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Programas, para quê mudar?

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Para quê mudar os programas

A Associação dos Professores de Matemática veio pedir ao governo que suspenda o programa da disciplina. De acordo com a Associação, o programa é mau e praticamente impossível de leccionar na sua totalidade. De momento o novo programa para o Secundário apenas está a ser aplicado no 10º ano, sendo que os professores mostram grandes preocupações que venha a ser aplicado ao nível do 11º e 12º anos. Mesmo ao nível de outros ciclos de ensino o problema do número exagerado de metas a atingir tem sido recorrentemente apontado.

Fui da opinião, à data, que os programas introduzidos pelo Ministério da Educação e pelo ex. Ministro Nuno Crato eram desajustados da realidade da nossa escola e tinham sido implementados de forma brusca. Por esta mesma razão, compreendo o pedido agora feito. No entanto, sou da opinião que não é positivo introduzir alterações a meio do ano lectivo nas questões curriculares.

Se queremos estabilidade, temos de sentar à mesa aqueles que desenham os programas, quem os aplica e elaborar um documento estruturante e duradouro. Produzir programas disciplinares novos sem a existência de um fio condutor (Currículo Nacional) coeso e claro, unanimemente aceite e que balize o que deve constar no programa de cada disciplina, em cada ciclo, de forma inequívoca, é começar a construção da casa pelo telhado.

É verdade que não podemos ter um programa impossível de leccionar no secundário, como acontece no caso da matemática, mas também não podemos aceitar que o programa de primeiro e segundo ciclos se confundam em algumas metas. Sabemos que são estádios diferentes das aprendizagens e estamos perfeitamente conscientes que uma má iniciação no primeiro ciclo é meio caminho para ter dificuldades no resto do percurso e engrossar as fileiras do abandono escolar precoce.

Quando se exige que o professor leccione no 1.º ciclo, por exemplo, os pronomes, os advérbios, os tipos de frase ou os tipos de texto, tudo matérias que voltam a ser faladas nos ciclos seguintes, estamos a desvalorizar o processo de consolidação da leitura e da escrita, na fase em que deve ser adquirida, fazendo com que uma parte significativa dos alunos apresentem lacunas graves quando mais tarde precisam de verdadeira autonomia e competência linguística para a interpretação de enunciados.

No entanto, e mesmo compreendendo a urgência da situação, penso que é o momento indicado para que a comunidade educativa, sem medidas avulsas assentes em necessidades do momento, redesenhe as políticas educativas de forma a produzir um modelo que promova a estabilidade e a qualidade.

Consulte aqui o artigo:

Professores dizem que é impossível cumprir programa de Matemática do Secundário

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