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Pensar E Repensar A Educação Nunca Será Demais (?)

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Estive presente, no mês de maio,  (e o senhor Secretário de Estado “Costa” também, enquanto orador, num período em que parecia que se tinham todos esfumado, aquando da “Crise da Coligação Negativa”),  nas Jornadas Pedagógicas Pensar a Educação, em 2019 (V.N. Paiva).

Ora, pensar a educação não é uma tarefa que se queira isolada. Também não é simples. Esta deverá ser uma atividade reflexiva sobre as políticas educativas das últimas décadas, atendendo ao perfil dos alunos que temos hoje e também ao perfil que pretendemos que os alunos/cidadãos tenham daqui a cinco ou dez anos. Há toda uma contextualização que deverá ser levada em consideração.

Só se compreende que nos últimos anos se tenham feito tantas alterações nas políticas educativas, se este facto se ficar a dever à tentativa de acompanhar as mudanças, também elas drásticas e céleres, que se têm operado na sociedade portuguesa, sob influência de contextos e exigências externos.

Assistimos a uma globalização que abrange tudo e todos. A Educação não é exceção. Pelo contrário. A educação é o pilar em que deverá assentar esta globalização.

Partimos do microcosmos de uma sala de aula, que há alguns anos se centrava na transmissão de conhecimentos por parte do professor, e no débito/repetição desse conhecimento em testes, por parte do aluno. Esta já não é a nossa realidade. Nem poderá ser se quisermos uma educação de qualidade e que caminhe lado a lado com a mudança.

Na verdade, atendendo aos resultados PISA e relatórios da OCDE, a educação portuguesa – os professores aqui têm tido muito mérito, apesar de desrespeitados, desmotivados e desvalorizados, têm feito e continuam a fazer um trabalho hercúleo – tem vindo a melhorar sempre, comparativamente aos parceiros da europa, e de forma gradual. Os nossos alunos, de uma forma geral, têm estado a ser bem preparados. Todos temos conseguido acompanhar as exigências que nos têm sido feitas. Não quer isto dizer que devemos ficar a celebrar os bons resultados. Verdade que nos congratulamos, mas haverá sempre a possibilidade de melhorar. Neste sentido, teremos de aprender com os fracassos e continuar as boas práticas.

Centremo-nos agora no macrocosmos que é a educação como um todo muitíssimo complexo, na sua estrutura, nas suas dinâmicas e nos seus agentes:

– A educação, entendida pelos políticos, será um meio para atingir o fim de produzir cidadãos ativos capazes, contribuintes regulares para gerar riqueza e receitas para os cofres do estado. Para isto, massificou-se a educação, facilitando-se o seu acesso à generalidade da população. A massificação gerou a possibilidade de ascensão social e, por conseguinte, económica. Logo, a educação gera riqueza. Então porque é que se continua a entender a educação enquanto despesa e não enquanto investimento?
– A educação de hoje não é a educação de ontem. A educação de hoje tem de ser encarada como a educação do amanhã. A educação deverá saber antecipar que alunos/cidadãos serão os indivíduos que temos hoje nas salas de aula. A preparação e treino deverão ter em linha de conta que profissionais/cidadãos serão necessários num futuro próximo. Isto porque algumas profissões de hoje desaparecerão porque se tornaram obsoletas. Logo, deverá saber-se prever que competências deverão ser adquiridas de forma a termos indivíduos multicompetentes, multifuncionais, capazes de resolver os mais variados problemas.
– Para atender a todas estas exigências, a palavra de ordem é ser-se flexível. Aludimos agora ao Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular, legislado por despacho (Despacho n.º 5908/2017) e por decreto (Decreto-Lei n.º 55/2018) e à educação para todos, que se pretende inclusiva (Decreto-lei 54/2018). No nosso entender, adaptável seria uma expressão mais acertada. A capacidade de adaptação às mudanças e às exigências, que os professores e educadores têm vindo a demostrar, de uma forma geral, revelam, claramente, a sua competência estratégica. E têm-na sabido incutir às gerações de alunos que têm ensinado e preparado!

Sandra Carmo

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