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O primeiro ciclo também pensa

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Manter durante uns anos um blog razoavelmente visitado,  não é tarefa fácil.

Muitas vezes pensei em desistir. Uma delas foi quando uma página anónima “Quem se preocupa com os professores do primeiro ciclo” me acusou de plágio.  Sempre que os citava usava aspas, e a identificação possível, pois trata-se de um página eternamente anónima. O que prova que há medo entre alguns professores do primero ciclo, ou que têm alguma coisa a esconder. Hoje em dia sobrevivem do que alguns blogues publicam, e perderam o fulgor editorial de outros tempos.

Não escondo que defendo o regime de aposentação especial, com contagem de tempo diferenciada apenas nos anos em que o professor trabalhou como titular de  turma. Escrevo contra mim que estive 10 anos no ensino especial, 2 em coordenação de bibliotecas e 5 nos apoios educativos.

As turmas mistas com vários anos de escolaridade, e alunos NEE em excesso continuam, apesar de sermos um país com professores a mais.  Curioso é que numa aula em que substituía o professor titular (a faltar), com uma turma de dois anos de escolaridade (mas que na prática tem três)  fui surpreendido com entrada de duas professoras de inglês. Fiquei esclarecido, e contente por este grupo disciplinar ter conseguido aquilo que a monodocencia raramente  consegue; um trabalho letivo com coadjuvante em turmas com vários anos de escolaridade.

Entretanto a “envagelização”  como lhe chama o colega Paulo Guinote, prossegue a bom ritmo, mas com muitas dúvidas dos intervenientes no terreno e sem que os verdadeiros problemas sejam solucionados: indisciplina, com a tortura de lecionar  turmas com alunos mal-educados e desinteresssados, (situações a que alguns professores dão a resposta adequada) turmas com alunos em excesso, turmas mistas com alunos NEE em excesso, com mais apoios, mas sem deixarem de ser um fator de trabalho extra e desespero dos titulares dessas turmas.

Duilio Coelho

5 COMMENTS

  1. Continuam e eu sinto-o na pele todo os dias, assim como os meus alunos. É uma turma com três níveis, mas que na verdade são quatro , com oito alunos repetentes e cinco NEE. A juntar a isto, alunos com péssimo comportamento e graves problemas emocionais. Sinto-me impotente para ajudar os meus alunos.

  2. Infelizmente não são casos pontuais. Faltam vozes para exprimir esta revolta, até porque o silêncio dos que tem (turmas) realidades menos más é ensurdecedor.

  3. Lecionar  turmas com alunos mal-educados e desinteresssados, no primeiro ciclo exige estratégias diferenciadas por parte dos professores. Um contacto constante, diário, com o Encarregado de Educação,  (por exemplo) com a utilização de grelha semanal no caderno de casa, com a matéria leccionada e todos os comportamentos diários do aluno (abrangendo até as atividades extra currículares)  assinados diariamente pelo Encarregado de Educação.

  4. Todos sabemos por que motivo “o silêncio é ensurdecedor.” Basta pôr os olhos na minha pessoa. Colegas com menor graduação, que se apresentaram ao serviço durante o ano letivo de 2016/2017, em condições de lecionar a respetiva turma, enquanto eu fiquei a aguardar uma ‘bendita’ Junta Médica (que nunca se realizou) para me converter a componente letiva em não letiva, estão em ‘Projetos’ disto e daquilo, andam de escola em escola, dentro do Agrupamento…
    Da minha parte, tenho uma turma, reconhecimento algum tive do esforço que fiz para melhorar o funcionamento do local onde trabalhei. As Formações que fiz, pagas do meu bolso, nunca serão rentabilizadas.
    Alegadamente, continuam, em público, as referências à minha pessoa como sendo causa de má imagem, não porque faça algo errado, mas porque divulgo MÁS PRÁTICAS!!
    Então??
    Quem se quer sujeitar a sanções do género? O melhor mesmo é sofrer em silêncio.

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