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Para 2017 está prometida a tão falada redução da carga letiva.

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Em 2017, trabalharemos para promover uma maior articulação entre os três ciclos do ensino básico, atenuando os efeitos negativos das transições entre ciclos, assumindo uma gestão mais integrada do currículo e reduzindo a excessiva carga disciplinar dos alunos(…)

Esta frase consta na proposta de Orçamento de Estado para 2017. Apesar de pequena, é muito, muito importante…, estamos perante um claro reconhecimento da tutela que os alunos têm de facto uma excessiva carga letiva.

Podemos estar na antecâmara de uma reforma importantíssima no sistema educativo português dirigida (parece-me) principalmente para o 1º ciclo. Foi público e bastante divulgado o quadro que fiz sobre a carga letiva e que podem consultar em baixo. O 1º ciclo deve ser uma prioridade deste governo, pois verdade seja dita, este ciclo de ensino foi o parente pobre da educação durante muitos e muitos anos, algo perfeitamente injustificável.  No entanto permanecem algumas dúvidas:

  • qual a dimensão dos cortes?

Eis um ponto importante, se a tutela optar por nivelar o horário dos professores do 1º ciclo com os restantes professores dos outros ciclos (1100 minutos), estamos perante uma redução de 3 tempos letivos (135 m), excluindo os intervalos. Se no entanto quiser ir mais longe, poderemos estar perante uma redução letiva até 600 minutos, o que significaria aulas apenas da parte da manhã e as tardes destinadas (digo eu) a atividades extracurriculares, direcionadas à prática desportiva, cultural, etc. Neste modelo, os alunos permaneceriam na escola na parte da tarde só se os pais quisessem.

  • será transversal a todos os ciclos ou diferenciada?

Julgo que o foco deve ser o 1º ciclo e se possível também o 3º ciclo. No 3º ciclo os alunos têm até 11 disciplinas, parece-me claramente excessivo, e sei que esta questão irá causar algum burburinho nas hostes docentes, mas é a minha opinião.

  • será transversal a todas as áreas curriculares ou apenas a algumas?

Cortar tudo por igual não me parece a melhor solução, existe uma clara diferença nas horas destinadas às áreas curriculares de Português e Matemática, comparativamente com as restantes. Não tenho nada contra essas disciplinas, mas voltar ao modelo pré- Nuno Crato julgo que fará todo o sentido.

  • a redução da carga letiva implicará uma redução do número de professores?

Espero que não, mas as últimas notícias que apontam para o aumento da despesa na Educação para 2017 não ser suficiente para absorver a reposição dos cortes dos vencimentos de professores e funcionários, deixa-me muito apreensivo. Faltam professores para apoiar alunos, é preciso reduzir o número de alunos por turma – algo que foi falado pela tutela mas que anda esquecido- seria uma boa ideia apostar no modelo tutorial em exercício mas com menos alunos, massificar a aposta na codocência que traz tão bons resultados, principalmente a nível disciplinar, etc…

Espero sinceramente que estes bons ventos, não sejam presentes envenenados para os professores.

Ainda na proposta de Orçamento para 2017, é mais uma vez referida a questão da flexibilização e autonomia, algo que me agrada bastante, mas que já foi dito e prometido por tantos que só acredito quando a vir implementada no terreno.

(…)para incentivar a flexibilidade curricular desde o 1.º ciclo, recorrendo a diferentes possibilidades de gestão pedagógica, gerindo com autonomia os recursos, os tempos e os espaços escolares, adequadas aos múltiplos contextos existentes, tendo em vista a melhoria da qualidade das aprendizagens e o sucesso educativo de todos os alunos(…)

Aguardemos…

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1 COMMENT

  1. Aguardo para ver… Mas flexibilização no 1º Ciclo ” cheira-me” a acabar com a monodocência (um erro que, a acontecer, se pagará muito caro na eficácia do sistema). Vai ser uma maravilha para poupar uns milhões, quero estar muito enganado, com uma ”colagem” de horários entre professores do 1º e 2º ciclos e uma ”roda viva” entre diversos estabelecimentos de ensino… Da parte da tarde… as criancinhas entregues a ” técnicos” , a contrato precário, pagos em migalhas… Acho mesmo que a frase diz tudo: ” flexibilidade curricular desde o 1.º ciclo, recorrendo a diferentes possibilidades de gestão pedagógica, gerindo com autonomia os recursos, os tempos e os espaços escolares, adequadas aos múltiplos contextos… Ou seja …vai dar para tudo, vai ser uma farra, conforme o necessário… Palpita-me uma grande ”borrada” … Os colegas do 1º ciclo têm razões muito, muito fortes, para ficarem preocupados!

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