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Ministro Enaltece Políticas Educativas de Crato E “Flexível” Finlândia Deu Um Tombo Valente

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Para mim o mais interessante é o seguinte: China, Singapura no topo do ranking. Países da Europa em declínio.
O que ninguém fala, também não interessa muito, a adorada Finlândia a cair em todos os indicadores desde 2003. Em 2018 dá um sério tombo a Matemática… A Finlândia implementou um modelo flexível de educação com trabalho por projectos e , supostamente, com os alunos a serem os mobilizadores do conhecimento… Os resultados estão a descambar? Estão. Aguardemos, com grande expectativa, os resultados dos alunos portugueses abrangidos pela flexibilidade…
Era bom que alguns, nomeadamente no ME, meditassem seriamente no que se passa nalgumas Escolas Públicas nacionais e colocassem os interesses do País, à frente da sua ideologia pedagógica… Pede-se, simplesmente, a verdade e algum pragmatismo, mas, a julgar pelos directores que vamos ouvindo, e pelas formações que vamos frequentado, só quando batermos no fundo do poço é que veremos que aleija… Não há emenda … e ainda nem sequer chegamos à fogueira de vaidades e ideias bacocas que será uma educação tutelada pelos municípios…

*Comentário publicado no ComRegras por Fartinho da Silva


Após ler este comentário fomos ver se os resultados indicam efetivamente uma descida da Finlândia. Conforme podem ver nos quadros em baixo (foi feita uma montagem para ser de mais fácil interpretação), é efetivamente assim.

A Finlândia como sabemos está a mudar o seu sistema de ensino, abolindo disciplinas, trabalhando por tópicos. Mas durante muitos anos, a sua metodologia passava por aquilo que agora é uma aposta clara em Portugal, o trabalho em projeto, onde o motor é o aluno e não o professor ou os conteúdos.

Se os resultados do PISA são suficientes para o Ministro vir cantar vitória, sabendo nós que estes resultados não refletem, ainda, as políticas educativas do anterior e do atual governo, podemos perceber que o que vinha sendo feito não era assim tão disparatado como nos quiseram dar a entender em 2015.

E não sendo tão disparatado como agora podemos constatar, perguntamos se havia necessidade de tanta flexibilidade, autonomia e de dúbias Medidas Universais de Suporte à Aprendizagem ?

Ou seja, havia necessidade de cortar tão radicalmente com o passado? Não faria mais sentido otimizar, melhorar,  em vez de rasgar tudo?

Talvez, só nos próximos resultados de PISA, saberemos!

Ministro enaltece percurso “consistente e gradual” do sistema educativo português

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, considerou hoje que o sistema educativo português tem vindo a melhorar de forma gradual e consistente nas últimas décadas independentemente das dificuldades, mas salienta que ainda há um caminho a percorrer. 

Ministério da Educação diz que Portugal é o único com melhorias significativas desde primeira edição do PISA

Alexandre Henriques

Alberto Veronesi

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11 COMENTÁRIOS

  1. Saberemos… É o sonho da vida de alguns académicos o que se passa na educação portuguesa na atualidade : fizeram dos alunos portugueses cobaias da sua ideologia amordaçada… Foi a sua oportunidade, abriram-lhe a porta, e a ciência vã passou a verdade… Quando uma geração de alunos tiver … digamos assim, conhecimentos para o poucochinho… de quem é a culpa? Das delirantes gravadoras de vídeos maternalistas, que tratam os professores como ignorantes, de maneira velada , claro? Não a culpa foi dos professores que não souberam aplicar a clarividência da sua grandeza pedagógica… Doutra maneira: brincam, não encontro melhor palavra, para algumas coisas delirantes, com o futuro dos alunos … Ficam furiosos os pais, como eu, que não temos alternativa à Escola Publica!

    • O mais preocupante é que já havia sinais, evidências, de que algo não estaria a correr bem na Finlândia, como já tinha alertado Tim Oates, e o silêncio ensurdecedor sobre estes resultados falam muito. O grande farol para o século XXI parece que estar a colapsar!
      É tempo de deixar de fazer da escola um palco de experimentalismo, a vida dos nossos alunos é demasiado valiosa. É urgente que se gere o consenso, que se avalie e reajuste o que for necessário.
      Resta saber se o senhor ministro trará para o ME a dúvida que habita os verdadeiros homens da ciência! Se não o fizer será muito grave, porque há bons motivos para refletir, é o mínimo que se exige.

    • Disparate. Daqui a 20 anos com a automação e a IA, o caminho do ser humano não pode passar por aqui, modelo de fábrica para replicar estereótipos do que devemos ser. Leia os 5 maiores arrependimentos dos doentes em cuidados paliativos, quando já não lhes resta nada senão morrer: tentar ser o que a sociedade e os outros esperavam que fossem, trabalhar tanto que lhes roubou tempo para viver, entre outros. Estes dois são os mais frequentes. É triste só percebermos isto quando já não temos escolhas…

      • Quais seres humanos? Está a falar dos Europeus, certo? É que esses seres humanos que profetizam um certa libertação pela teologia das máquinas não se lembram de um coisa bem simples: a fome atinge, com ou sem IA, 820 milhões de pessoas no mundo; mais de mil milhões não têm acesso a água potável. Por fim: só a China e a Índia têm quase 3 biliões de pessoas… Mais poderosa que todas as teorias são milhões a precisar de comer e beber!O resto é conversa da treta!!!!

        • A sua resposta pouco tem a ver com o que referi. Estamos a falar de modelos de educação e o modo como se adequam à sociedade. O tema não são as desigualdades sociais à escala global e tão pouco se indicou qualquer orientação da sociedade com o evento da IA. Esta pode libertar-nos ou escravizar-nos. Parece-me claro que numa sociedade de máquinas devemos ser pessoas e não concorrer com as máquinas. Obviamente que corremos o risco de nos tornarmos dispensáveis, e precisamente por isso devemos recusar o modelo de fábrica para a educação, mas não era esse o foco a ser discutido. O meu comentário era uma crítica às 16 horas numa escola, conforme o vídeo, de acordo com o modelo sul coreano. Talvez se tenham que repensar os critérios de avaliação do PISA, se estes acabam por valorizar a instrumentalização de jovens e crianças, como parece ser o resultado da Coreia do Sul e de Singapura no ranking. Finalmente o que muitos colegas consideram inovações e experimentalismos na Educação, nunca devem ter lido Montessori, Décroly, Freinet, a Escola Moderna, entre outros. A doutrina é antiga mas raramente implementada.

          • Claro… Quando os resultados não nos interessam, mudamos os critérios… Já ouvi esta argumentação diversas vezes nos defensores da flexibilidade… Há um currículo nacional, prescritivo, quando os alunos não têm conhecimentos nenhuns argumenta-se que são outros métodos e que trabalham outras competências… Não, eles não sabem mesmo patavina!!! Andaram a passar tempo em Projectos e coisas várias que não lhes deu autonomia, nem conhecimentos, pouco lêem, e meteram-lhes na cabeça que podem viver num Mundo onde só há direitos e nada de obrigações… É isto que está a acontecer! Já agora a Finlândia vive dos louros de uma educação altamente instrutiva com alunos altamente disciplinados… A decadência surgiu quando adoptaram algumas das metodologias que referiu… e vai continuar a descer… Já não falta literatura a estudar o que enuncio…
            Quanto à China e Singapura, por questões culturais, milenares, as questões que refere, nomeadamente ao nível da pedagogia ocidental, as questões do próprio dever e da sua moral, nem sequer são compreendidas do quadro mental dos orientais… Deve saber que na China os exames para o Estado são uma instituição e que não estudar é uma grave desonra não só para o aluno como para toda a família… mas isso era uma outra longa história…

  2. Recomendo a leitura de ” Real Finnish LessonsThe true story of an education superpower” de GABRIEL HELLER SAHLGREN”. Está disponível online : para que se veja para para além da espuma dos dias e da propaganda oficial…

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