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Ponto de ordem sobre a prática de atividade física no 1º ciclo

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educação física 1º cicloO artigo que escrevi sobre a educação física, mea culpa, expressão físico-motora, criou fortes reações tendo-me chegado inclusive emails surpreendentes. Ao perguntar se os professores do 1º ciclo iriam dar educação física, foi em tom provocatório, não por desconhecimento da realidade, mas para abanar consciências e ver saltar cá para fora verdades escondidas. Não tenho dúvidas que existem escolas que lecionam expressão físico-motora aos seus alunos no 1º ciclo, independentemente da forma – AECs/Professor Titular. A inclusão das AECs, e aqui tenho de me repetir, dentro do horário letivo, digamos assim, teve o objetivo de suprir a carência da atividade física e outras. Mas também não tenho dúvidas, pois vi com estes olhinhos que a terra irá comer, como ouço o que os colegas me contam das realidades das outras escolas, além da leitura das redes sociais, que muitas escolas não dão a devida cobertura aos seus alunos do 1º ciclo no âmbito da atividade física. A questão é saber quantas são, de um lado e do outro… e só o facto de existir esta dúvida é motivo de preocupação, ou pelo menos deveria ser.

Os motivos para esta situação podem ser vários:

  • falta de condições materiais;
  • a não obrigatoriedade dos alunos de se inscreverem nas AECs;
  • a idade avançada de muitos professores titulares que optam por apostar noutras áreas em virtude das suas limitações físicas;
  • a opção por outras áreas, apenas porque sim.

Se o artigo anterior agitou consciências, ainda bem que o fez, pois não me conformo que crianças do 1º ciclo, ou mesmo do pré-escolar, não usufruam dos benefícios da prática desportiva. E a culpa não morre solteira, a responsabilidades vai desde os professores titulares, passando pelos coordenadores de departamento e terminando na figura do diretor. Da parte da tutela, a recente opção por apostar nos professores titulares para dar tudo exceto o inglês, gera-me fortes preocupações pelos motivos anteriormente enunciados e por se encarar a expressão físico-motora, como outras, uma área que não precisa de especialistas e que qualquer um serve, com o devido respeito pelos colegas.

E termino com um comentário do coeh ao artigo anterior

Fenprof dá o dito por não dito e apoia politica do ME de monodocência.
Xesús Bermello explicou aos delegados “como funcionam as escolas de educação primária”, dando particular destaque à dinâmica das equipas educativas – “fundamental” no dia-a-dia das escolas galegas, uma experiência que o auditório acompanhou com especial interesse. A característica essencial dos centros educativos primário na Galiza é a existência de docentes especializados. “Temos o docente generalista (matemática, ciências naturais, ciências sociais, etc) e temos os docentes de educação física, de ensino musical, de inglês; e temos ainda outros elementos, por exemplo na área da pedagogia terapêutica (para alunos com NEE) e também um especialista linguagem e de orientação”

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  1. Actividades de enriquecimento curricular devem ser lúdicas

    As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) devem ser lúdicas e pouco rígidas, caso contrário podem tornar-se cansativas para as crianças do primeiro ciclo, que chegam a ver a escola como “um ofício”, alerta Maria José Araújo, do Centro de Investigação e Intervenção Educativa da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.
    Esta especialista considera que as AEC propostas às crianças para ocupar o seu tempo livre depois das aulas devem ser “lúdicas, que vão ao encontro da sua vontade e interesse” e nas quais elas possam escolher o que fazer, como ter música ou pintar, por exemplo. Se forem “demasiado orientadas, se as crianças forem obrigadas a fazer [determinada actividade] e se forem mais aulas depois das aulas, penso que é muito cansativo e contraproducente”, acrescentou.
    Maria José Araújo salienta que as AEC fazem parte do modelo de Escola a Tempo Inteiro que o Governo está a implementar, e que são “uma medida ‘socialmente útil’, que é feita a pensar nos pais”, que podem trabalhar enquanto a escola mantém as crianças ocupadas. Porém, nota que se está a falar de “crianças muito pequenas que demonstram o cansaço das mais diversas formas, a que por vezes damos o nome de indisciplina”, destacou.
    Maria José Araújo realçou ainda que o sistema propõe, na maioria das escolas, pelo menos duas aulas de 45 minutos cada, das 16h às 16h45 ou das 16h45 às 17h30. Desta forma, as crianças mais pequenas, que entram na escola às 9h, “trabalham na escola cerca de seis a sete horas diárias, o que equivale a dizer que elas no seu ‘ofício de aluno’ trabalham o mesmo que um adulto”.
    “Há muitos educadores (pais e professores) preocupados com isto. De tal modo que, quando têm hipótese, não deixam os seus filhos na escola depois do horário lectivo”, refere.
    A especialista destaca que “apesar de os educadores pensarem nas crianças quando fazem as actividades, a verdade é que raramente estas actividades surgem de um diálogo prévio com elas”, mas antes de “um conjunto de orientações que o ministério propõe, a autarquia tenta organizar e os professores tentam seguir”.
    Neste contexto, a investigadora defende que “as actividades de enriquecimento devem ser pensadas com as crianças”, dando-lhes oportunidade de exprimirem o que sentem e de exteriorizarem a sua subjectividade. Se forem demasiado programadas, deixarão “para a criança somente um espaço de execução”, nota. Lusa
    As actividade de enriquecimento curricular devem ser pensadas com as crianças, diz investigadora universitária .

    (O texto faz parte de um estudo Universitário)

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