Início Editorial Professores do 1º ciclo, não cumpram o currículo!

Professores do 1º ciclo, não cumpram o currículo!

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“Sabemos, por exemplo, que houve uma antecipação de conteúdos e sabemos que estão a ser dados conteúdos aos alunos do 3.º ano que antes eram dados aos alunos do 5.º ano. E os alunos não estão preparados para isto

Secretário de Estado João Costa

Ninguém vos vai dizer isto oficialmente, mas nenhum professor do 1º ciclo deve cumprir aquilo que é aceite pela generalidade dos professores/pais como algo prejudicial ao desenvolvimento das crianças. O próprio Ministério da Educação já reconheceu que o programa do 1º ciclo está desajustado, é muito extenso e os professores devem focar-se nas Aprendizagens Essenciais.

Está a ser cometido um crime educativo no 1º ciclo e é preciso pará-lo quanto antes. O Ministério da Educação já retirou os exames no 4º ano, por isso já não existe aquela pressão louca de “enfiar” toneladas de matéria pela “goela” dos alunos, semelhante ao que se passa no Ensino Secundário…

Já o disse e volto a reafirmá-lo, Nuno Crato deu cabo do 1º ciclo, prejudicou sem perdão uma geração de alunos que não tem maturidade suficiente para absorver certo tipo de conteúdos.

O que proponho é com elevado sentido de responsabilidade, não o faço de animo leve, professores e diretores devem colocar sempre o interesse do aluno em primeiro lugar e todos constatamos que esse interesse está claramente posto em causa.

Não acredito que alguém irá apontar o dedo aos professores do 1º ciclo que abdicam de conteúdos que vão ser repetidos no 2º ciclo. A verdade é mesmo essa, há conteúdos que voltam a ser dados no 2º ciclo, com mais pormenor naturalmente, mas o facto é que voltam a ser lecionados. Há que criar os alicerces para os alunos compreenderem conceitos futuros e não faz sentido apressar algo que colocará em causa a estabilidade do edifício educativo.

É um total absurdo o que se está a passar no 1º ciclo e apesar de não ser justo, pois não devia ser da sua responsabilidade, devem os professores corrigir o que Nuno Crato fez e que este Ministério da Educação tarda em resolver.

Há momentos que o cumprimento do dever passa por não cumprir o que nos é devido…

Alexandre Henriques

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9 COMENTÁRIOS

  1. Pois, pois, Alexandre Henriques… Não cumprir os programas curriculares e, tal como no ano anterior, provas draconianas, mesmo , mesmo à séria, para miúdos do 2º ano de escolaridade… Os professores do 1º Ciclo não são estúpidos! E , volto a dizê-lo, acho os programas francamente desadequados…
    Agora experimente , provavelmente, tê-lo-à feito, em analisar a ´´máquina” montada para as provas de aferição… Acha que a prova é mesmo só para ver se a ´´coisa” vai ”benzinho”? Não se tiram ilações sobre quem ensina?
    Com o pormenor de que, na área, de Expressões, devem haver mesmo provas, à séria, … Não é?

    • Tem consciência que os professores dizem que o programa é gigante e não está adaptado aos alunos? Então qual é a proposta que o Afonso apresenta para aplicar já este ano??? Ou os alunos que estão no 2º, 3º e 4º ano não interessam?

  2. Não foi com isso que eu concordei? O que digo é que se há um problema o Ministério da Educação que o corrija e não atire o ónus para os professores! O problema é que não há coragem política, mais nada!

  3. Alexandre, meu caro amigo, um professor do 1.º ciclo não leccionar o currículo?
    Os professores do 1.º Ciclo nem autonomia têm para adaptar os seus instrumentos de avaliação à turma que leccionam. Fazem testes sumativos IGUAS, para se poder aferir se estão a leccionar ‘BEM’ a matéria. Cumprem uma planificação IMPOSTA por COORDENAÇÕES de ANO, estruturas arcaicas do tempo do Decreto-Regulamentar 10/99,(que ainda subsistem) QUE NÃO SE ADEQUAM A TURMAS MISTAS!!!!
    Coordenação do 1.º Ano, do 2.º, do 3.º e do 4.º Ano. E quem tem dois anos (ou três, ou quatro) por turma?? Vai à Coordenação de que ano? Vai ‘feliz e contente’ à coordenação do ano em que a turma tem mais alunos. QUE LÓGICA! Os outros alunos não precisam de trabalho de equipa, de avaliação em equipa, de votação em caso de necessidade de ‘parecer’ do Conselho de docentes…
    Porque são menos, não contam.
    Então, achas que estes profissionais vão ter a iniciativa de escolher no currículo aquilo que sabem que os seus alunos não têm maturidade de assimilar?? Coitado daquele que o fizer. Não cumpre. Opõe-se à direcção, a quem manda! E quem manda, sabe!! Mesmo que nunca tenha convivido com as especificidades da monodocência ou outras do 1.º ciclo.
    Estamos sem autonomia, sem respeito (no geral), sem reconhecimento do trabalho excessivo, extenuados, à mercê das palavras mal intencionadas de qualquer um que nos pretenda difamar… Somos a ralé deste sistema ‘reles’ de anulação de uma classe profissional, a parte mais fraca da corda!!!!!

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