Home Notícias Professores de “risco” metem baixa e falham apresentação nas escolas

Professores de “risco” metem baixa e falham apresentação nas escolas

2394
1

Nem todos os professores colocados apresentaram-se esta terça-feira (1 de setembro) nas escolas, quando faltam duas semanas para o arranque das aulas. Muitos docentes que fazem parte dos grupos de risco optaram por apresentar atestados médicos.

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolas e diretor do Agrupamento de Escolas de Cinfães, Manuel Pereira, conta que há docentes que estão a apresentar baixas para não dar aulas fisicamente.

Ao Jornal do Centro, o responsável reconhece que, face à atual situação de pandemia, torna-se “normal” que “alguns professores e operacionais não se sintam com condições para irem trabalhar porque têm limitações físicas ou outras de saúde, nomeadamente diabéticos, doentes oncológicos e hipertensos”.

“A lei permite que eles apresentem, na escola, um documento a indicarem a limitação para o trabalho e até a pedirem teletrabalho se for o caso. Nós sabemos de vários casos que já apresentaram o pedido nessas escolas e é possível que ainda haja muitos a fazerem isso esta e na próxima semana”, diz.

Segundo Manuel Pereira, as escolas aguardam agora por informações do Ministério da Educação sobre a resolução destes casos. “Nós só vamos substituir se tivermos autorização, mas os professores que forem substituídos não perdem direitos”, frisa.

O diretor de Cinfães diz que é possível fazer com que os docentes “deem aulas a partir de casa aos alunos da escola”, mas admite que o mais difícil será no acompanhamento.

“Se a escola tiver um ou dois casos, não me parece muito difícil. Mas, na maior parte, não temos recursos humanos para acompanhá-los nestas circunstâncias”, alerta.

 

Fenprof responsabiliza Governo

Entretanto, a Fenprof responsabilizou o Ministério da Educação pela abertura do ano escolar, em regime presencial, sem alegadamente ter assegurado as condições de segurança sanitária necessárias nos estabelecimentos de ensino.

“As condições que se exigem para uma abertura das escolas não foram criadas”, afirmou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, numa sessão na Escola Básica do 1.º Ciclo Solum Sul, em Coimbra, com a presença de professores e jornalistas.

Para Mário Nogueira, “o ensino presencial é essencial” para devolver alguma normalidade às escolas, já que “o ensino remoto, outra vez, seria trágico” para alunos, professores e pessoal auxiliar.

Face à pandemia da covid-19 e ao risco de contágio das pessoas pelo novo coronavírus, detetado em dezembro em Wuhan, uma cidade do centro da China, o início das atividades letivas, entre os dias 14 e 17, deveria ser acompanhado de “medidas rigorosas que garantam que essa possibilidade é reduzida ao máximo”, defendeu em declarações aos jornalistas no final da iniciativa com que a Federação Nacional de Professores assinalou a abertura do ano escolar.

“O Governo perdeu dois meses, julho e agosto, para poder melhorar” as medidas sanitárias, cumprindo as orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS), criticou o dirigente sindical.

Algumas dessas medidas “não cumprem as normas da DGS”, adiantou.

Mário Nogueira voltou a defender, por exemplo, que o Ministério da Educação deveria ter efetuado “um rastreio à covid-19 a toda a comunidade escolar”.

Nesse rastreio, “prévio ao início das atividades letivas”, caberia ao Governo “articular com os municípios a sua realização”, de acordo com o “Plano para a abertura segura do ano letivo 2020-2021 em regime presencial”, proposto pelo secretariado nacional da Fenprof, no dia 30 de julho.

“Não há rastreio, não há distanciamento, não há pequenos grupos de alunos e também falta pessoal. O Ministério da Educação esteve dois meses a dormir”, acusou.

Mário Nogueira disse que, na sexta-feira, a Fenprof “voltou a pedir” uma reunião com o Ministério para analisar estes problemas, depois de nos últimos meses ter feito várias vezes a mesma solicitação sem sucesso.

Idêntico pedido foi dirigido à DGS, por oito vezes, mas a organização não obteve resposta, lamentou.

As aulas no novo ano letivo 2020/2021 começam a partir de 14 de setembro.

Fonte: Jornal do Centro

1 COMMENT

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here