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Paulo Guinote coloca o dedo na ferida… A avaliação dos professores.

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O que mais admiro no Paulo Guinote, é a sua capacidade de em poucas palavras dizer muito e dizê-lo pela sua cabeça. Por isso acho graça quando o acusam de ser de esquerda, de direita ou centrista. O homem não é seguidista de ninguém, muitos é que o deviam seguir pela frontalidade e verdades que diz.

A questão da avaliação de professores é uma casca de banana colocada no meio da sala educativa. Se há flanco que os professores têm desguarnecido e que podem ser atacados é exatamente esse. A atual avaliação de professores é um mero cosmético de fraca qualidade, sustentado em apenas 3 páginas de copy paste egocêntrico. Por isso tenho uma visão muito próxima do Paulo Guinote, existe uma casta (na minha opinião minoritária) de professores que não deviam estar a lecionar, não são dignos do nome que carregam e contaminam um ar já por si rarefeito. O atual modelo de avaliação foi apenas um docinho para entreter sindicatos e professores (a distinção é propositada). Uma avaliação séria tem de passar pela sala de aula e em diferentes momentos, quantos mais melhor.

Se queremos dignificar a nossa classe, temos também de mudar a forma como encaramos a nossa própria avaliação. Esta não tem de meter medo a ninguém, deve ter uma vertente formativa a curto prazo e a médio/longo prazo distinguir o trigo do joio.

Fica o link para a entrevista ao jornal Expresso e alguns excertos.

“A avaliação que temos não passa de uma ficção”

Paulo_Guinote

 

Mas a distinção entre professores e professores titulares não foi para a frente e o próprio modelo de avaliação foi muito simplificado.
Aquela avaliação não era possível de pôr em prática porque acarretava um tal peso burocrático e tanto tempo para ser concretizada que quase paralisaria o funcionamento das escolas. Não tínhamos e continuamos a não ter gente suficiente nas escolas com o reconhecimento pelos pares e a formação específica para proceder a uma avaliação rigorosa. Ainda hoje, não passa de uma ficção, em que as pessoas que avaliam têm a mesma qualificação daquelas que estão a ser avaliadas e que não permite detetar as más práticas docentes.

Não é possível distinguir os bons dos maus professores?

Com o modelo em vigor, os professores, e mesmo assim não os de todos os escalões, só têm duas aulas assistidas. Ora, um professor dá perto de 700 aulas por ano. Sendo as aulas assistidas marcadas previamente, mesmo um mau professor consegue dar duas aulas razoáveis. Poderá fazer imensamente mal em todas as outras, que não passará pelo crivo desta avaliação. Já na altura o modelo tinha esse erro. Uma avaliação eficaz baseia-se num acompanhamento de proximidade e de continuidade, que não existe.

Mas se os professores não reconhecem aos seus pares a qualificação e formação necessárias para o fazer, quem assumiria esse papel?
Tem de ser construído a médio prazo. Não é possível pôr um modelo de avaliação de qualidade a funcionar em dois ou três anos. Tem de existir um período de formação e de experimentação nas escolas. Todos nós sabemos quem são os maus profissionais. O que tem de haver é autoridade de alguém, reconhecida pelo grupo, e coragem dessa pessoa em confrontar quem sabemos que tem práticas menos corretas para dizer “ou alteras a tua prática, ou há consequências”. E tem de haver mecanismos de controlo sobre a própria relação entre avaliador e avaliado. Nas escolas, as pessoas prestam-se muito às pequenas vinganças e às pequenas amizades que depois se podem refletir na nota.

Isso pode acontecer em qualquer empresa e em qualquer profissão.
Entre os docentes há uma cultura muito enraizada de igualdade. Consideramos que temos todos a mesma competência para desempenhar a profissão, daí que haja dificuldade em aceitar que a avaliação seja feita pelos pares. Tem de haver um grupo de professores avaliadores, que devem continuar a dar aulas, mas que devem ter um horário para se formarem e testar o modelo. É um investimento a médio, longo prazo que nenhum Governo, com um calendário de três ou quatro anos, aceita. O sistema está contaminado pelo facilitismo e pelo amiguismo. E há outra questão: com a carreira congelada em oito dos últimos dez anos, mesmo uma má avaliação não tem consequências. Por isso, o que sentimos é que é uma inutilidade. Estimula-se a apatia e fomenta-se o desânimo.

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