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Professora de português absolvida de passar enunciado de exame a aluna

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A professora de português Edviges Ferreira foi, no mês passado, absolvida de ter dado a uma aluna o enunciado do exame nacional da disciplina que lecionava. Segundo o “Público”, o Tribunal Criminal de Lisboa invocou o principio de que, em caso de dúvida, o réu é ilibado.

Além de ter sido contabilizado um universo de 54 pessoas com potencial acesso à prova antes da sua realização, uma das considerações que consta na sentença aponta para o fraco desempenho da aluna que terá tido informações sobre a matéria que iria sair no exame de 2017: “Não é crível que uma aluna que soubesse especificamente os temas que iriam sair no exame apresentasse tão parca classificação”.

Agora, a professora, que na altura era presidente da Associação de Professores de Português, desencadeou um processo contra o Estado nos tribunais administrativos para ser indemnizada pela situação, ação esta que já foi, inclusive, contestada. Além disso, o Ministério Público garantiu que vai recorrer da decisão e a tutela disse ao “Público” que “o Instituto de Avaliação Educativa, que é a entidade participante e que se constituiu como assistente no processo-crime, vai recorrer da decisão de primeira instância”. Para o Ministério da Educação, a decisão “não põe em causa na generalidade, a matéria de facto apurada pelo Ministério Público e pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência”.

Já Alexandre Mota Pinto, advogado de Edviges Ferreira, diz não perceber “como é que se demite compulsivamente uma professora com 44 anos de dedicação ao ensino apenas com base num ruído público ao qual ela foi alheia”.

A docente foi acusada em 2017 pelo Ministério Público dos crimes de violação de segredo por funcionário e de abuso de poder e, antes de o julgamento começar, em 2019, Edviges Ferreira foi demitida pelo Ministério da Educação, no âmbito de um processo disciplinar. As suspeitas sobre esta professora começaram quando foi conhecida uma gravação áudio partilhada por WhatsApp por uma aluna. A ex-presidente da Associação de Professores de Português foi auditora do exame de Português e terá continuado a dar explicações a alunos que iriam fazer o exame.

“Ó malta, falei com uma amiga minha cuja explicadora é presidente do sindicato de professores, uma comuna, e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo e só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX. Ela sabe todos os anos o que sai e este ano inclusive”, ouve-se na mensagem enviada. No entanto, ouvida pelo tribunal, a aluna que escreveu a mensagem disse ter ouvido a informação numa tabacaria e que inventou a parte de ter falado com uma amiga para dar mais credibilidade à informação.

Fonte: Expresso

1 COMMENT

  1. Conclusão: a menina é uma mentirosa e há professores que, se tivessem ética (que não têm) não deveriam dar explicações privadas, nem aos próprios alunos (que os há) nem aos alunos da escola onde lecionam (que os há).
    Em Lisboa, isso é o pão de cada dia e todos assobiam para o lado, enquanto o mercado das explicações prolifera. Só para matemática do secundário, são 50 patacas à hora. É para quem quer e quem pode. Isto é que é um ensino igualitário.

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