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Pode O [email protected], Substituir A Prazo, Professores De Corpo E Alma Por Assistentes Digitais?

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Na sua reflexão quinzenal ao jornal Público, Santana Castilho aborda os perigos do ensino à distância.


Saem por cima os que actuam por baixo

1. No meu último artigo, manifestei receio sobre a possibilidade de se “normalizar” a solução improvisada para entreter alunos afastados da escola, a que, impropriamente, chamaram ensino a distância. Em tempo de confinamento drástico, essa solução foi um instrumento para preservar uma actividade mínima de ensino, cumprida com espírito de missão e contornando dificuldades múltiplas. Entretanto, este “ensino a distância”, de emergência, começa agora a ser sugerido como alternativa. Se a ideia colher, revelar-se-á perversa por tender, no limite, a substituir professores de corpo e alma por assistentes digitais, sem sindicatos, sem greves e com enormes vantagens económicas para o empregador, no que toca a custos operacionais.

Para o êxito da coisa terá contribuído a vertente “telescola”, protagonizada por professores do século XXI, aparentemente prosélitos das pedagogias não directivas e opositores das aulas magistrais. Cantam rap, dançam zumba e prestam-se a demonstrar as suas metodologias inovadoras nos programas de Cristina Ferreira e de Manuel Luís Goucha.

Para quem bate palmas, pouco importam a pobreza de muitas abordagens e os erros científicos. Vi uma aula de Português dominada pela leitura soletrada de um PowerPoint medíocre, onde Camões foi apresentado como coisa menor. Numa aula de História, a propósito do Renascimento, o astrónomo Nicolau Copérnico, polaco, foi associado a Itália. A Polónia, cuja origem vem do século X, foi citada como criada após a Primeira Guerra Mundial. A embaixada da Polónia protestou. Numa aula de Ciências Naturais, os transgénicos foram apontados como perigosos para a saúde e foi feita uma referência ao “uso inadequado de hormonas de crescimento nas explorações pecuárias”, quando, na verdade, as hormonas de crescimento estão proibidas para tal fim, no espaço europeu. O biólogo Pedro Fevereiro, presidente do Centro de Informação de Biotecnologia, antigo Bastonário da Ordem dos Biólogos e ex-membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, reagiu publicamente, dizendo que o que foi ensinado está errado, do ponto de vista científico, e constituiu doutrina, que não ciência. Por outro lado, numa outra aula, o sobreiro foi apresentado como árvore de folha caduca, quando é sabido que as folhas do sobreiro não caem no inverno.

6 COMMENTS

  1. Como sempre, sem papas na lingua, uma constatação verídica e justa, sobre o que “os n/ representantes”, pensam e querem fazer do ensino do POVO PORTUGUÊS. Daqui a uns anos, voltamos ao “antigamente”, só os mais poderosos, no sentido lato do termo, têm direito ao “ENSINO”, que é como quem diz, ao PODER, tanto no conceito, social, económico e politico, e o “ZÉ”, não passará de um joguete na mão de tais guardiães do N/ tão sacrificado “POVO PORTUGUÊS”.

  2. Quanto ao ponto 1 e à primeira frase, devo dizer que muito me espanta que um blogue de e para professores tenha publicado este comentário sem, pelo menos, refletir sobre a profunda e lastimável ideia que estas palavras transmitem a quem lê o artigo sem conhecimento de causa.
    Se este senhor acha que andamos a entreter os alunos no [email protected], experimente esta prática no terreno com alunos de um agrupamento do nosso interior, apenas durante uma semana, e certamente que vai desgostar do entretém. É preciso ter muita lata para generalizar aquilo que foram algumas aulas menos felizes da RTP Memória para todo o [email protected], sobretudo o que está a ser operacionalizado no terreno pelos docentes que têm, como eu, muitas turmas e com realidades de aprendizagens muito distintas que obrigam a reformulação de todos os materiais anteriormente utilizados, preparação de planos de aulas acessíveis a todos, preenchimento de grelhas, envio de emails, receção e correção das tarefas propostas, fora todo o trabalho extraordinário associado aos cargos desmpenhados.
    Denota apenas uma total e perigosa ignorância sobre a realidade escolar, o que vem sendo uma constante na classe dos professores universitários.

    • Ana Paula, este blogue não é de e para professores, é de e para a Educação. E na Educação todos têm direito à sua opinião, seja ou não da sua/minha concordância.

    • Consegue “ver” além do seu “umbigunho”?

      O trabalho que tem, tenho eu e muitos outros professores…
      Concordo, inteiramente, com o artigo e impressiona-me esta pequenez em professores. Ofendi? Creio que sim… Todavia, não pretende ser pessoal pois nem nos conhecemos mas satura a ausência de memória, a dificuldade em aprender com o passado e em perspectivar cenários futuros …
      Na educação…tem sido tão óbvio… Por outro lado, talvez seja a idade que carrega tanto de experiência como de falta de paciência para com adultos.

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