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Política educativa atual, coragem ou cobardia?

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coragemCom o início do ano letivo, podemos constatar que o Ministério da Educação não reduziu o número de alunos por turma nem reverteu as injustiças do anterior governo. Por outro lado, acabou com os exames do 1.º e 2.º ciclo e alterou os contratos que mantinha com algumas instituições de ensino privado.

Por isso, fico com dúvidas: a política educativa do atual governo revela coragem ou cobardia?

Na minha opinião, o acordo parlamentar promoveu o diálogo e o debate sobre as políticas educativas. Os partidos que apoiam o governo já disseram claramente o que defendem para a educação. Talvez por isso, o Ministério da Educação já tenha aplicado algumas medidas que para uns demonstraram coragem mas para outros não passaram de um ato de cobardia.

Vivemos em uma sociedade que revela alguma aversão à política, talvez por causa da falta de conhecimento sobre o funcionamento dos partidos políticos e sobre a democracia e também devido à forma como as pessoas “seguem” os partidos, como se de clubes desportivos se tratassem…

A rejeição por tudo o que envolve política deixa Portugal vulnerável aos interesses daqueles que utilizam o estado para alimentar a especulação e o negócio privado.

No caso dos professores, essa “político-fobia” estendeu-se também aos sindicatos, criando a falsa sensação de ausência de representatividade.

É fundamental que nós, como pedagogos, tenhamos uma maior participação na vida política, sindical e associativa. Temos que reclamar o direito a participar e a ser ouvidos pelos vários intervenientes. Temos que ser uma voz ativa com pensamento crítico e construtivo, que não se limite a participar no ato eleitoral de 4 em 4 anos. Temos que ir para os partidos, para as associações e para os sindicatos defender a Escola. É ela que molda a sociedade e é a base para o crescimento social e económico.

Na verdade, os governantes são o reflexo da nossa sociedade e apenas deveriam expressar nas suas ações aquilo que lhes é pedido.

Talvez seja o momento de reivindicar ao Ministério da Educação coragem para colocar em prática medidas como:
– Diminuição de alunos por turma;
– Horário letivo dos docentes do 1º ciclo de 22 horas, sem existir horas de estabelecimento;
– Reforma antecipada para os professores do 1º ciclo com mais de 35 anos de carreira e que iniciaram funções antes 1990; 
– Criação de mecanismo que permita aos docentes do 1º ciclo usufruírem de redução de 2 horas de componente letiva aos 40, 50 e 55 anos, tal como nos outros ciclos; 
– Adequação dos currículos às necessidades e à faixa etária dos alunos; 
– Reorganização da gestão dos estabelecimento de ensino, permitindo maior expressão dos docentes do 1º ciclo na gestão, conselho pedagógico e conselho geral.

– A adaptação de documentos que são criados sempre que existe alterações no “sistema” é um trabalho complexo e que é transversal a todos os ciclos. Considero que o ministério de educação sempre que cria alterações no “sistema” deveria ser responsável pela criação de documentos modelo, adaptados por ciclo e susceptíveis de adequar às necessidades dos agrupamentos.

– Mais tempo letivo nos currículos para as áreas das expressões e para a educação em sociedade.

Sabe-se que estão a ser preparadas mudanças. Vamos aguardar por essas iniciativas ministeriais…

 

Gonçalo Gonçalves

Professor do 1º Ciclo

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