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Precários??? E Professores a trabalhar de borla, quantos são?

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se-quisesse-trabalhar-de-borla-era-voluntárioMário Nogueira afirmou que são 53 mil os professores que trabalham em condições precárias. Subscrevo e tenho conhecimento de situações que deviam envergonhar quem nos governa(ou). Claro que haverá muitos que vão afirmar que os professores são uns privilegiados, e se calhar até somos comparando com a pobreza que rasga o país ao meio. Não vou chegar ao ponto de afirmar que 25 euros à hora é indigno como disse o Conselho Regional do Porto da Ordem dos Advogados, temos tendência para olhar para o nosso umbigo e falar exclusivamente sobre ele e por vezes sem vergonha na cara…

Só que mais grave do que foi referido pela FENPROF, é existirem professores a trabalhar sem ganhar um tostão, ou melhor, a darem algumas aulas em regime extraordinário sem a devida compensação.

Do que é que eu estou a falar? perguntam vocês…

Estou a falar de professores que são contratados já depois de se terem iniciado as aulas e que vão substituir um colega que por qualquer motivo andou a faltar e não lecionou “x” aulas dos cursos profissionais ou vocacionais. Para quem não sabe, estes cursos só terminam quando todas as aulas são lecionadas e não é caso virgem um professor ser colocado e ser “obrigado” a trabalhar mais do que consta no seu horário pois existe uma deadline que precisa de ser cumprida

Fica um momento de role play:

Direção: Muitos parabéns colega, seja bem-vindo à nossa escola.

Professor: Muito obrigado, podia mostrar-me o horário e quais as turmas que vou lecionar?

Direção: Claro, mas olhe temos aqui uma situação que precisa de ser resolvida… Sabe é que o 10ºC tem 56 aulas em atraso e eles têm obrigatoriamente de seguir para estágio a 1 de junho e por isso tem de repor a uma média de 4 aulas por semana.

Professor: Fora do horário?

Direção: Infelizmente…

Professor: E haverá compensação?

Direção: Espero que compreenda que a escola não tem verbas mas se preferir abdicar compreendo perfeitamente…

E aqui surge normalmente o conflito entre ficar mais algumas semanas no desemprego ou aceitar um horário que mete comida na mesa e acaba com todo o stress e ansiedade de estar em casa sem fazer nada. São poucos os que recusam e quem sou eu para os criticar.

Aliás, esta situação dos alunos dos cursos serem obrigados a ter 100% das aulas cria uma clara injustiça para com os alunos do ensino regular. Estes quando o professor falta ninguém vai repor aulas, se faltou faltou, que se lixe (e não venham cá com a treta das aulas do faz de conta substituições)… Sim, é verdade que para as disciplinas chiques ditas nucleares lá se arranja um ou dois tempos de compensação nem que seja camuflada como apoio e dada na componente de estabelecimento do professor. Mas para as outras, as disciplinas de segunda, se um professor faltar 3 meses, são 3 meses que foram e nunca mais voltam e se um aluno mudar de escola ou de turma lá vem a conversa, ele tem dificuldades, faltam-lhe bases, blá blá blá… pois faltam, faltam as bases de um sistema educativo equitativo e que dignifique os seus profissionais.

Fica a notícia:

Portugal tem mais de 53.000 docentes precários, muitos deles em flagrante situação ilegal

1 COMMENT

  1. … e já agora quando um professor de um curso profissional tem que faltar, um dia ou dois, é obrigado a repor essas aulas/horas, de acordo com os RI das escolas num curto prazo de tempo, que a maioria das vezes não é possível e, mesmo que o professor e os alunos façam horas extra repondo as aulas para lá desse prazo, os serviços administrativos e a direcção das escolas, marcam as respectivas faltas ao professor, descontando-as em dias de férias … se o professor contestar esta situação (repôs as aulas e descontam-lhe dias de férias, ainda é alvo de bullying por parte da direcção e dos directores de curso (que são normalmente quadros de escola mesmo não sendo das áreas da saída profissional do curso)!

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