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Professora com 66 anos entra no quadro. Uma escolha ou falta de vagas?

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Cada caso é um caso, mas não acredito que na maioria destes casos, a entrada no quadro acima dos 60 anos de idade, esteja condicionada à falta de vagas a nível nacional.

Há escolhas que são feitas, e muitos professores preferem ficar perto da família, perto dos seus amigos, perto de outras oportunidades profissionais, abdicando de uma vaga de quadro longe dos seus.

Não crítico, cada um faz as suas escolhas, não devemos é “chorar” por elas, quando escolhemos algo conscientes das vantagens e desvantagens.

Quem vos escreve é professor de quadro há pouco mais de uma década, mas para o conseguir, teve de afastar-se 400 km da sua cidade. Foi uma escolha, assumo a escolha. Só foi pena ter apostado numa carreira que congelou logo após a minha entrada no quadro…

Alexandre Henriques

Tem 66 anos e no próximo dia 1 de Setembro vai pela primeira vez apresentar-se numa escola como professora do quadro para integrar o grupo de recrutamento de Educação Especial. Para trás ficam 17 anos a contrato.

Esta docente, que foi uma das candidatas mais velhas, conseguiu a vinculação por via do concurso externo extraordinário, um dos dois que foram abertos para garantir que, no total, o número de docentes que entram agora para o quadro seja igual ao do ano passado. Esta foi uma imposição da Assembleia da República, que se encontra inscrita no Orçamento do Estado para 2018. No conjunto entraram no quadro 3486 docentes para um total de cerca de 68 mil candidatos. No ano passado tinham-se candidatado 11.820 docentes. As listas definitivas dos concursos foram conhecidas nesta terça-feira.

No concurso externo extraordinário, pelo menos 46 candidatos dos candidatos à educação pré-escolar, 1.º ciclo do ensino básico e à educação especial têm idades acima dos 58 anos. No concurso externo ordinário estão nesta situação cerca de 120 candidatos. Pelo menos três conseguiram entrar no quadro: uma docente da educação pré-escolar com 60 anos, que esteve cerca de três décadas a contrato; e dois professores do 1.º ciclo, com respectivamente 59 e 58 anos. O primeiro tem também quase três décadas de contratos. A segunda ia agora entrar no sexto ano nesta situação.

Este último concurso é destinado sobretudo aos contratados aos quais o Estado é obrigado a garantir a entrada no quadro devido à chamada “norma-travão”, que decorre de uma imposição da Comissão Europeia com vista a impedir o recurso abusivo aos contratos a prazo. Esta norma começou por se aplicar aos professores com cinco contratos anuais sucessivos e desceu agora para três anos, mas só abrange os docentes que tenham sido sucessivamente contratados para dar 22 horas semanais (horário completo) durante todo o ano lectivo.

Nos últimos dois anos entraram nos quadros cerca de sete mil professores ao abrigo dos processos de vinculação extraordinária e da aplicação da “norma-travão”. A estes somam-se mais cerca de cinco mil que se vincularam durante a anterior tutela de Nuno Crato.

Nos dois concursos externos os dois grupos de recrutamento (disciplinas) em que se registou um maior número de vinculações foram os da educação pré-escolar (170), Matemática (391) e Educação Especial (454). No concurso extraordinário junta-se a estes o grupo de Informática com 148 vinculações.

Fonte: Público

1 COMMENT

  1. É verdade, Alexandre.

    Anos e anos a concorrer a nível nacional e a ser colocada desde Bragança ao Alentejo profundo, de este a oeste porque quis investir na carreira e era o que gostava de fazer.
    Precisava, também, de começar a ganhar um ordenado e a deixar de sobrecarregar a família.
    Foi uma opção e uma necessidade.

    Hoje, após 40 anos deste trabalho, cheguei ao topo da “carreira”. Apanhei todas as mudanças que se possam imaginar em termos legislativos e pedagógicos. E quando leio que sou privilegiada, traidora ou egoísta, já não se me soltam as palavras como há anos atrás.

    Não vale a pena.

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