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Professores. A voz de quem faz greve

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Há duas semanas que está a decorrer a maior greve de professores desta legislatura. O i ouviu vários docentes para perceber os motivos da contestação e o clima que se vive nas escolas  

“São poucos os adjetivos para conseguir descrever o sentimento”, diz Maurício Brito. Mas, no leque de opções, o professor de Educação Física do agrupamento de escolas de Ponte Lima ainda encontra palavras como enganado, injustiçado, revoltado ou magoado. É este o estado de espírito de quem dá aulas há 23 anos e ouve o ministro da Educação e o primeiro-ministro dizerem que os últimos nove anos, quatro meses e dois dias do seu trabalho não vão ser tidos em conta para efeitos de progressão na carreira e acertos salariais.

Maurício Brito não está sozinho. O sentimento é partilhado por milhares de professores que há duas semanas estão em greve às avaliações, o que já levou largas centenas de reuniões de Conselhos de Turma – onde são aprovadas as notas dos alunos – a serem adiadas entre seis e oito vezes.

“Sinto uma grande desmotivação. E não sou só eu. Estou a falar-lhe de todos os professores”, desabafa Celeste Oliveira, professora há 33 anos das disciplinas de Português-Francês, de momento colocada do Agrupamento de Escolas de Azeitão. Também o professor de Matemática na Escola Secundária da Amadora, João Narra, confessa que se sente “traído, desiludido e sem expectativa alguma”.

“A desmotivação é natural e muito grande. Já vem arrastada de há muitos anos”, continua Maurício Brito, para quem não é fácil conciliar estes sentimentos com o dia a dia na escola. Tem de dar o seu melhor aos alunos sem ver “reconhecimento” do seu trabalho.

Apesar do descontentamento e desânimo que impera nos corredores das escolas, os professores, ouvidos pelo i, avisam que estão com força para protestar e que “não há outro caminho que não a greve”, sendo esta a “arma” da classe, frisam. E a determinação e união dos professores em torno da greve está a cimentar “movimentos espontâneos” que estão além dos sindicatos, dizem em uníssono os três docentes. “Por nove anos de serviço até perco as férias se for preciso”, faz saber João Narra, que dá aulas há 23 anos. “Vou continuar a faltar até onde pudermos”,  frisa também Celeste Oliveira.

Este é o momento mais tenso que se vive no mundo da Educação desde que este governo tomou posse, com um braço de ferro que, para já, não tem fim à vista. Além das greves já agendadas até ao final de julho, em cima da mesa há ainda paralisações previstas para 14 de setembro, dia em que começam as aulas do próximo ano letivo, e para quatro dias da semana de 5 de outubro, quando se assinala o Dia Mundial do Professor.

Todos os docentes com quem o i falou dizem não ter tido dúvidas em aderir às greves. “A revolta é muito grande”, avisa Maurício Brito, sublinhando que não estão dispostos a ceder.

Balanço. Largas centenas de reuniões adiadas

(Jornal I)

Vamos para uma semana decisiva…

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