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Precisamos de uma nova vaga de diretores escolares?

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Há dias um colega ligou-me a perguntar quais os requisitos legais para se ser diretor. Quando lhe perguntei o motivo da questão, respondeu-me num tom desiludido que o “seu” diretor já não tem capacidade para aguentar o barco, principalmente na época em que nos encontramos.

Afirmava ao mesmo tempo que era preciso mudar mentalidades nos cargos diretivos e afastar quem fez do cargo carreira e esqueceu-se do que é ser professor.

Cada escola tem o seu diretor e não vou julgar quem não conheço, direi apenas que uns serão maus e outros serão bons, tal como constatei ao longo da minha carreira docente. Julgo que o problema maior reside no autoritarismo que o atual modelo de gestão fomenta, é um cargo muito centrado em si mesmo, onde o diretor se confunde com lei ou mesmo “Deus” de algo que não é seu. Infelizmente alguns sofrem de “diretorice” aguda e esquecem-me que estão na mesma equipa do aluno, professor, funcionário e encarregado de educação…

Todos sabemos que uma escola é uma microssociedade, que deveria representar o pilar mais básico da democracia, a liberdade e o equilíbrio de poderes. Julgo que ambas estão fortemente comprometidas com o atual modelo de gestão e lamento que os anos passem e não se vislumbre qualquer interesse em mudar algo que é prejudicial a TODOS, inclusive aos próprios diretores.

Fica o artigo de Margarida Amador que toca em pontos chaves.


Do que precisam os directores das escolas?

De que sentem falta os directores das escolas? Esta pergunta tem resposta imediata: de paz e sossego! E o que podem fazer para conseguir essa paz e sossego? Muita coisa! Gerir bem o stress, a agenda, as reuniões, a resiliência, a comunicação… Mais o orçamento, os recursos humanos, a inovação pedagógica, a segurança, a higiene… Enfim!

Se ainda não estávamos convencidos de que os directores de escolas abrangem uma série de diferentes funções, esta pandemia traz ao de cima a quantidade avassaladora de capacidades diversas que um director de escola tem de ter. Não sendo, habitualmente, gestor por formação académica, mas podendo contar na sua mochila com um curso de administração escolar, vê-se assoberbado de inúmeras tarefas, mais administrativas do que pedagógicas, mais de resolução de conflitos e problemas do que didácticas.
A disponibilidade espera-se que seja total e a capacidade para tomar decisões, imediata. Mas o que entendemos por disponibilidade? E como se pode estar disponível? Como se consegue pensar, avaliar e tomar decisões em tempo que não existe? Como se aprende a fazer isto?
Não há dúvida que os directores não têm um dia-a-dia fácil e que nesta fase de pandemia, tudo é novo e os problemas antigos parecem ter-se adensado. Mas afinal, do que precisam os directores? De ter a equipa certa? To get the right people on the bus, como dizia Jim Collins? E o que lhes pode trazer a equipa certa? A possibilidade de descentralizar, de confiar, de ser entendido, de não ter medo nem vergonha de errar. De deixar que as emoções sejam a bússola das necessidades, da escola, de todos e suas também? Habitualmente são as emoções que nos transmitem aquilo de que precisamos. Se soubermos ler as emoções e descodificar as mensagens e informação que encerram, ou seja, se tivermos desenvolvida a nossa inteligência emocional, conseguiremos perceber do que precisam os outros para se sentirem realizados, e poderem comprometer-se de forma genuína e empenhada, gerando maior produtividade e de forma eficaz.
Não há dúvida que este não é um tempo fácil para os directores das escolas, nem para outro qualquer líder. Lidar com a incerteza do que será o futuro e conseguir planear o mais possível dentro deste cenário de imprevisibilidade, não é nada fácil. Como prever as necessárias transformações face ao actual estado de incerteza? Quais as necessárias características dos novos colaboradores no quadro das novas exigências? Como reorganizar os recursos humanos? Como potenciar os talentos de cada um? Quais são hoje os motivos de inclusão, num mundo de diversidade maior do que nunca? Como tomar conta do mundo digital que tomou conta de nós?
Cada director, cada líder, ao aumentar o seu autoconhecimento, terá mais claro, aquilo de que precisa. Mais do que conhecimentos técnicos ou procedimentos de segurança e higiene, o seu desenvolvimento humano fará a diferença pois é o que o torna único e inigualável. Aquilo que é e como usa o seu potencial na gestão das pessoas e dos processos. Sim, porque as pessoas são insubstituíveis. Pode ser outro a desempenhar as mesmas funções, mas não é a mesma coisa!
Aquilo que nos diferencia é o que somos e não o modo como fazemos, pois quando não somos bons técnicos podemos sempre rodear-nos deles, mas quando não somos bons líderes, não conseguimos rodear-nos deles. É tempo para reflectir e investir no autoconhecimento dos líderes, só assim conseguirão perceber o que lhes faz falta. O que entendemos por liderança está a mudar se é que já não mudou.
O que se espera de um líder não é um ser autoritário, arrogante e prepotente. As expectativas estão em alguém que inspire uma organização e que sonhe um futuro arrojado, desafiante, com um potencial diferenciador e consiga comunicar de forma eficaz e influente; que seja a força da evolução dentro da continuidade. Alguém coerente e íntegro, onde o walk the talk tenha discrepância zero.
Já chega a pandemia para nos atormentar, que os líderes e concretamente os directores de escolas, consigam transmitir a inspiração necessária para a missão de ensinar e a motivar todos para a concretização actualizada dos seus projectos educativos. Autoconhecimento e desenvolvimento humano, precisa-se!
Fonte: Público

3 COMMENTS

  1. Precisamos de uma gestão democrática, com órgãos colegiais eleitos por todos, com lideranças melhor preparadas para o cargo.
    O problema é que se sentem intocáveis, subjugados pelos pais e alguns elementos do Cons geral.
    Eu continuo a dizer quer um líder é 70 a 75% relações humanas, o restantes parte técnica.

  2. Há uma série italiana chamada »doc» que trata de um médico diretor que era um pequeno ditador e que depois leva um tiro na cabeça, perde parcialmente a memória e torna-se num ser humano gentil e que deixou de ser chefe. Acho que uma boa alegoria sobre os nossos diretores, mais próximos da fase em que o protagonista desta série era chefe, pelo menos pela minha experiência…

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