Home Escola Português e Matemática não vão perder horas. Afinal, quem manda no Ministério...

Português e Matemática não vão perder horas. Afinal, quem manda no Ministério de Educação?

160
17

Aconteceu o que temia, o estatuto e a força que as disciplinas de Nuno Crato têm neste momento é tão forte, que até foram capazes de bater o pé às altas instâncias. O Ministério de Educação pode dizer o que entender agora, mas as palavras do Secretário de Estado João Costa, inclusive do próprio Ministro da Educação Tiago Rodrigues, apontavam claramente para cortes nas disciplinas de Português e Matemática.

“Tenho de emagrecer o currículo actual e fazer um reequilíbrio entre áreas – João Costa

Expresso.

 

Questionado sobre se as áreas sacrificadas são a Matemática e o Português, João Costa respondeu que “algumas terão de perder”.

Expresso

 

“Não há mais – e há muito que não as há – ciências dita “duras” e ciências dita “moles”, saberes essenciais e saberes dispensáveis; – Tiago Rodrigues

Público

 

E reparem bem na contradição do discurso de Lurdes Figueiral, presidente da associação de professores de Matemática.

A presidente da associação de professores de Matemática, Lurdes Figueiral, está ao lado da vontade do Governo. “O que é mais importante é nós proporcionarmos aos alunos um currículo equilibrado nos primeiros anos de aprendizagem. O privilegiar do português e da matemática que tem havido nos últimos anos prejudicou o equilíbrio, e no caso da matemática foi claríssimo, prejudicou a relação dos alunos com a disciplina. Não se trata de uma contagem de horas como quem conta espingardas.”

Expresso (18 de fevereiro)

Nunca foi posta em cima de mesa a redução da carga horária”, disse também ao PÚBLICO a presidente da Associação de Professores de Matemática (APM), Lurdes Figueiral

Público (10 de março)

Nunca???

E depois temos isto…

O Governo quer ainda reforçar as horas curriculares de projectos interdisciplinares que impliquem um trabalho entre professores e conteúdos de disciplinas diferentes.

Expresso

 

Por isso, vamos convidar cada escola a gerir uma parte substancial do tempo semanal, em projetos próprios construídos com as diferentes disciplinas. Esta flexibilização potenciará interdisciplinaridade, projeto e consolidação e aprofundamento de aprendizagens. João Costa

ComRegras

 

Em 2017, trabalharemos para promover uma maior articulação entre os três ciclos do ensino básico, atenuando os efeitos negativos das transições entre ciclos, assumindo uma gestão mais integrada do currículo e reduzindo a excessiva carga disciplinar dos alunos(…)

Orçamento de Estado 2017

Pelos vistos estamos perante um momento à Luís de Matos… Como é que as escolas vão gerir 25% do currículo para projetos, reequilibrar áreas curriculares, cortar em algumas disciplinas, reduzir a carga letiva dos alunos, tudo isto sem cortar no Português e na Matemática?

Lembro que a disparidade de horas para Português e Matemática é enorme, comparando com as restantes disciplinas e outros países europeus. Reparem no gráfico em baixo sobre o caso da Matemática.

Tinha altas expetativas sobre esta equipa ministerial e é pena que boas ideias sejam engolidas por interesses de bastidores. Depois de tudo o que foi dito, é legítimo perguntar, afinal, quem manda no Ministério de Educação? Aguarda-se pela concretização de todo este projeto, para perceber se o que foi dito até hoje vai efetivamente acontecer…

A partir de agora estou como São Tomé… ver para crer…

Português e Matemática não terão menos horas, garante ministério

(Público – Clara Viana)

17 COMMENTS

  1. Reduzir a carga horária dos alunos nas disciplinas consideradas “núcleo” até podia ser uma boa medida… Mas então que não sejam essas apenas as disciplinas que realmente contam na Avaliação Externa das escolas, nem dos professores. Querem imitar outros modelos europeus? Ótimo! Mas haja a congruência de estabelecer exames finais de ciclo a TODAS as disciplinas. E, no caso do Português, que não seja a única disciplina que é objeto de exame quer no 9º, quer no 12º ano em todos os percursos curriculares…

  2. Resposta possível: lobbys de toda a espécie e feitio- associações de professores, editoras, etc.

    Esta ideia de se ir lançando informação contraditória cada semana nunca deu bons resultados.

    Ao cuidado do ME: Decidam-se, planeiem e depois apareçam com 1 ideia final e integral.

    Ou seja, calem-se, trabalhem, estudem , “desformatem”, organizem-se e depois debatemos.

    Não há cú que aguente isto! (e perdoem-me a brejeirice).

  3. Espero que o bom senso venha, de facto, a prevalecer.
    Se a qualidade das aprendizagens tem vindo a melhorar, como se vê nos estudos internacionais, será tolice inverter o caminho trilhado.
    Coisa diferente é a competência das escolas poderem vir a gerir os tempos escolares. Isso seria acertado.

    • Melhorias? Se reduzir a educação à matemática ao português e aos exames fica sempre com um currículo do século xix ou dos países sub desenvolvidos. É a educação do saber contar e ler.

      • Não é à toa que os estudos internacionais visam aferir as competências na língua materna e na matemática, e ainda nas Ciências.
        É porque são as bases de qualquer aprendizagem futura.
        Será que quer inventar um novo paradigma?

        • Essas são as competências mínimas que servem de base de comparação.
          Em cima destas cria-se um currículo , que não se reduz ao saber contar e escrever.
          Se comparar as horas dedicadas à Matemática e à lingua materna noutros Países percebe a diferença.
          Novo paradigma? Ficar pelo do século xix é que não.

          • “Em cima destas cria-se um currículo…”
            Disse tudo!
            Entre o 7.º e o 12.º ano, termo da escolaridade, desenvolvem-se currículos que só serão viáveis se as competências estruturantes tiverem sido desenvolvidas em tempo.

            Há muita gente convencida de que a escola acaba no 9.º ano. E ainda há muita gente absolutamente convicta de que o 6.º ano é o fim da escolaridade. Mas não.

          • São estruturantes e transversais às diferentes disciplinas. Por isso é que não faz sentido terem tantas horas semanais.
            Óbvio

          • São estruturantes e transversais às diferentes disciplinas. Por isso é que faz sentido terem tantas horas semanais.
            Óbvio.

          • Exatamente!
            Até ao 6.º ano, pelo menos 3/4 do currículo devia ser constituído por Português e Matemática.
            Aliás, não foi à toa que se previu que o professor de Português também leccionasse História e Geografia e que o professor de Matemática também leccionasse Ciências – transversalidade.
            A “especialização” dos professores foi devastadora.

          • Vou repetir-me :Um currículo de um país civilizado., não se reduz ao saber contar e escrever. Percebe-se que exista um reforço dessas disciplinas em Países em que temos taxas de escolarização pequenas.
            Se comparar as horas dedicadas à Matemática e à lingua materna noutros Países, mais desenvolvidos, percebe a diferença.
            Também querer associar mais horas a estas disciplinas à subida de resultados internacionais, é de um grande falta de rigor científico .

          • Fico com a ideia de que o Álvaro não faz ideia do que são os currículos do Ensino Secundário.

  4. Não me regozijo mas escrevi o que iria acontecer e não tenho dom de profecia… Era, de facto, necessário mexer no currículo, mas o PISA, disse-o desde o início, seria mais forte. Presumo que não irá haver nenhuma redução da componente letiva e as crianças terão de continuar a aguentar um excesso de escola e de currículo. Era perfeitamente possível, pelo menos, acabar com as AEC, nomeadamente no 1º Ciclo, e dedicar uma boa parte das tardes às expressões, num espaço horário contínuo. Com isto sem abdicar do rigor e de acreditar que há uma parte do currículo onde é necessário esforço e ” queimar de pestanas” . Era só fazer as contas…

  5. O que me confunde é ainda haver esperanças numa coisa que começou como todas as as outras coisas desastradas. Se as pessoas não aprendem com os disparates, como pode haver evolução?

  6. Do meu ponto de vista para o 1ºciclo não tem uma importância decisiva porque os professores têm alguma liberdade na gestão do currículo. O que precisavam mesmo era uma redução de horas letivas por todos estes motivos.”Os professores que leccionam 20 tempos não leccionam 20 horas.
    Não estão 20 horas nas salas de aula, mas sim, 16 horas e 40 minutos. Os tempos(horas) no 2.º/3.º ciclos e secundário valem 50 minutos.
    Só na Educação Pré- Escolar e no 1.º ciclo do E. Básico, uma hora vale 60 minutos.” Fátima Ventura no facebook
    A partir dos 60 anos com uma redução de 5 horas atribuídas pelo ECD e retiradas pelo DOAL com a opção de ficar com turma. Os que escolhem apoios nem uma tarde em casa passam. Excepção feita a alguns educadores cujas direções saúdo.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here