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“Professora, fale para a câmara que tiver a luz vermelha, não olhe para a luz, mas para a lente”

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Estamos nos estúdios de “O preço certo”, na RTP. Mas os aplausos sonoros que se ouvem nada têm a ver com um preço de um produto que foi adivinhado por um concorrente do concurso apresentado por Fernando Mendes ou pela roda de prémios que parou na quantia mais alta: Rute Magalhães, professora de Português do Terceiro Ciclo e Ensino Secundário, acaba de dar a primeira aula do “EstudoEmCasa”, o tele-ensino – antiga telescola -, que a RTP Memória começa a exibir, esta segunda-feira, a partir das 9 horas e que se destina a alunos entre o primeiro e o nono ano.

“Estou toda suada”, desabafa à produção a docente de 46 anos, depois de ter enfrentado as câmaras pela primeira vez. À semelhança dos outros professores, Rute Magalhães não teve qualquer formação televisiva e a única aprendizagem que fez durou 20 segundos: “Professora, fale para a câmara que tiver a luz vermelha, não olhe para a luz, mas para a lente”, sugere Ana Azinheira, a realizadora.

Não há teleponto para seguir e os 30 minutos passam como se de uma aula se tratasse – os enganos são corrigidos como se estivesse em direto, como aquele vídeo que não chegou a mostrar por falta de tempo – e não há paragens na gravação.

Rute Magalhães passa a meia hora entre a secretária perto de um esqueleto, livros e alguns lápis de cor por trás e o quadro eletrónico onde expõe as suas ideias. Uma verdadeira sala de aula, que, de “alunos”, tem apenas a responsável pela língua gestual, dois câmaras, a realizadora e o produtor Vasco Barão.

Aos bastidores vão chegando os outros professores, também eles sem experiência de televisão. A docente de ginástica – “de Educação Física!”, apressa-se a corrigir -, traz um top cor de rosa que condiz com as meias de lã e desperta a atenção da produção, que a questiona se não tem outra muda de roupa. Perante a confirmação, é a professora a lançar uma dúvida pertinente: “Vou usar microfone? É que vou ter de dar saltos e acelerar a respiração”. A equipa dos bastidores descansa-a: “está tudo controlado”.

Sete horas já gravadas

Fora do estúdio, um responsável pela luz puxa do cigarro e comenta com o JN as dificuldades dos colegas que estão em casa por causa do novo coronavírus.

Este profissional teve sorte: passou diretamente de “O preço certo” para o “EstudoEmCasa”, mas muitos amigos atravessam dificuldades. Olha para o quadro com os horários do tele-ensino e faz as contas: a RTP tem uma semana de gravações de avanço, o que significa entre 12 aulas de 30 minutos cada, num total de sete horas das 900 acumuladas que a RTP espera emitir.

Para Rute Magalhães este foi um dia diferente: deu duas aulas de meia hora cada, só teve seis minutos (contados) para mudar de roupa e falhou a participação no programa em direto de Tânia Ribas de Oliveira. “Tenho saudades é de uma sala de aula“, confessa, à despedida da nossa reportagem.

As orientações para as aulas partem do Ministério da Educação e da Direção-Geral de Educação com diretrizes das temáticas que os professores podem abordar. As obras, no caso do Português, por exemplo, serão de Educação Literária, das metas curriculares e do Plano Nacional de Leitura.

Segundo declarações anteriores do secretário de Estado da Educação, João Costa, estão envolvidas neste projeto quatro escolas, que preferem não ser reveladas. O responsável referiu que “há custos envolvidos com as escolas, relacionados com deslocações e trabalho adicional”, havendo cerca de 100 professores envolvidos.

Como o projeto arrancou

Gonçalo Madail, diretor da RTP Memória, recorda como começou a ser desenvolvido o “EstudoEmCasa”.”Este projeto surgiu da parceria do Ministério da Educação com a RTP, que se mostrou desde logo disponível para apoiar com as suas competências. Assim que o Ministério decidiu avançar, criou-se uma equipa conjunta de trabalho, entre esta entidade, a RTP e a Direção-Geral de Educação”.

“O debate foi sempre ágil e aberto, tendo o Ministério da Educação e a Direção-geral de Educação a responsabilidade sobre os conteúdos pedagógicos educativos, bem como a organização do corpo de professores, ficando a RTP com a responsabilidade de conceber um modelo de emissão e grelha de programas, a gestão do projeto do ponto de vista programático e técnico, ou seja, produção e realização, assim como o trabalho criativo da marca e da linguagem geral desta emissão”, concluiu Gonçalo Madail.

O diretor da RTP Memória refere que o canal conta com “cerca de 40 profissionais para este projeto, na vastíssima maioria profissionais da RTP”. “Apenas alguns profissionais do setor de Produção e Realização foram contratados com o objetivo claro de proteger as equipas da RTP em certos setores para assegurar uma prestação de serviço público (particularmente na Informação) consistente, defendendo assim o próprio plano de contingência da RTP e as medidas de proteção sanitária para os seus profissionais”.

Fonte: JN

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