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Podia haver computadores mais cedo e em melhores condições

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O Governo podia já ter colocado muito mais computadores em Janeiro nas escolas do país. Bastava ter previsto isso no orçamento suplementar de 2020, feito a meio da pandemia.
Era usar a política fiscal e confiar que Portugal tem uma economia funcional.

Era simples e a simplicidade leva alguns a achar impossível e um devaneio de um professorzeco do básico: incentivo fiscal às famílias.

Se o Estado desse um incentivo, dividido em 2 anos, de 300 euros/ano de dedução na compra pelas famílias de um PC portátil e equipamento associado ia gastar uns 360 milhões em cada um dos próximos 2 anos (na base de um total aproximado de 1,2 milhões de alunos e professores abrangidos, descontado o pré-escolar e os que terão de ter computador dado pelo Estado por carência económica). As contas podem ter de ser ajustadas mas digamos que se a coisa custasse 400 milhões/ano não seria um novo escândalo BES ou BPN….

O Estado ia receber o IVA da compra das famílias. Ajudava as empresas disseminadas no país que iam ter negócio e pagar impostos e manter empregos.

Podia criar um programa para os lojistas e distribuidores ajustarem equipamentos padrão a fornecer aos 600 euros de custo cobertos pelo incentivo.

As famílias iam ter um pretexto para investir e iam juntar dinheiro seu (ou emprestado) ao dado pelo Estado, que não tinha de o gastar imediatamente, mas em acerto de contas no IRS de 2022 e 2023.

E já dou de barato que não dessem o incentivo já em 2020 com efeitos em 2021 (o que a ter acontecido faria o processo acelerar).

Para quem não paga IRS e não pode beneficiar da oferta do incentivo, o Estado emprestava computadores, com opção de compra em sistema altamente subsidiado (um custo adicional).

E para ajudar o financiamento privado complementar via crédito, a todos os outros que comprassem por si, há o poder soberano do Estado (que serve para pagar os rombos dos bancos e podia servir para por os bancos ao serviço da transição digital, impondo condições aos empréstimos).

Em poucos meses, ia ser uma revolução nas escolas. Mas não a vamos ver.

Assim, vamos ainda esperar meses …ou anos. E quando os computadores chegarem vão estar desatualizados e vão durar assim, como os anteriores, uns 10 anos (o que em informática é tão longe como paleolítico).

A ideia exposta ia fazer os computadores subir de preço, mas o Estado podia controlar isso.

O ministro vem dizer que não há computadores disponíveis para fornecer, mas é treta, desculpa de quem não cumpriu promessas por falta de dinheiro para a compra estatal centralizada.

Como está a coisa, o Estado vai comprar caro (não acreditem nas ditas economias de escala), tarde e a más horas, computadores que rapidamente vão degradar-se e que, como são seus, vai ter de manter e dar assistência e que rapidamente vão (se já não estão) cair na obsolescência.

E vão ter de ser substituídos rapidamente. Além de todos os custos e conflitos de toda a gestão desse parque informático de centenas de milhares de itens disperso pelas casas dos alunos.

Um computador das famílias tem a assistência a cargo delas, ainda que possa haver margem para um desconto fiscal aos custos de assistência. Se for roubado, o problema é do dono. O mesmo se avariar.

O sistema de incentivo fiscal já existiu no passado. Comprei o meu primeiro portátil, que me custou 3500 euros (700 contos), assim. O incentivo era mais baixo que isso, mas eu acrescentei dinheiro meu e do banco.

Com o meu sistema ganhava toda a economia. Com o “sistema Brandão” de compra centralizada às pinguinhas ganham os fornecedores do Estado e os esquemas do costume. Além de a burocracia ser monstra e sobrecarregar as escolas, pouco vocacionadas para distribuição de material informático.

E não me digam que não dava jeito ao ensino presencial ter já computadores. O período de confinamento teve grandes problemas, mas dificilmente se aprendia tanto de tecnologia, em tempos normais, como se aprendeu naqueles meses. E vai perder-se esse avanço que não é incompatível com ensino presencial.

E o meu sistema está de acordo com as melhores práticas internacionais (bring your own device, etc, etc).

Ó Brandão, porque não?

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