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Pânico, Não! Realismo. – Fátima Ventura Brás

1983
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Estes dias têm-me lembrado muito a minha infância. Também então ouvia notícias na rádio e ouvia os comentários das pessoas na aldeia, que em nada coincidiam. E pensava sozinha, tendo até vergonha de colocar questões, porque o meu pai me avisava tanto que não se podiam falar de “certos assuntos.”

Acontece agora, que me envergonho de escrever sobre tudo o que critique a ação governativa, pois parece que há de imediato um incómodo social- o Governo faz o que pode, ou então, não vale a pena estar com críticas, porque é tempo perdido, consoante sejam pessoas a favor ou contra o executivo.

Li o Artigo de Opinião do Professor Santana Castilho, no Público, como habitualmente sobre situações quotidianas graves- no caso, violência escolar em Salvaterra de Magos, já tema do Programa Linha Aberta, de Hernâni Carvalho- em que se denuncia e lamenta a inação dos responsáveis do Ministério da Educação face a alguns delinquentes, que passam assim a ter um estatuto especial dentro das Escolas, o qual lhes permite prejudicar colegas que querem aprender e professores que pretendem ensinar(numa linguagem popular, não fazem nada e não deixam fazer nada). Para meu espanto, não vi, nas redes sociais, as reações de reprovação habituais, como se já fosse banal, já notícia costumeira, nada valendo a pena comentar, como o próprio título indica: “O pior é que ninguém faz nada!”

É sabido que Pascal, no século XVII aconselhava: «Fazei tudo como se acreditásseis; isso vos fará crer» àqueles cujas convicções fracas não permitiam levar avante os respetivos planos.

Repetir muitas vezes uma palavra, uma ideia, uma informação, é transformá-las em hábito, em banalidade. Por mais falsa que seja, por mais que todos saibamos que não é possível que o que ouvimos corresponda à realidade, chegamos ao momento em que contestar já é mais penoso do que aceitar.

Explica-nos Gustave Le Bon:

«A afirmação e a repetição são agentes muito poderosos pelos quais são criadas e propagadas as opiniões. … Os políticos e os agitadores de toda a natureza fazem disso um uso quotidiano. Afirmar, depois repetir, representa mesmo o fundo principal dos seus discursos.

A afirmação não precisa de se apoiar numa prova racional qualquer: deve, simplesmente, ser curta e enérgica…»

Serve esta explicação para o caso atual do Covid-19. São-nos transmitidas contradições atrás de contradições:

1.- o vírus não é perigoso, não vale a pena entrar em pânico; a Comunicação Social é que está a causar alarme na população;

– mas, a China, país com conhecimento científico e que preza o seu rendimento económico, pára a produção e isola milhões de pessoas para conter a propagação do Corona vírus???

2.- a infeção sai as fronteiras da China e todos os países onde vai surgindo tomam medidas de contenção, desinfeções, controlo das entradas de cidadãos vindos das zonas infetadas;

– Portugal não considera necessário qualquer cuidado especial; quem chega, deve lavar bem as mãos, tossir para o cotovelo e ir à sua vida normal???

3.- com os cidadãos em quarentena por todo o mundo, milhares de crianças sem aulas, Cruzeiros parados… tenta-se conter a propagação;

– aqui, os cidadãos, os tais cidadãos que não fizeram quarentena voluntária e seguiram as “instruções do médico”- SNS 24- estão agora a obrigar a fechar escolas, tendo entretanto contaminado outros, como já se verificou.

Um senhor Delegado de Saúde comentou há pouco que não seria necessário que os alunos sentados ao fundo da sala fossem para casa, porque as gotículas de saliva da professora só atingiriam 2 metros.” Seria risível, se não fosse trágica a ideia que se faz do que é a dinâmica de uma sala de aula! Sr. Delegado: UMA PROFESSORA CIRCULA PELA SALA, VAI EXPLICAR À MESA DOS ALUNOS, TRABALHA COM EQUIPAS, NÃO ESTÁ COLADA À FRENTE DE UMA TURMA!

Por que motivo está Portugal sempre bem preparado e as tragédias acontecem, verificando-se depois que AFINAL…….?

Espero que os médicos, os enfermeiros, os diretores de escola…todos nós em conjunto, consigamos estar de olhos abertos e raciocinar. Não nos deixemos influenciar por repetições. Raciocinemos.

Se o Covid-19 fosse um simples vírus, o resto do mundo não estaria em alerta. É um vírus desconhecido e requer cuidados especiais.

PÂNICO, NÃO! A VIDA SEGUE. MAS COM OS CUIDADOS DE PROTEÇÃO CONTRA AS INFEÇÕES! COM A URGÊNCIA ADEQUADA!!!

Fátima Ventura Brás

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