cada um (quem ensina, como se ensina, quem aprende como se aprende). Pressupõem a existência de modelos de sala de aula, de dinâmicas de trabalho, mesmo que possam variar em função das disciplinas ou de meras considerações (políticas, profissionais, sociais, familiares). Por vezes são modelos que assumem dimensões claras e óbvias outras nem por isso, mais culturais e integradas no nosso pensar e que, por vezes, não verbalizamos ou nem damos conta integradas que estão em nós (como nos vestimos, as malas e acessórios que carregamos, a forma de comunicação dentro e fora da sala de aula, as concepções, ideias e modelos do que somos).

Segunda ideia, mudar implica um pretexto. Pretexto que pode ser um qualquer, óbvio ou nem por isso, claro ou nem tanto. Não é necessariamente um ato legislativo que nos faz mudar, não é uma conversa ou a existência de mais ou menos recursos ou condições. Nesta área, as políticas educativas ilustram isso mesmo. Mudar é ou pode ser tão simples quanto um mero pretexto. Pode ser o meu estado de espírito, a conjugação das forças lunares, uma (in)disposição, uma palavras ou sugestão (de um colega, de um aluno, de algo que associamos à forma de sermos professores). Ou pode ser uma sugestão (um pretexto) dado e que, naquele momento e que na conjugação daquelas circunstâncias aceitamos, toleramos, damos o benefício de dúvida, não impedidos que aconteça. E nós mudamos. Mudam práticas e, por vezes, formas de encarar a profissão, a relação que ela pressupõe (entre aluno e professor, ensinar e aprender, como ensinar e como aprender).

Entre os modelos que temos na cabeça de ser professores e o pretexto de mudar vai todo um campo de manobra que direi que é composto por uma geografia variável em função de muitos e diversificados fatores. Mas pressupõe duas situações. Persistência e coerência.

Para mudarmos precisamos de apoio, de sermos coerentes, de persistir e insistir. Mudar implica, necessária e obrigatoriamente, aprender com os erros, errar e saber onde voltar para corrigir. Mudar implica tempo, que nunca temos, que raramente encaramos.

A situação que esteve na origem deste texto muito provavelmente ter-se-á integrado na prática do colega. Existe aceitação, existe integração.

Não mudamos não por não querer nem por não saber. Não mudamos porque não temos tempo, companhia, apoio, resiliência ou simplesmente teimosia. Aqui, as lideranças, sejam elas de topo ou intermédias (ou apenas o colega) são determinantes, fundamentais em assegurar a mudança. Nunca teria alterado a minha prática profissional se um diretor não tivesse permitido. Tivesse sido pela omissão ou pela simples confiança que colocou em mim e no meu trabalho.

Manuel Dinis P: Cabeça

coisas das aulas

14 de novembro, 2016

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