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Pequeno Esclarecimento Sobre os Horários dos Professores

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74907741_c2d59deb64Hoje repesco duas notícias da autoria de Clara Viana, saídas ontem no Público e intituladas Sindicato quer que professores tenham redução de número de aulas a partir dos 40 anos e Mais de metade dos professores tem horário reduzido para esclarecer que o que parece óbvio da leitura destas duas parangonas não corresponde minimamente à verdade dos factos e torna-se, por isso, necessário desmontar a falácia que estes títulos pressupõem numa leitura mais apressada e feita na diagonal, que terá talvez sido feita por parte de uma opinião pública que não sabe o que está incluído num horário de um professor, e que é – os professores são essa gente preguiçosa que já trabalha pouco e quer ainda trabalhar menos! Pois se mais de metade dos professores tem horário reduzido, por que raio reivindicam eles redução do número de aulas a partir dos 40 anos?!

Convém esclarecer desde já que aula, ou actividade lectiva, pressupõe trabalho de pelo menos um professor, até podem ser mais, com alunos. Era exactamente este o entendimento quando eu comecei a trabalhar e do meu horário lectivo faziam parte integrante as horas que eu passava em apoios aos alunos que deles necessitavam. Entretanto a política ministerial mudou… e como é que vamos obrigar o professorado a trabalhar ainda mais com os seus alunos, a leccionar ainda mais aulas… como é, como é, como é? Muito simples! Vamos dividir os horários dos professores em três partes distintas: uma que entra na componente lectiva, outra na componente estabelecimento e uma outra reservada ao trabalho que os professores executam em casa. Vamos baralhar e dar de novo et voilá!, como num passe de magia, incluímos parte de um horário lectivo não na componente lectiva de um professor mas na componente estabelecimento e pronto! Temos o dito professor a leccionar, de facto!, mais aulas para além das 22 horas semanais de um horário completo a que esse professor estava obrigado

Dou um exemplo prático e bem concreto, retirado do meu horário, deste subterfúgio existente nos horários da maioria dos professores que é para perceberem como se driblam, na prática, horas lectivas – no meu horário semanal, em vigor para este ano lectivo, foram-me atribuídos 200 minutos de aulas de apoio a 12 alunos de duas turmas de 5º ano. Eu escrevi aulas, eu escrevi alunos. As aulas de apoio pressupõem trabalho de professores com alunos. No entanto estas “aulas” não são “aulas” para o ministério da Educação que as conta como trabalho não lectivo e assim são contabilizadas nos horários dos professores. Assim sendo, eu, todas as semanas, passo 200 minutos semanais em actividades lectivas efectivas, em aulas efectivas, mas que não são consideradas actividades lectivas e que não são, portanto, consideradas aulas para o ME.

Ora, a isto eu chamo ser chico-esperto. E o ME, nas pessoas que vão ocupando os cargos na Tutela, devia-nos poupar a este triste exemplo, ainda por cima dentro de um ministério que se diz ser o da Educação.

E por hoje é tudo. E isto foi só para dar um simples e singelo exemplo das manobras acrobáticas praticadas pelo ministério da Educação sobre os horários dos professores… ou esta  postagem correria o risco de ficar quilométrica.

6 COMMENTS

  1. Eu como comum mortal até vim ler esta conversa de professor. A verdade é que só li 22 horas lectivas e uma data de queixumes. Sejam bastante mais claros, de outra forma vão sempre ser considerados uma classe bastante privilegiada. Principalmente os mais velhos.

    • Para o comum mortal. 5 de outubro dia de feriado nacional. Sou professora com 58 anos, 34 anos de carreira (congelada na progressão desde 2004) e no meu horário tenho 21 horas de aulas (chamem o que lhe quiserem mas são aulas), 3 horas para o trabalho de direção de turma, uma 1 hora para trabalho colaborativo com os colegas e 10 horas com aulas de apoio e trabalho individual. Mas hoje, feriado, 5 de outubro, estou a preparar testes e a corrigir trabalhos de casa. Gosto do que faço mas o comum dos mortais que vive por aqui estão a sair para o café, para ir passear a brincar com os filhos e grande parte ainda dorme…Nos dias de trabalho estou na escola das 9 às 17.30.

      • Maria, ninguém lhe dará uma medalha. Descanse, a sério! Tire o dia para fazer algo que lhe dê prazer 😉

    • O comum mortal esquece que para preparar uma aula roubamos tempo à nossa família e a nós próprios. Quando chegamos a casa….não vamos para o sofá…ou ver tv como o comum mortal. Para além das tarefas domésticas, também temos tarefas que sobraram da escola! Afinal temos três empregos, mas não ganhamos como tal.,

  2. Falta falar nos que nunca tiveram qualquer redução. Vou fazer 50 anos em 2017 e tenho 23 horas letivas, incluindo uma extraordinária, para além das 4 horas não letivas extra.

    • Este tema do post refere-se a uma das maiores hipocrisias nos horários dos professores.- a entropia da componente lectiva e não lectiva. Um golpe de chico-esperto, como refere o autor.

      À medida que avançamos na idade e no tempo de serviço, por força da aplicação do artigo 79º do ECD. Isto é, as reduções de componente lectiva por idade e tempo de serviço que foram criadas para aliviar os horários dos docentes, passaram a penalizá-los fortemente pois passaram a ser usadas para tudo o que é actividade e/ou cargo.

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