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Perguntas de palmo e meio | Pai… Não quero ir à escola!

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Inauguro hoje uma nova rubrica. Perguntas de palmo e meio. Basicamente eu envio uma pergunta à Dra. Inês Marques da Oficina de Psicologia (nossos parceiros) e ela responde com a qualidade que lhe reconhecemos. Sobre as questões… preparem-se… não haverá tabus!

Como estamos numa rentrée, uma pergunta/pedido à medida.

Pai… Não quero ir à escola!

Antes de dar a resposta automática “Mas tens de ir”, convido-o a refletir…

 

Como sei que o meu filho não quer ir à escola? Verbaliza-o? Tens queixas psicossomáticas como dores de cabeça recorrentes, náuseas, tonturas, sem causa médica? Alterou o comportamento, estando mais birrento ou agressivo, chorando sempre que se fala da escola, estando com dificuldades no sono ou isolando-se, por exemplo?

 

O que estará a motivar esta recusa? Uma resposta a alguma mudança na nossa vida, como um divórcio, uma situação de desemprego, um período de férias ou de doença, por exemplo? Como está a decorrer a aprendizagem? Surgiram algumas dificuldades na aprendizagem? Como é a relação do meu filho com os colegas e com a professora? O que diz ele sobre a escola, as pessoas, a aprendizagem e as rotinas?

 

Transmita interesse, apoio e compreensão. Mostre ao seu filho que pode contar consigo para ultrapassar esta situação.

Não há uma resposta única para um “não quero ir para a escola”, mas há algumas ideias que pode ter em mente para ajudar o seu filho.

Seja um bom ouvinte: Escute as suas opiniões sobre as disciplinas, sobre a escola, sobre as aulas em si e valide algumas das possíveis insatisfações. Poderá, inconscientemente, desvalorizar o que o seu filho diz de negativo sobre a escola, por receio que a validação alimente a recusa em ir à escola. Não receie fazê-lo. As crianças sabem que têm de ir para a escola e sentirem que são aceites nas suas “insatisfações” não compromete esta consciência.

Fale sobre a escola de uma forma positiva: Manifeste entusiasmo e verbalize frequentemente tudo o que de positivo o seu filho pode retirar do contexto escolar.

Evite a tirania do “tens de” ou do “deves”: por vezes, a recusa escolar advém da associação da escola a um dever. Embora seja um dever, também é um privilégio! E frequentemente, algo que é imposto, é algo que gera resistência. Experimente substituir o “Tens de estudar” por “Vais poder descobrir e aprender muitas coisas novas e importantes”. Substitua o “Tens de ir para a escola.”, por “Mais um dia de escola. Vais poder brincar e divertires-te imenso”. Em relação aos lembretes para que faça o TPC, use expressões motivacionais, como: “O que te parece se aproveitares agora para fazer os teus TPC? Agora posso ajudar-te, se precisares!” ou “Estás com preguiça de preparar a mochila? Também fui atacada pela D. preguiça para preparar o que preciso para trabalhar amanhã. E se fizermos os dois ao mesmo tempo? Assim, custa menos! O que achas?”. Retire o peso da obrigação e transmita a noção de escolha à criança.

Consoante as respostas que encontrou sobre o motivo da recusa, oriente o seu filho para que se sinta mais confortável na gestão da sua dificuldade. Uma recusa em ir para a escola porque se está a ser vítima de bullying exige respostas diferentes de uma recusa que decorre de uma ansiedade de desempenho, por exemplo.

 

Mais confiante, neste momento, para dar resposta ao seu filho?

 

Inês Afonso Marques

Psicóloga Clínica

Coordenadora Equipa Infanto-Juvenil

Oficina de Psicologia

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