Início Editorial “Professor, preciso de um 17 para entrar no quadro de honra”

“Professor, preciso de um 17 para entrar no quadro de honra”

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Foi frase repetida por vários dos meus alunos onde apenas mudava o valor em causa… Normalmente a frase fica associada a uma outra muito interessante, “professor, mas eu esforço-me muito”, a que eu normalmente respondo “eu quando era aluno também me esforçava muito a física e química e não passava do 10… o esforço é importante mas o saber/fazer ainda é mais…

Compreendo que alguns alunos têm fortes ambições, terminaram o ensino básico com uma pauta cheia de cincos e estão obrigados formatados para atingir grandes notas. A exigência é boa e permite evoluir, sobre isso nada contra, mas em excesso é altamente perigosa.

O problema é que não é a primeira vez que o quadro de honra vem à baila como argumento para “pressionar” o professor a atribuir a nota “x” ou “y”. Esta postura não é exclusiva dos alunos, pois nos conselhos de turma são os próprios professores que “pressionam”, meio a brincar meio a sério, para a subida de um ou dois valores.

Como eu referi aos meus alunos, o meu trabalho e a minha avaliação não pode estar refém do quadro de honra, o quadro de honra é um mecanismo interno para incentivar e valorizar os melhores, mas não tem como objetivo desvirtuar a realidade, inflacionando classificações. “Vocês têm aquilo que eu julgo que merecem, baseando-me no vosso desempenho e seguindo critérios aprovados pela escola”.

Até que ponto os prós do quadro de honra são superiores aos seus contras?  Numa idade onde a imagem é tudo e onde rapidamente se passa do orgulho moderado para a altivez e arrogância, deve a escola permitir esta espécie de mini-rankings?

Uma coisa é certa, a obsessão de alguns alunos pelas médias e quadros de honra é tudo menos salutar e depois dos últimos dias fiquei com a sensação que a melhor prenda de natal para estes meninos e meninas, é ter a sua carinha exposta atrás de um vidro…

Alunos e já agora pais, o que interessa são as aprendizagem, o resto é folclore meus caros…

Alexandre Henriques

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3 COMENTÁRIOS

  1. É também p problema de, até ao nono ano, a classificação se situar entre o 1 e o 5. Isso mascara muita coisa e não dá às pessoas o sentido do real. Fosse em que ciclo ou nível de ensino fosse, as classificações deveriam ser entre o 0 e o 20.

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