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Perguntas Que Vão Ficar Sem Resposta, Senhor Ministro?

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«PERGUNTAS QUE NÃO TÊM ESPERANÇA DE RESPOSTA
Aqui de fora da Escola, que é de onde às vezes se vê melhor, gostaria de fazer algumas perguntas ao senhor ministro da Educação. Espero que ninguém leia mais do que aqui vai: questões simples, de uma mulher já idosa a um homem ainda jovem, de uma mulher que viveu intensamente a sua profissão a um jovem que aceitou administrar a Educação de um país, o nosso.
1. O senhor tem, de facto, um Plano para a Educação?
2. Como, quando e com quem concebeu esse Plano?
3. Acredita que é nos Professores que o País deposita o Futuro?
4. O senhor, que também é professor, tinha uma opinião positiva sobre os Professores quando assumiu o Ministério da Educação?
5. Tinha – ou tem ainda – algum preconceito, uma ideia feita ou descrença relativamente aos Professores que pertencem ao seu ministério?
6. Pensa que, mesmo em Educação, “vale mais aprender mal do que não aprender nada”?
7. Na sua opinião, ser Professor é uma profissão como outra qualquer, capaz de se tornar mais eficiente e produtiva, com umas tantas horas de Formação?
8. O senhor acredita que existe algum exame capaz de medir a vocação, a criatividade, a disponibilidade, o Amor que é necessário para se ser Professor?
9. E daí, é capaz de conceber a ideia de que os sistemas de avaliação implantados lhe vão permitir separar o trigo do joio?
10. Já lhe passou pela cabeça que o simples facto de, à partida, um Professor ter a certeza de que atingir ou não o topo da carreira não dependerá da qualidade do seu trabalho é altamente desmotivante?
11. Admite que só os mártires sofrem com gozo e alegria para merecer um prémio que não é deste Mundo?
12. Faz alguma ideia de quanto é preciso para preparar aulas que sejam lugares de aprendizagem viva, activa, partilhada, rica, desejada e não um longo tédio?
13. Acredita que hoje em dia é possível, em Portugal, a alguém ensinar ou aprender apenas a partir de um manual qualquer, apesar dos malabarismos editoriais e da parafernália de “acompanhamentos”?
14. Na sua opinião, as normas, regras e determinações que nascem do Ministério a toda a hora, como pãezinhos quentes a sair das inúmeras padarias por aí espalhadas, vão ter alguma utilidade a não ser gastar papel, dar mais trabalho aos professores e afagar o ego dos seus criadores?
15. Senhor Ministro da Educação, por que será que há tão grande número de professores destacados, no Ministério e em todos os cantos onde se aninham departamentos a ele ligados, em vez de estarem nas Escolas a trabalhar para saberem como é?
Também gostaria de lhe perguntar se o senhor dorme bem, se se sente realizado mas acho uma indelicadeza da minha parte e eximo-me de o fazer. Sei que não responderá, mas já me sentiria feliz se soubesse que faz, a si mesmo, estas perguntas.
Respeitosamente, Maria do Carmo Cruz»

Maria Do Carmo Cruz

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